Prefeitura já acompanha 23 acumuladores em Salvador

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05.02.2017, 06:20:00
Atualizado: 05.02.2017, 10:45:22

Prefeitura já acompanha 23 acumuladores em Salvador

Depois que os órgãos municipais tomam conhecimento, começa o trabalho para conscientizar a pessoa a respeito do material em casa

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Desde o ano passado, a prefeitura de Salvador acompanha acumuladores na cidade. Tudo começou com uma denúncia feita em uma Prefeitura-Bairro, referente a um acumulador de Valéria. Depois, vieram de diferentes canais, mas especialmente nos mutirões de limpeza para combater o Aedes aegypti, de acordo com a coordenadora de projetos especiais da Secretaria Municipal de Promoção Social, Esporte e Combate à Pobreza (Semps), Cláudia Cavalcanti. 

Hoje, são pelo 23 conhecidos – com outras duas denúncias ainda em análise. “Esses acumuladores recolhem lixo, entulho, eletrodomésticos quebrados, camas velhas, armários, madeira, muito brinquedo... Eles vão achando que podem vender esse material e daí tirar algum lucro financeiro, depois começam a ter apego emocional. Acham que vão usar, eventualmente, numa necessidade”, diz. 

Logo depois que tomam conhecimento do caso, o trabalho começa. Primeiro,  os agentes sociais da Semps vão até o acumulador, para conhecer a pessoa, sua história, identificar o que desencadeou o processo de acumulação e tentar criar um vínculo de confiança. Muitos são reclusos e têm restrições a conversar com os agentes públicos. Às vezes, as pessoas sequer querem abrir a porta, no contato inicial. 

Depois, quando as duas partes começam a se entender – e pode levar até três ou quatro meses para que a pessoa com Transtorno de Acumulação (TA) se sinta à vontade para contar sua história – vão para a fase que a Semps chama de “conscientização”. É o momento de convencê-los a tirar o material da casa. 

Quando o acumulador autoriza a retirada do material de casa, a prefeitura convoca a Limpurb e o CCZ (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

“A gente faz a sensibilização, mostrando os riscos, para que a pessoa possa compreender que o melhor é limpar. A partir do momento que a pessoa sinaliza que quer ter uma mudança em sua qualidade de vida, a gente inicia o processo de limpeza”, afirma a assistente social Cristiane de Oliveira, uma das que acompanhou o caso de seu José Rocha, morador de Paripe que contou sua história ao CORREIO. 

Mas, sem que o acumulador aceite, a prefeitura não pode fazer nada. “A gente tem o cuidado de não falar a palavra ‘lixo’, porque eles não entendem assim. Existem poucas coisas servíveis nesses locais, mas a gente não pode usar a palavra”, conta a coordenadora Cláudia.

No dia da limpeza, entram a Limpurb e o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Quando a casa já está ‘limpa’ ou vazia, a pessoa precisa começar a assimilar que o espaço, de repente, está diferente. “Então, fazemos o encaminhamento para os Caps (Centros de Atenção Psicossocial) para atividades de socialização, para os Cras (Centros de Referência da Assistência Social), para fortalecer vínculos familiares”, lista Cláudia. 

Só que não para por aí. A depender da necessidade da pessoa, a pessoa deve ser encaminhada para o serviço competente – às vezes, o acumulador em questão sequer tem documentos. Se o imóvel for em área de risco, a pessoa pode receber auxílio moradia, por exemplo; se o acumulador tiver algum tipo de deficiência, pode receber Benefício de Prestação Continuada (BPC) e assim por diante. 

A maioria dos 23 casos recebidos pela prefeitura estão na região da Cidade Baixa – das três histórias contadas pelo CORREIO, por exemplo, dois estão na Ribeira. Há acumuladores conhecidos na Calçada, Uruguai... Mas também há os que ficam em outros bairros, como Paripe e Valéria. 

“É um trabalho contínuo, mas a gente tem notado que é fundamental a participação da família. Então, a gente tenta resgatar esse vínculo familiar, porque, muitas vezes, como as pessoas são solitárias, elas não fazem o tratamento”, reforça Cláudia. 

Se você é ou conhece um acumulador e acha que precisa da ajuda da prefeitura, pode entrar em contato com a Ouvidoria municipal, através do telefone 156. 

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