Professores da rede estadual acusam governo de cortar salários após paralisação

bahia
27.02.2020, 15:49:00
Atualizado: 27.02.2020, 16:39:17
(Foto: Arquivo CORREIO)

Professores da rede estadual acusam governo de cortar salários após paralisação

Categoria se reúne na próxima quarta (4) para discutir se decreta greve geral

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Servidores ativos e aposentados da rede estadual de ensino acusam o Governo do Estado de realizar descontos dos salários de quem aderiu à paralisação da categoria nos dias 18 e 19 de fevereiro.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), os funcionários só descobriram o desconto no fim da tarde desta quarta-feira (27), quando o contracheque foi disponibilizado. Segundo a categoria, o documento demorou a ser colocado à disposição dos colaboradores.

"São quase 20 mil pessoas prejudicadas, entre aposentados, professores, coordenadores pedagógicos, funcionários do Colégio Militar. Eles descontaram entre R$ 600 e R$ 1.000, sem avisar nada. Tomamos um susto quando abrimos o contracheque. Eles estão perseguindo quem aderiu à paralisação", disse Rui Oliveira, presidente da APLB.

Inconformados com o abatimento salarial, a categoria convocou o ato Devolva Meu Dinheiro, que ocorrerá nesta sexta-feira (28). Em Salvador, as manifestações serão na frente da Secretaria de Educação do Estado (SEC), no CAB.

Já no interior do estado, os atos acontecem em cidades como Feira de Santana, Itabuna, Juazeiro, Barreiras, Jequié, Vitória da Conquista, Valença e Santo Antônio de Jesus, nos Núcleos Territoriais de Educação.

Indicativo de greve
No dia 4 de março, a categoria também se reunirá no Ginásio dos Bancários, na Ladeira dos Aflitos.

"O indicativo é de greve geral na rede estadual. Não vamos aguentar essa situação. O pessoal está revoltado com essa perseguição", disse Rui Oliveira. 

O CORREIO procurou as secretarias de Educação (SEC) e de Administração do Estado (Saeb), que informaram por meio de nota que "a decisão de efetuar os descontos seguiu entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), na linha de que a administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação".

Ainda segundo as pastas, "o Estado não foi informado oficialmente sobre a paralisação, que aconteceu uma semana após o início do ano letivo e às vésperas do Carnaval" e "menos de 30% das escolas estaduais aderiram à paralisação".

Ainda de acordo com as secretarias, no caso de professores que trabalharam e houve o desconto, a orientação é comunicar imediatamente à escola e esta ao Núcleo Territorial de Educação (NTE), pois será feita uma folha antecipada. A reposição dos salários para os que paralisaram as atividades acontecerá mediante calendário e comprovação da reposição das aulas pela direção das escolas e NTE.

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