Podcast de coletivo baiano traz um novo olhar sobre o HIV/AIDS

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15.03.2022, 12:00:00
Anderson Danttas, Igor Nascimento, Luiz Antônio Sena Jr., Marcus Lobo e Rafael Brito são anfitriões do Coletivo (Foto: Divulgação)

Podcast de coletivo baiano traz um novo olhar sobre o HIV/AIDS

Os cinco episódios do Conversas Pro Paraíso estão disponíveis no YouTube e nas plataformas de áudio

O afeto é fundamental para a vida. Esse é o grande mote da segunda temporada do vídeo-podcast Conversas pro Paraíso, que traz vivências de pessoas soropositivas. O projeto, realizado pelo Corre Coletivo Cênico, integra uma pesquisa a respeito de corpos conviventes com o HIV/AIDS, transversalizadas com pautas que debatem de que forma este vírus interfere na construção identitária de corpos LGBTQIAP+. 

Os cinco episódios estão disponíveis nos perfis do Instagram@corre_ba  e no youtube do coletivo. O debate tem como anfitriões os integrantes multiartistas do Corre, Anderson Danttas, Igor Nascimento, Luiz Antônio Sena Jr., Marcus Lobo e Rafael Brito. A cada programa um convidado traz suas vivências e pesquisas a respeito do HIV/AIDS.

Anderson Dantas ressalta a importância de trazer uma diversidade de temas: “Nesta temporada, fizemos uma série de questionamentos, conversamos com pesquisadoras, artistas e falamos de nossas produções, nossos amores e nossas histórias. Isso é muito importante para derrubar uma série de tabus que ainda existem em relação ao vírus HIV/AIDS”.

Confira abaixo o primeiro episódio:

A ideia é vencer a desinformação, o medo, a culpabilidade, o silêncio, os armários subjetivos e as ilhas sociais. O instrumento para isso é fazer do diálogo um ato que convoca a análise crítica da realidade e o movimento de criação de novas narrativas, trazendo com isso diversidade e representatividade para o processo.

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Integrante do Corre e corpo positivo há 7 anos, Rafael Brito aproveitou para afirmar que discutir a homossexualidade ainda é um tabu frente aos ‘bons costumes sociais’ no país, assim como propor um debate sobre a soropositividade.

 “É pensando nisso que criamos este projeto, para construirmos novos imaginários afirmativos dos corpos que vivem com HIV, para que possamos combater, por sua vez, estigmas e preconceitos. Queremos potencializar os movimentos de representatividade, validar a presença, atuação e narrativa de gays, bixas pretas e corpos posithivos. É reafirmar o direito de existir/amar”, pondera.

Com 24 anos de experiência pela atuação no Gapa, em que dialoga diretamente com pares que convivem com HIV/AIDS, dando orientação sobre medicação antirretroviral e outras informações, a uruguaia Rosaria Piriz é uma das convidadas do projeto. Sua fala é direcionada para os caminhos de cura, seja ela científica ou social, e onde estamos diante disso.

“Uma maravilha de tema. A gente passa por muitas ausências. Falta de amor, carinho, atenção, acolhimento. Iniciativas assim nos trazem uma alegria para expressar e compartilhar nosso sentir, nosso viver”, opina.

Designer e fotógrafo, Ton Schübber é outro personagem da série. Ele ressalta a importância do afeto, da acolhida, da família - sanguínea e de lida. Além disso, mostra sua visão de ativismo como estratégia para lidar com os preconceitos e violências sociais aos corpos soropositivos. 

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A chegada do vírus HIV/AIDS na vida de Rafael tem uma história pesada. Seu ex-marido descobriu a doença já em estágio avançado e morreu por conta de complicações durante o tratamento. Por sua vez, Ton descobriu de maneira mais precoce e conseguiu maior eficácia na busca pela cura:

“Eu descobri depois de pegar um exame que tinha feito. Meu companheiro estava com HIV num estado avançado de AIDS. Ficou cinco meses no Couto Maia e faleceu. Ali eu vi o resultado do que seria minha falta de adesão ao tratamento. Não é só ir tomar o remédio, o paciente com HIV desenvolve um banzo, uma depressão por saber que vai enfrentar toda uma sociedade”, explica Ton.

Depois dos choques, ele decidiu fazer tudo que está ao seu alcance para ajudar as pessoas a aderirem o tratamento e a oportunidade de conversar sobre tudo isso é gratificante para o fotógrafo. Espalhando a mensagem e levando afeto para a pauta.

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