Por conta da chuva, Codesal registra 2.344 solicitações em três dias

salvador
28.11.2019, 21:43:00
Atualizado: 28.11.2019, 21:46:41
Moradores precisam nadar para conseguir sair de casa (Foto: Betto Jr/ CORREIO )

Por conta da chuva, Codesal registra 2.344 solicitações em três dias

Foram 802 casos apenas nesta quinta-feira, até às 17h

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O número de solicitações recebidas pela Defesa Civil (Codesal) nos últimos três dias impressionou os servidores da pasta. Foram 2.344 ligações entre a 0h de terça-feira (26), quando começou o temporal em Salvador, e às 17h26 desta quinta-feira (28), última atualização dos dados. Hoje, foram 802 ocorrências, até às 17h.

Para se ter uma ideia do tamanho desse número, duramente a Operação Chuva, período em que Salvador registra os temporais mais intensos do ano, o número de ocorrências alterna entre 100 e 150 casos. Em três dias, no pior dos cenários, seriam 450 chamadas, ou seja, bem distante das mais de 2 mil registradas agora.

Deslizamento de terra foi uma das principais ocorrências (Foto: Bruno Wendel/ CORREIO)

Nesta quinta, foram 305 alagamentos de imóveis, 252 avaliações de imóveis alagados, 100 deslizamentos de terra, 57 ameaças de deslizamento, e 44 ameaças de desabamento, até às 17h. Segundo o superintendente da Codesal, Sosthenes Macedo, esses ainda não efeitos do mau tempo de terça-feira. Naquele dia, choveu em algumas horas o que era esperado para o mês inteiro de novembro, cerca de 170 mm.

“Esses são resquícios da chuva de terça-feira. Tivemos de terça para quarta cerca de 1.600 ligações. Em dias normais, são de 20 a 30 ocorrências. Desde que assumir a Codesal [setembro de 2017], nunca vi nada parecido. Nem nos períodos de Operação Chuva, com muita chuva, chegamos próximo desse número. Em três dias, 2.344 chamadas”, afirmou.

Limpurb recolheu 387 toneladas de lixo (Foto: Divulgação/ Limpurb)

Ainda nesta quinta, foram registradas também 14 alagamentos de área, nove desabamentos parciais, sete infiltrações, quatro desabamentos de muro, três orientações técnicas, dois desabamentos de imóveis, duas ameaças de desabamento de muro, duas árvores ameaçando cair, e uma árvore caída.

Apesar de ter assustado, a chuva que caiu na terça-feira na capital e Região Metropolitana está longe de ser a mais ameaçadora. Um levantamento estatístico feiro pelo CORREIO junto à Defesa Civil, em maio, mostrou que o mês de novembro é um dos registra menos chuva. A maior concentração é em maio, quando o volume é o dobro do registrado esse mês. A diferença é que ela é mais distribuída no primeiro semestre, chovendo quase todos os dias do mês.

Em caso de emergência, o telefone 199 deve ser acionado.

Moradores passaram sufoco (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

Interdição
A Rua Engenheiro Austricliano, mais conhecida como Ladeira do Cacau, no Parque Bela Vista, permanece interditada. Ela foi fechada na terça-feira depois que a terra deslizou duas vezes na região. Engenheiros da Codesal voltaram ao local nesta quinta, e decidiram que a via ainda não está segura.

A Defesa Civil também manteve a orientação para que os moradores das dez comunidades onde as sirenes de alerta de deslizamento de terra foram acionadas no dia do temporal ainda não retornem para casa. O receio é de que o solo encharcado provoque novos acidentes.

Choveu em poucas horas o esperado para o mês inteiro (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

As sirenes foram acionadas nas localidades de Baixa de Santa Rita (bairro de São Marcos), Calabetão, Bom Juá (Fazenda Grande do Retiro), Vila Picasso (Capelinha), Voluntários da Pátria (Santa Luzia), Baixa do Cacau (São Caetano), Moscou (Vila Canária), Mamede I (Alto da Terezinha), Mamede II (Alto da Terezinha) e Bosque Real (Sete de Abril).

As famílias que deixaram as casas foram abrigadas em cinco escolas, uma igreja e uma associação de moradores. Eram 387, no primeiro dia, mas alguns conseguiram abrigo com familiares e amigos e foram deixando esses locais. No segundo dia, eram 225, e nesta quinta são 91 pessoas. Os dados são da Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre), responsável pelos cadastros.

Famílias estão em abrigos (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

Até está quinta-feira, 250 famílias receberam o auxílio emergência, no valor de até três salários mínimos. O benefício é para aquelas pessoas que tiveram perdas materiais com a chuva. No total, 825 cidadãos se cadastraram para receber a ajuda. Os pagamentos dos primeiros 250 serão feitos nesta sexta-feira (29), e somam R$ 528 mil.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para esta sexta-feira, em Salvador, é de tempo parcialmente nublado com possibilidade de chuvas isoladas. Já o final de semana será de parcialmente nublado a claro.

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