PM indicia policiais por homicídio doloso pela morte de artista plástico

bahia
25.07.2018, 17:20:00
(Foto: Divulgação)

PM indicia policiais por homicídio doloso pela morte de artista plástico

Manoel Arnaldo dos Santos Filho, conhecido como Nadinho, foi morto no dia 21 de abril, dentro de casa

Três policiais foram indiciados pela Polícia Militar da Bahia (PM-BA) após a morte do artista plástico Manoel Arnaldo dos Santos Filho. O Inquérito Policial Militar (IPM) indiciou os PMs Edvaldo Nunes de Almeida, Leandro Santos Xavier e Dinalvo do Santos Paixão por homicídio doloso - quando há a intenção de matar. O resultado do inquérito foi apresentado na tarde desta quarta-feira (25) à imprensa. 

Arnaldo Filho, conhecido como Nadinho, 61 anos, morreu após ter sido baleado dentro da casa que funcionava como ateliê, no dia 21 de abril, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador. Logo após o ocorrido, os policiais foram afastados da região de Candeias e realizam tarefas administrativas na Corporação.

Testemunhas afirmaram que policiais entraram no ateliê, atirando no artista plástico, que estava desarmado. Os policiais estavam atrás de assaltantes. Os PMs alegaram que Nadinho estava com uma arma em mãos e teria disparado contra a equipe. O revólver teria falhado.Além do inquérito policial, a Polícia Militar instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), que irá apurar a conduta dos militares. Com o procedimento, os policiais podem até ser exonerados.  

Ainda na manhã desta terça, a família de Nadinho teve uma reunião com a Polícia Militar para receber a notícia do indiciamento dos policiais. “Nós não vamos parar. Eles cometeram o crime e vão pagar. Nós e a população inteira queremos que a justiça seja feita. Esses homens também têm que pagar”, afirmou Maraísa Marinho, uma dos quatro filhos que Nadinho deixou. A família relata que está à base de remédios após o crime.

“Nós queremos justiça. Eles tentaram colocar uma arma na mão do meu pai para acobertar o que eles fizeram, para ter uma pena mais branda. Mas isso é injusto. Meu pai nunca teve uma arma. Ele nem deixava a gente ter arma de brinquedo, imagina ter arma de verdade”, disse Maraísa.

A existência da arma de fogo atribuída a Nadinho na cena do crime é uma das questões que a PM não conseguiu explicar após a finalização do IPM.

Nadinho foi morto em abril (Foto: Reprodução)

Relembre o caso 
O artista plástico Arnaldo Filho morreu após ser baleado durante uma ação da Polícia Militar dentro de seu ateliê, na noite do último sábado (21), em Candeias. Segundo os familiares da vítima, PMs entraram no imóvel e já chegaram atirando no homem, que estaria desarmado e desenhando.

Em nota, a PM afirmou, inicialmente, que a morte aconteceu no bairro Santo Antônio, por volta das 20h, após equipe de militares da Operação Força Tática de Candeias receberem um chamado através do Centro Integrado de Comunicação (Cicom), informando que um homem havia invadido uma residência no bairro.

A PM informou que duas equipes estiveram envolvidas nessa ocorrência, cada uma composta por três policiais militares. "Entretanto, apenas uma estava no momento da abordagem do imóvel, a outra equipe chegou em apoio momentos depois", destacou a corporação.

"Ao chegarem no endereço informado, as equipes policiais bateram à porta do imóvel e identificaram-se como policiais militares, contudo o homem que apareceu em uma das janelas recepcionou os policiais empunhando e apontando uma arma de fogo contra os integrantes das guarnições e, segundo o relato dos próprios policiais, teria acionado duas vezes a tecla do gatilho da arma, mas a munição teria falhado. Frente à iminente ameaça, os policiais alvejaram o homem com dois disparos, um atingiu o braço e outro, o tórax", afirmou a PM, em nota.  

A família negou que isso tenha ocorrido. "Eles entraram na casa e plantaram uma arma. Ainda disseram que meu tio tinha pólvora na mão, mas ele não atirou. Era um homem de bem que não tinha nenhum envolvimento. Ele morava nessa casa desde pequeno", complementa o sobrinho que, junto à outros familiares, pretende denunciar a ação policial. 

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