Paripe: alta procura faz testes de covid-19 acabarem em menos de meia hora

coronavírus
22.03.2021, 15:35:00
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Paripe: alta procura faz testes de covid-19 acabarem em menos de meia hora

Prefeitura tem registrado a maior taxa de testes positivos de toda a pandemia em Salvador

Não deu pra quem quis. As 150 senhas distribuídas para os interessados em fazer o teste rápido para detecção da covid-19 acabaram num estalar de dedos na Prefeitura-Bairro do Subúrbio e Ilhas, que é localizada em Paripe. Por lá, antes mesmo das 8h30, os agentes da prefeitura deram a má notícia aos cidadãos que chegavam aos montes: teste, só amanhã.

Por conta do número expressivo de novos casos de covid-19, Paripe, São Caetano e Liberdade entraram nas medidas de proteção à vida nesta segunda-feira (22). Os bairros passaram a contar com posto de testagem, distribuição de máscaras e aferição de temperatura, além de ações de higienização e lavagem das ruas. 

Na região, a situação é tão complicada que logo que o posto foi inaugurado, vários moradores já buscaram a testagem. Em Salvador, segundo dados da prefeitura, a taxa de positivos é maior do que nunca e em alguns lugares como Brotas, Fazenda Grande e Pernambués, chega próximo a 50%, sendo que, há um mês, quando a situação já era preocupante, bairros todos como problema pela gestão municipal apresentavam de 24 a 30% de positivos.

(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
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Não à toa, na fila, todos entraram em contato direto com uma pessoa infectada pelo vírus ou, pelo menos, desenvolveram sintomas da doença, como o recepcionista Wellison Simões, 36 anos, que juntou a angústia por conta da quantidade de conhecidos infectados com os sintomas que estava sentido e precisou ir tirar a dúvida. "Eu vim porque estou com febre, dor no corpo, dor na face, nos olhos. Além disso, estou corizando, espirrando, tossindo. Então, eu achei importante fazer o teste. Até porque, aqui na região, o que a gente tem visto é um avanço muito forte da doença", relatou Wellison, que está assustado com o número de pessoas com o vírus no bairro.

Wellison apresentou sintomas e foi tirar a dúvida com teste rápido (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Circulação do vírus em alta
De acordo com Fábio Mota, coordenador das ações de proteção à vida, a impressão de Wellison tem todo o sentido. Paripe, no último mês, tem indicadores preocupantes em relação ao comportamento do vírus. "Entramos aqui porque acendeu a luz vermelha. Nós tivemos, em Paripe e também em São Caetano e na Liberdade, mais de 400 casos em 30 dias e quase 200 casos nos últimos dias. Os três bairros com uma média muito parecida. Então, voltamos com as medidas para combater essa crescente", afirmou Mota, que acredita que os testes são fundamentais para identificar e tirar de circulação contaminados assintomáticos que estão nas ruas transmitindo o vírus sem saber.

São justamente essas pessoas que têm tirado o sono de muitos dos cidadãos que foram se testar nesta segunda-feira. Segundo alguns moradores, como a aposentada Janete Costa, 64, as pessoas não param em casa e levam o vírus de um lado para o outro. "Eu fico preocupada com o volume de pessoas que estão com covid e com a movimentação que tem no bairro. Tô sabendo de muita gente com o vírus, dá muito medo. Minha vizinha mesmo tá acamada. Por isso, tô procurando fazer o teste, pra me cuidar. Tenho 64, sou do grupo de risco e não posso vacilar", disse Janete, que chegou cedo e foi uma das primeiras pessoas na fila.

Janete não sentiu sintomas, mas está assustada com casos de pessoas próximas (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Apesar do medo maior do grupo de risco, a preocupação pela doença não tem tido faixa etária na região. Das crianças até os idosos, todo mundo parece estar na mira do vírus.  José Mayke D'Ávila, 4, estava ardendo em febre e foi levado para testagem pela mãe, Daniela D'Ávila, 36, atendente, que contou à reportagem que tanto o pai como a avó de José estão infectados. "A situação no bairro está preocupante, todo mundo se infectando, até na nossa família. O pai dele e a avó estão com o vírus e estão tentando se recuperar. Ele, nessa noite, começou a arder em febre e eu fiquei preocupada. Resolvi trazer logo cedo pra saber o que tá acontecendo, não pode adiar. Tem muita gente pegando e passando pra frente", declarou.

José e Daniela na fila onde aguardavam teste rápido (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Quase 50% de positivos
A visão de Daniela é confirmada por Ilmara Souza, 31, estudante de comunicação, que afirma que, em um ano de pandemia, nunca viu tanta gente se infectando. "É caso pra todo lado, conheço algumas pessoas que pegaram vírus. Acho que, hoje, o negócio tá pior do que todo esse tempo. As pessoas também não se cuidam, se aglomeram, desrespeitam as restrições. O resultado tá aí e o pior é que prejudica o coletivo", opinou. A sensação de Ilmara e de tantos outros soteropolitanos não é por acaso. Ao CORREIO, Fábio Mota afirmou que, de fato, a taxa de pessoas que dão positivo para o vírus é maior do que em qualquer momento dentro da pandemia na cidade.

Prova disso são os bairros de Brotas, Pernambués e Fazenda Grande do Retiro, que já contam com as ações de proteção à vida da prefeitura, mas estão registrando uma taxa que beira os 50% de positivos. "A positividade de agora em todos os bairros é muito superior a primeira onda. Brotas, Fazenda Grande e Pernambués estão próximos de 50%. E já estamos com comércio não essencial todo fechado. O que precisamos é que a população nos ajude. Não adianta em nada as ações se as pessoas não utilizam máscara e não fazem distanciamento social", que afirmou que as medidas foram transferidas para Paripe pelo bairro ter a pior situação do subúrbio, mas não descartou ações em locais como Periperi e Plataforma, que também preocupam a gestão municipal.

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro.

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