Política & Economia: ‘O retorno escalonado foi um acerto’, diz Mário Dantas

bahia
16.04.2021, 05:00:00
Donaldson Gomes e Mário Dantas conversaram no programa Política & Economia (Reprodução)

Política & Economia: ‘O retorno escalonado foi um acerto’, diz Mário Dantas

Presidente da Associação Comercial pede a flexibilização de horário do toque de recolher

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A Prefeitura de Salvador acertou ao estabelecer um escalonamento de dias e horários para o funcionamento da atividade produtiva na cidade, acredita o empresário Mário Dantas, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB) e do Lide Bahia. Isso reduz a pressão sobre o sistema de transporte público – principal fonte de preocupações com aglomerações com o funcionamento do comércio, pondera. Dantas acredita que outra medida que pode ajudar ainda mais seria uma redução no horário do toque de recolher, estabelecido pelo governo do estado. 

Dantas afirma que participa do grupo de empresários que ele define como “conscientes”, que entendem o papel dos gestores públicos que buscaram evitar um colapso no sistema de saúde pública. “A primeira premissa é que a preservação de vidas é fundamental. Dito isto, temos que entender o papel da empresa formal”, recomendou, citando estabelecimentos que procuram operar com o respeito a todas as medidas relacionadas ao controle da pandemia. Ele foi o entrevistado do jornalista Donaldson Gomes, no programa Política & Economia, ontem. 

“A gente entende que podemos ter um comércio funcionando e que podemos ter os bares e restaurantes funcionando e fizemos este diálogo de maneira muito positiva e propositiva com a Prefeitura de Salvador, buscando entender que o lado negativo do comércio funcionando está no sistema de transportes”, diz. 

“Nenhum transporte público no mundo é direcionado para o horário de rush, de acumulação”, lembra. “A coisa inteligente a ser feita, e foi a decisão tomada pela Prefeitura, era escalonar as atividades produtivas para minorar este impacto das aglomerações no transporte público”. 

O apelo do setor produtivo fica por conta de uma flexibilização do horário de toque de recolher, que atualmente estaria inviabilizando, por exemplo, a operação de bares e restaurantes, além de trazer dificuldades para outros setores da economia soteropolitana, avalia. “Nós temos os shoppings, que tem uma tradição de operar até um horário mais tarde para atender um público importante, que sai do trabalho. E tem a questão dos bares e restaurantes de rua, que tem cerca de 80% do seu público à noite. Tendo que fechar até as 19h30, para respeitar o toque de recolher às 20h, não consegue funcionar no turno da noite”, lamenta. 

“Quando maior for o horário disponível, maior será o escalonamento possível das atividades, provocando menos aglomerações, porque você espaça mais os horários de funcionamento e minora a aglomeração nos transportes públicos”, complementa, ressaltando a importância de um aumento no horário permitido a até, pelo menos 22 horas. 

Segundo o presidente da Associação Comercial, as prefeituras têm dialogado bastante com o setor produtivo. “Nós temos informações de conversas entre as entidades empresariais com praticamente todas as prefeituras do estado da Bahia”. 

Brasil só vai sair bem dessa crise se o governo injetar dinheiro na economia
Segundo o empresário Mário Dantas, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB) e do Lide Bahia, o momento é crítico para o setor produtivo. Ele acredita que sem uma atuação mais agressiva do poder público no sentido de socorrer a atividade econômica, dificilmente o país sairá bem da crise atual. 

“O empresário tem sido muito disciplinado e tem contribuído como pode, mas para que não tenhamos um caos generalizado, precisamos de ações do poder público”, avalia. Para Dantas, o risco ao deixar de enfrentar o problema é de um momento de convulsão social, com mortes não apenas pela covid. “A gente precisa de medidas para salvar as empresas deste momento gravíssimo que estamos passados”, avisa. 

Entre as medidas (leia ao lado), ele ressalta a necessidade de programas de crédito e flexibilizações na área tributária. Para o empresário, a reedição do programa de parcelamento de tributos adotado no ano passado pela prefeitura pode ter um efeito positivo para a atividade econômica. Além disso, ele cobra medidas similares tanto do governo do estado, quando federal. 

Outros dois pedidos são o retorno da suspensão da exigência de certidões negativas e a reedição do programa que permite a suspensão temporária de contratos de trabalho e reduções de jornadas e de salários, com a garantia dos empregos, diz. “Temos a informação de que essa medida do BEm (programa para a manutenção dos empregos) está muito próxima de ser reeditada. É muito importante para dar um fôlego à economia”, avalia.  

“Tem uma frase emblemática que as pessoas dizem, que estamos no mesmo barco, mas isto não é verdade. Estamos na mesma tempestade, porém em barcos diferentes”, ressalta. “Uns estão em barcos mais estruturados, mais ao largo da tempestade. Outros estão no centro dela e estão em canoas”, compara. 

Ele lembra que existem setores que foram afetados de maneiras muito mais complexas e agressivas. Entre estes, destaca aqueles que atuam no mercado de eventos, bares e restaurantes, as empresas ligadas à área de turismo, principalmente as que atuam no receptivo. “Nestas áreas você tem um nível de impacto por esta crise que é muito maior”, diz, ponderando que toda a economia foi afetada de algum modo. “Pouquíssimos são os que tiveram um impacto positivo neste momento que estamos vivendo”. 

Principais pedidos
Fluxo de caixa 

As empresas estão sem dinheiro para fazer a operação rodar, diz Mário Dantas. Ele acredita que é necessário haver uma ampliação na oferta de crédito e a flexibilização das garantias exigidas para isso. 

Tributos
Existem empresas que não tem como lidar com a cobrança de impostos neste momento, precisam de isenção, acredita Dantas. Entretanto, para a grande maioria uma “repactuação” na cobrança pode resolver o problema, diz. 

Certidões
A suspensão temporária da exigência de certidões negativas é fundamental neste momento, defende Dantas. “Você não tem o dinheiro para pagar o imposto e sem as certidões, não roda a empresa”, explica. 

Empregos
Para o empresário, é fundamental a retomada das medidas para a proteção dos empregos, com a possibilidade da suspensão dos contratos de trabalho ou reduções de jornadas. 

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