O que o mundo precisa é de novas invenções

césar romero
03.05.2021, 14:07:16
Atualizado: 03.05.2021, 14:14:13

O que o mundo precisa é de novas invenções


Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Obra do pintor gaúcho Carlos Scliar (divulgação)

Arte é a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas, a partir de intuições, percepções, emoções, reflexões e ideais, com o objetivo de estimular esse interesse de consciência em um ou mais espectadores, e cada obra de arte possui um significado único e dessemelhante. 

Hoje em todo o mundo há uma grande preocupação em descobrir novos talentos. Novos artistas que tragam contribuições e estabeleçam pontes para inovações em arte. Excelente ideia, o que representa uma grande oportunidade para artistas emergentes. Também exercitar a crítica de arte, o interesse de colecionadores e se formar um novo panorama sobre a arte. 

Há algumas décadas atrás era diferente. Os galeristas começavam completamente desconhecidos, a grande parte oriunda de outras atividades, bem distantes da arte. Abriam uma galeria com apenas espaço físico, iluminação frágil, e buscavam nomes consagrados para a coletiva inaugural com quadros em consignação. Assim tinham artistas com décadas de trabalho, carreira consolidada, público certo, mídia espontânea, e já possíveis compradores. 

Outros com uma expo individual de artista conhecido com as mesmas características dos escolhidos para a opção anterior. Alguns galeristas, com seu talento e trabalho se tornaram conhecidos, adaptaram-se a nova tarefa e terminam reconhecidos. Outros desapareceram. 

Uma questão a se pensar, será que o “novo talento” que já começa com preços altos, se torna interesse da mídia com incrível rapidez, será capaz de manter uma carreira? É fácil tornar-se um “fenômeno” em poucos anos, mas com o tempo sustentará conteúdos?  

Muitos artistas que atingiram fama, preço e chegaram a ganhar prêmios de importância como o de Viagem ao País e Viagem ao Estrangeiro, do Salão Nacional do Rio de Janeiro, os mais relevantes prêmios do país à época, desistiram completamente da carreira. 

Existia verdadeira vocação ou foram as constantes decepções que o meio trouxe? Ser artista e viver do seu produto não é tarefa fácil. É preciso tenacidade. O artista é legitimado pela carreira, por circulação dos seus afazeres. Viver com dignidade e ética de arte é tarefa difícil, especialmente para aqueles que não fazem concessões ao mercado, ao gosto provinciano e à moda. Mercado é consequência, não preocupação inicial.  O pintor gaúcho Carlos Scliar, enquanto vivo soube como ninguém administrar à carreira, depois de morto caíram seu prestígio e mercado. E Scliar era um artista de qualidade e de grande apelo popular. 

Preço e fama não são sinônimos de excelência artística. O que o mundo precisa é de novas invenções.  

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas