Prefeitura cria projeto com 60 músicas para trabalhar nas escolas

salvador
12.04.2019, 20:12:00
Atualizado: 12.04.2019, 20:12:15
Projeto foi lançado no Parque da Cidade (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO)

Prefeitura cria projeto com 60 músicas para trabalhar nas escolas

Objetivo é aproximar os estudantes dos conteúdos pedagógicos e facilitar a aprendizagem

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Há quem diga que a música está no sangue no soteropolitano. Nenhuma novidade para a cidade que realiza um dos maiores carnavais de ruas do mundo, mas, agora, essa arte vai ganhar também as escolas municipais. O projeto Música na Escola, lançado nesta sexta-feira (12), pela prefeitura vai lançar mão de melodias e paródias para ajudar no desenvolvimento pedagógico dos estudantes.

O lançamento do projeto faz parte das comemorações pelos 470 anos de Salvador e aconteceu no anfiteatro do Parque da Cidade. Os estudantes de cerca de 40 escolas lotaram o espaço para assistir em primeira mão as obras. No total, são 60 músicas, gravadas por 65 músicos baianos.

Estudantes se divertem e fazem passinho durante o evento (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO)

O primeiro a subir ao palco foi o cantor Tonho Matéria, que nos versos falou de alguém que jogava capoeira e se considerava um valentão. “A música é um processo educativo, e trazê-la para uma dinâmica mais lúdica, é fazer o jovem entender que através de uma canção ele pode descobrir ferramentas para as atividades e também pensar melhor o seu dia-a-dia”, afirmou.

As músicas serão distribuídas em pen-drive para todas as escolas da rede municipal e, a partir da próxima semana, estará disponível também para a população no site da Secretaria Municipal de Educação (Smed). O prefeito ACM Neto assistiu às apresentações da arquibancada, com os estudantes, e destacou a importância do projeto.

“A gente concilia a música que é um dos principais elementos da cultura do nosso povo com educação. É uma forma muito fácil de ensinar as nossas crianças, história, matemática, português, ciências. A gente consegue transmitir todo esse conteúdo, que às vezes é um pouquinho maçante em sala de aula, de uma maneira leve e lúdica, o que além de tudo é convite às crianças para cada vez mais apreciarem a música”, afirmou.  

ACM Neto assiste aos shows junto com os estudantes (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO)

Na prática, são canções inéditas ou adaptadas do cancioneiro popular com relação direta com as sequências didáticas dos cadernos pedagógicos de Língua Portuguesa e Matemática, do 1º ao 5º ano, do Programa Nossa Rede. O titular da Smed, Bruno Barral, afirmou que a inciativa ajuda a desenvolver os principais elementos da educação.

“A educação é feita em três pilares: o acesso, a permanência, e a aprendizagem. O acesso está sendo garantido pelo aumento das vagas e da infraestrutura. A permanência tem que envolver a atenção e o desejo de estar na escola, então, a música, em Salvador, que é a cidade da música, é importantíssimo. E através dela melhoramos a aprendizagem”, disse.

O projeto foi construído em parceria com a Associação Pracatum Ação Social (APAS), que montou uma equipe multidisciplinar composta por arte-educadores, pedagogos e músicos. O trabalho foi realizado em articulação com o Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (Icep) e acompanhado pela Diretoria Pedagógica (Dipe) da Smed.

A criação envolveu pesquisa de ritmos, a associação com os temas tratados, e a produção de uma série de sugestões pedagógicas para serem trabalhadas em sala de aula. Para o professor de música da Escola Municipal Beatriz de Faria (Cajazeiras), Márcio Guilherme Muniz, o resultado foi positivo.

“Essa é uma forma de trazer a música mais para dentro das escolas e alertar as crianças da importância da arte. Isso vai ajudar no seu desenvolvimento cognitivo e função. A música é um mecanismo para ensinar. Ela trabalha valores, ela trabalha concentração, e ensina o grupo a respeitar o outro. A ideia é começar a trabalhar esses conteúdos na próxima semana”, contou.

Márcio é professor de música e aprovou o projeto (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO)

Para o estudante Gabriel Souza, 10 anos, a mistura entre música e escola é uma boa ideia. "Eu gosto de música. Minha mãe ouve todos os dias. Acho que vai ser mais fácil de aprender desse jeito, e mais divertido também", contou, entre risos. 

Participaram das gravações 65 músicos baianos: Adelmo Casé, Alexandre Leão, Aloísio Menezes, Amanda Santiago, Arnaldo Antunes, Banda De Boca, Betho Wilson, Buk Jones, Bule Bule e Roberto Mendes, Capitão Corisco, Carla Cristina, Carla Lis Banda Didá, Carla Visi, Carlinhos Marques, Claudia Cunha, Claudia Leite, Daniela Mercury, Danny Nascimento, Dão, Deco Simões e Karina De Faria, Denny Denan, Edu Casanova, Felipe Escandurras, Flávio Renegado, Gerônimo, Gilberto Gil, Gilmelândia, e Jackson Costa.

Também Vanessa Borges, Janaína Carvalho E Sandra Simões, João Sereno, Ju Moraes, Juliana Ribeiro, Katê, Kekedy, Larissa Luz, Lazzo Matumbi, Levi Lima, Lucas Di Fiori, Luiz Caldas, Magary Lord, Márcia Freire, Márcia Short, Márcio Vitor, Margareth Menezes E Menino Sinho, Mari Antunes, Middah Borges, Nadjane Souza, Pierre Onassis, Raimundo Sodré, Ray Gouveia, Reinaldo Nascimento, Ricardo Chaves, Robson Morais, Sarajane, Saulo Fernandes e Ana Clara, Shido, Tito Bahiense, Tonho Matéria e Vina Calmon.

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