Produtores de camarão apostam no mercado externo para compensar crise

minha bahia
24.06.2020, 07:00:00
Além de criatórios em cinco estados, incluindo a Bahia, a Carapitanga tem unidade de beneficiamento do produto (Foto: Divulgação)

Produtores de camarão apostam no mercado externo para compensar crise

O produto estava fora do mercado internacional há 15 anos

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Com bares, restaurantes e hotéis fechados, a indústria brasileira de camarão está buscando no mercado externo caminhos para superar a crise provocada pelo avanço do coronavírus. No último mês de maio, os produtores baianos voltaram a exportar o produto após mais de 15 anos, de acordo com dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). De lá para cá, já foram enviados para o exterior 88 toneladas do produto, sendo 66 delas a partir da  Carapitanga, empresa que possui unidades em Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Piauí.

A redução na demanda pelo produto provocou quedas de 9% nos preços do camarão e de 23% na Ceagesp, um dos principais locais de comercialização de produtos agropecuários do país, de acordo com a CNA. “O setor de food service (bares, restaurantes e hotelaria), que é onde atuamos, sofreu demais”, conta  Marcelo Varela, sócio diretor da Carapitanga. Aqui na Bahia, a empresa fornece os produtos em estabelecimentos da Região Metropolitana de Salvador (RMS), Litoral Sul, Litoral Norte e na região de Porto Seguro. 

O caminho encontrado para driblar a crise foi a aposta no mercado externo. Na Carapitanga, as vendas no exterior saíram de zero para representar 5% da produção e agora a expectativa é de consolidar esse mercado. “Com a pandemia, nossa ideia foi de diversificar as fontes de receitas. Apostamos nas exportações para compensar as perdas com o food service.  No médio e longo prazo, esperamos contar com entre 30% e 40% da produção global sendo exportada”, projeta Marcelo Varela. 

Olho no mercado
Já dizia a frase atribuída a Alexandre o Grande, “a sorte sorri para os audazes”. Foi o que aconteceu com os produtores brasileiros de camarão. Antes da crise, a Carapitanga participou de uma grande feira de frutos do mar na China, maior mercado mundial. Lá fez contatos, apresentou os produtos e iniciou um processo de busca por novos mercados. 

Em maio, foram enviadas as primeiras 22 toneladas para os Emirados Árabes Unidos. Em junho, foram mais 66 toneladas para Taiwan e Estados Unidos. Também estão na agenda para este ano encomendas para a China, Rússia, Malásia e Coreia do Sul.

A empresa trabalhou junto à Associação Camarão BR, Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Secretaria da Aquicultura e Pesca e o e Ministério da Agricultura. “Depois que conseguimos voltar a vender para América do Norte, Oriente Médio e Ásia, estamos trabalhando a reabertura do mercado europeu”, diz Marcelo Varela.

Segundo o empresário, a atividade tem grande potencial para crescimento no mercado externo. Como exemplo, ele cita a China, que importa por ano 600 mil toneladas de camarão – cinco vezes mais que toda a produção nacional. “A Ásia vem se tornando o maior comprador. Estamos indo nesta direção, até porque tiveram uma recuperação mais rápida da pandemia do coronavírus”, destaca. 

Além disso, a empresa está apostando na venda dos produtos em redes de supermercados.

“Estamos diversificando a parte de varejo e esperando que os restaurantes voltem para o que será esse novo normal. Torcemos muito pelo retorno do turismo, porque o camarão vende muito neste cenário”, explica.

A venda dos produtos em supermercados está prevista para os próximos 20 dias, conta. “Para o próximo semestre, estamos preparando lançamento inédito, camarão fresco, pré-cozido, pronto para consumo e com longo prazo de validade”, afirma Marcelo Varela.

A Carapitanga produz atualmente 6,3 mil toneladas por ano, em 14 fazendas.  Em 2019, inaugurou uma unidade de beneficiamento própria em Jaboatão dos Guararapes (PE). Atualmente, são mais de 500 colaboradores, 120 destes na unidade baiana, em Jandaíra.

Agro.BR
Recentemente, a CNA e o governo federal lançaram um programa para estimular o aumento da exportação dos produtos brasileiros. 

Em abril, foi lançada uma cartilha para estimular as vendas para o mercado da Coreia do Sul.  “O objetivo é auxiliar o produtor brasileiro de camarão a exportar para o mercado da Coreia do Sul, apresentando condições e recomendações em um breve passo a passo, incluindo detalhes das documentações exigidas para sua habilitação”, disse o assessor de Relações Internacionais da CNA, Rafael Gratão.

O credenciamento de plantas produtivas de camarão para o mercado sul-coreano foi anunciado no dia 13 de abril e aconteceu após uma articulação da CNA junto ao Mapa. Em 2019, o Brasil produziu 90 mil toneladas de camarão e a expectativa é alcançar o mesmo patamar de produção este ano.

A cartilha também apresenta o programa Agro.BR, uma iniciativa da CNA que engloba ações de internacionalização e promoção comercial de produtos agrícolas brasileiros.

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