População usa meios de transporte alternativos para driblar a falta de ônibus

bahia
20.05.2018, 15:11:00
Apesar da falta de ônibus, o metrô ficou vazio (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

População usa meios de transporte alternativos para driblar a falta de ônibus

Rodoviários fazem paralisação de 24 horas

Com a paralisação dos ônibus por 24 horas neste domingo (20), quem precisou sair de casa teve de apelar para meios de transporte alternativos. Teve quem juntou um grupo de amigos para dividir o Uber, quem fez parte do percurso de metrô e o restante andando, quem apelou para o serviço de mototáxi e até mesmo quem aderiu à paletada para chegar ao destino.

Torcedores do Vitória, os amigos Gabriel Jeovane, 19 anos, e Emanoel Lucas, 21, por exemplo, decidiram chamar um Uber para se deslocarem do bairro onde moram, Periperi, até o Barradão, em Canabrava, onde assistiriam à partida entre o Vitória e o Ceará. “Moramos em Periperi e mesmo sem busu não poderíamos deixar de ver nosso time jogar. O valor valeu muito a pena. Pagamos R$ 20, 00 pela corrida”, contaram. 

A assistente de sala, Marcela Carrera, também acionou um Uber para levá-la do Santo Antônio Além do Carmo até Canabrava para ver o rubro-negro jogar. “Peguei um Uber e dividi com mais dois amigos. Aí tá tudo certo. Muito mais conforto e rapidez para chegar até aqui no estádio”, disse. 

Já o atendente Juvenal Oliveira, 30, preferiu ir a pé mesmo. Ele contou que gastou 30 minutos de São Marcos, onde mora, até o Barradão. “Vim com meu irmão e com minha sobrinha. Achei que por causa da greve nem fosse dar muita gente, mas me surpreendi. Tá cheio aqui hoje”, falou.

Metrô
Mesmo sem os ônibus circulando, o metrô não ficou lotado. Acompanhando o pouco movimento das ruas, o fluxo do metrô também estava baixo. O estudante Iuri Almeida, 18 anos, disse que soube da greve em cima da hora. “Moro em Brotas e estou indo para casa de minha tia, na Barra. Vou pegar o metrô, descer na Lapa e seguir para a Barra de Uber mesmo”, contou.

O estudante reclamou ainda dos transtornos causados pela greve. “É complicado porque atrapalha muito o cidadão. Se fosse um dia de semana, por exemplo, muitas pessoas não conseguiriam chegar ao trabalho ou a escolas e universidades. Não é todo mundo que pode ficar pagando Uber”, opinou.

Mototáxi
Mesmo sem o reforço dos micro-ônibus do sistema complementar, o serviço de mototaxista não estava sendo muito requisitado na manhã deste domingo (20). "Está parecendo um dia de domingo normal pra gente. Apesar da estação estar muito menos movimentada, ainda não senti aumento na demanda pelo serviço. Os preços continuam os mesmos, não vamos aumentar não", disse Fernando Estrela, 28 anos, mototaxista que trabalha na estação da Lapa.

Em outros pontos da cidade, os colegas de profissão de Fernando também não se empolgaram. Os mototaxistas Gedeão Junior, Jerson Ferreira e Rafael Ferreira explicaram ao CORREIO que, no caso deles, não dá para aumentar o preço porque os clientes já são conhecidos. "A maioria do pessoal sabia da greve, por isso, não deve sair de casa para muito longe. Sem contar que hoje é domingo, muita gente não trabalha. Até agora o movimento está bem normal para um domingo".

Micro-ônibus não rodaram
Representantes do Sindicato dos Rodoviários foram para as garagens dos micro-ônibus do sistema complementar e conseguiram impedir a saída dos veículos que estavam previstos para circular hoje. Segundo estimativas da Secretaria Municipal de Mobilidade, só 50% dos 300 micro-ônibus estão operando, mas o Sindicato dos Rodoviários diz que apenas 20% da frota está nas ruas.

Ao todo 350 mil pessoas usam os ônibus como meio de transporte aos domingos, segundo dados da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob). A recepcionista Raquel Conceição foi uma das prejudicadas com a paralisação dos ônibus. "Tava na esperança de aparecer os metropolitanos, que geralmente rodam nessas greves", desabafou. Raquel trabalha na Federação e mora em Itinga. Chegou a simular o valor do Uber para voltar para casa, mas viu que teria que desembolsar R$ 44. Para ela, a melhor alternativa é ficar pelo bairro onde trabalha mesmo. "Tô tentando falar com umas amigas que moram aqui para eu poder dormir na casa delas", disse.

Multa
Em nota, a prefeitura informou que a paralisação total do serviço representa o descumprimento de obrigação essencial dos contratos de concessão, estando as concessionárias sujeitas à multa no valor total de R$1.120.000  por cada dia paralisado, dividido entre as três empresas. 

Com referência à possibilidade de greve geral, anunciada para a próxima quarta-feira (23), a prefeitura  informou em nota que vem dialogando com o Sindicato dos Rodoviários e com os empresários no intuito de que seja feito um acordo para evitar a paralisação.

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