Polícia identifica cemitério clandestino do tráfico em Cajazeiras

salvador
04.01.2018, 16:30:00
Atualizado: 04.01.2018, 18:18:23

Polícia identifica cemitério clandestino do tráfico em Cajazeiras

Dois corpos foram encontrados; polícia busca outros cadáveres

As investigações acerca de dois desaparecimentos levaram a Polícia Civil a encontrar, na manhã desta quarta-feira (3), um cemitério clandestino utilizado pelo tráfico de drogas, na localidade de Vila Vitório, na Fazenda Grande III, região de Cajazeiras, em Salvador. A suspeita é de que o local seja utilizado como ponto de desova de vítimas da quadrilha Bonde da Gamboa (BDG) - uma ramificação da facção Bonde do Maluco (BDM).

Um corpo, ainda não identificado, além de uma ossada, foram encontrados no local. Os cadáveres estavam enterrados em covas rasas - com cerca de 40 centímetros de profundidade - em uma região de mata aberta. Havia, ainda, duas covas vazias, o que reforça a possibilidade de que seja um cemitério clandestino.

De acordo com o coordenador de investigação da 13ª Delegacia (Cajazeiras), Washington Costa, a suspeita é de que os corpos encontrados sejam de dois rapazes desaparecidos: o vendedor ambulante Daniel de Oliveira Carneiro, 20 anos, que foi levado por homens armados no dia 23 de dezembro, e um homem identificado apenas como Rasta, que desapareceu nas mesmas circunstâncias, também na região da Vila Vitório. 

A hipótese levantada pelos policiais é de que, em ambos os casos, traficantes do BDG tenham desconfiado de que Daniel e Rasta passavam informações do grupo para o Bonde do Zeca (BDZ) - quadrilha rival que atua na região de Jaguaripe, em Fazenda Grande I, outra localidade de Cajazeiras. 

Polícia acredita que um dos corpos é de um homem identificado como Rasta, desaparecido há quatro meses (Foto: Reprodução/Tailane Muniz/CORREIO)

"A história é a mesma. Daniel e Rasta foram mortos com o mesmo modus operandi. Simplesmente imaginaram que eles eram informantes da BDZ e sumiram com os dois. A possibilidade de que sejam eles é grande", disse Washington ao CORREIO. Os restos mortais foram encaminhados ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) para que sejam identificados.

Por meio de sua assessoria, o DPT informou que os corpos devem passar por uma avaliação, feita pela Coordenação Forense do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR), que vai definir o método de identificação - que pode ser por meio de DNA, arcada dentária ou impressão digital. Segundo o DPT, o tempo vai variar conforme o tipo de exame ideal para cada corpo. 

Uma das vítimas já foi encaminhada para o setor de tanatologia, onde cadáveres com alguma integridade ainda podem ser identificados por meio do DNA. O outro corpo vai ser avaliado por profissionais da seção de antropologia, para onde vão ossadas e outros restos mortais mais degradados.  

As buscas por outros corpos devem continuar, segundo o investigador. "Existe uma terceira vítima, que é João Pedro, um rapaz de 27 anos. Este, porém, tinha envolvimento com o BDG. Sabemos que ele foi levado pelo mesmo bando, mas não sabemos o paradeiro que deram [ao corpo]. A ossada encontrada pode ser dele também; não sabemos", contou ele, acrescentando que João sumiu em setembro.

Investigações
Segundo o investigador, Daniel morava na região da Vila Vitório, uma invasão que fica no intermédio entre Fazenda Grande I e Fazenda Grande III. Já Rasta, conforme depoimentos de testemunhas, embora não morasse no local, tinha um barraco e costumava capinar o terreno.

"Daniel era vendedor de picolé e não tinha qualquer envolvimento com o tráfico. Ele foi levado por quatro homens armados, assim como a outra vítima. A esposa de Rasta chegou a ver o marido sendo levado para este matagal, mas foi xingada e ameaçada pelo bando, todos armados", relatou o investigador Washington.

Desde o sumiço de Rasta, a polícia passou a fazer varreduras na região de mata, apontada pela esposa da vítima. "Na época, há quatro meses, fizemos uma busca, mas não encontramos nada. Agora, com o sumiço de Daniel, resolvemos ir novamente. Foi quando encontramos os corpos", disse Washington.

As duas famílias prestaram queixa dos desaparecimentos e relataram as circunstâncias, o que ajudou nas investigações. "A família de Daniel registrou a queixa cinco dias depois do desaparecimento. Montamos a equipe de apoio e, após quase quatro horas, descobrimos as vítimas", lembra, acrescentando que os cadáveres estavam próximos, mas não lado a lado.

Cemitério clandestino
Cinco bombeiros militares do 10º Grupamento de Bombeiro Militar (GBM/Camaçari), além de equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), uma equipe do DPT e investigadores da 13ª Delegacia participaram das buscas, que foram iniciadas por volta de 9h, nesta quarta (3).

Conforme Washington Costa, o local fica em uma área perigosa da invasão de Vila Vitório, em uma região extensa e de difícil acesso.

"Foram horas. Terminamos ia dar 13h. É uma região difícil, porque é bastante íngreme, por isso precisamos dos bombeiros para apoiar", acrescentou o policial, afirmando que as famílias das vítimas não quiseram participar das buscas pois relataram que chegaram a ser ameaçadas.

Crias do BDM
De acordo com as investigações da Polícia Civil, tanto o BDZ quando o BDG são originários do Bonde do Maluco. Ao CORREIO, o investigador Washington Costa afirmou que faz mais de três anos que o BDM assumiu o comando quase integral da região de Cajazeiras. 

Como o BDM detém um arsenal - com fuzis, metralhadoras e submetralhadoras, segundo a polícia - outros criminosos não têm outra alternativa a não ser se juntar à facção. Foi o que aconteceu com o traficante Zeca, que fundou o Bonde do Zeca em Jaguaripe. "Ele passou muito tempo no comando do seu grupo, um grupo independente. Mas atualmente é uma ramificação da BDM, ou seja, não têm rixas", explicou. 

A briga direta da gangue de Zeca é com o BDG, liderada pelo traficante José Marques dos Santos, o Gago, 40. Faz cerca de um ano e meio que o criminoso migrou da localidade da Gamboa de Baixo, na Avenida Contorno, para a Fazenda Grande III, e passou a chefiar o tráfico na Vila Vitório. Ele integra a lista de 80 alvos prioritários da Secretaria da Segurança Pública (SSP), e é suspeito de diversos homicídios. 

Gago é líder do BDG (Foto: Divulgação SSP)

Zeca está preso desde o início de dezembro, quando foi capturado no Terminal Rodoviário de Salvador. Meses antes, em setembro, Gago foi detido por guarnições da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) quando tentava fugir de uma barreira policial na BA-046, em um trecho entre as cidades de Iaçu e Milagres.

Gago já tinha mandado de prisão expedido pela Justiça. Na época, ele foi conduzido para o Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco).

Crueldade em comum
O que ambas as quadrilhas têm em comum, segundo o investigador, é a crueldade com as vítimas. Lições que, acredita Washington Costa, os dois grupos criminosos herdaram do BDM. "É uma briga por liderança de áreas. BDG e BDZ seguem a cartilha do BDM. São cruéis e muito violentos. A maioria de seus integrantes são jovens, têm menos de 30 anos", afirmou ele, citando o caso do compositor Felipe Yves, degolado por integrantes do BDM em março de 2017.

São os soldados do tráfico, subordinados a Zeca e Gago, de acordo com policiais, quem têm articulado homicídios na região de Cajazeiras. A Polícia Civil recebeu denúncias indicando alguns dos suspeitos. "A informação é de que alguns deles, indentificados como Gel, Biel, Júnior, Cabeludo, Bruno e Jal pertençam ao BGD e tenham praticado esses homicídios", completou Washington Costa.


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