O céu é o limite

kátia borges
03.10.2021, 07:04:00

O céu é o limite

A verdade é que ainda não temos os tais carros voadores de Os Jetsons — nosso parâmetro saudável de ambição classe média para um futuro próximo. Até que será interessante olhar para cima de vez em quando e observar a passagem veloz dos bólidos espaciais domésticos, avançando os sinais vermelhos e dobrando esquinas sem dar seta nas largas rodovias aéreas abertas no céu azul.

Ainda não temos os tais carros voadores, mas estamos perto. No momento, três empresas brasileiras que atuam no transporte aéreo de passageiros trabalham em projetos para colocar no ar os primeiros veículos elétricos de pouso e decolagem vertical, batizados como eVTOL. Coisa de quatro ou cinco anos, não mais, e você pedirá um táxi e se deslocará pela cidade qual uma Angélica Blade Runner.

Se lançarmos nossa indisciplina no trânsito terrestre para o alto, certamente, teremos colisões, atropelamentos e fugas diários. Anjos distraídos serão pegos em cheio pensando na morte da bezerra, ao atravessarem as faixas de trânsito celeste entre as nuvens sem olhar para os lados. Norte, sul, leste, oeste. Informação demais para a cabeça de um Cronópio, e todos aqui sabem que Cronópios são anjos.

Os endinheirados sentirão o mesmo que sentem hoje, pilotando SUVs voadoras como se fossem tanques blindados, resistentes às turbulências, ocupando duas vagas nos estacionamentos crepusculares, fechando aeronaves de passeio sem permitir ultrapassagens, solicitando prioridade no pouso. Periga até disputarem a primazia do tiro ao alvo com o cocô dos passarinhos sobre nossas cabeças.

Caminhar pelas ruas às sextas-feiras será um pesadelo para os baianos sem um domo capaz de preservar o branco-omo das roupas. Somente a instalação de um domo colocará os pedestres soteropolitanos à salvo do previsível lixo despejado das movimentadas estações flutuantes de transbordo e das janelas dos carros. Após os táxis e automóveis de passeio, será a vez dos ônibus. O céu é o limite.

E, claro, logo serão formados longos engarrafamentos, especialmente a cada fim de ano. Os eVTOL moderníssimos disputarão o espaço com os jatinhos particulares que já engarrafam o trânsito lá pros lados de Trancoso. Esqueçam todas as previsões sobre as melhores profissões para este nosso século, meus amigos. O futuro pertence aos controladores de tráfego aéreo. E viva Os Jetsons.

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