Queda nos números e fim de recurso: veja por que leitos estão sendo fechados

coronavírus
03.03.2022, 04:40:00
(Nara Gentil/ Arquivo CORREIO)

Queda nos números e fim de recurso: veja por que leitos estão sendo fechados

Em Salvador, quatro gripários, duas UPAs e 51 leitos foram desativados

Salvador começou, nesta semana, a desmontar a estrutura que construiu para enfrentar os surtos de covid-19 e de gripe. Todos os gripários estão sendo fechados, 51 leitos serão desabilitados e duas Unidades de Saúde da Família (USF), que haviam sido transformadas em Unidade de Pronto Atendimento (UPA), vão voltar ao formato inicial. As medidas, anunciadas nessa quarta-feira (2), foram tomadas após queda nos números da pandemia e do corte de financiamento do governo federal.

Faz quase dois anos que os soteropolitanos ouviram falar em gripário pela primeira vez. Era maio de 2020, quando o então prefeito ACM Neto (DEM) inaugurou a primeira unidade, construída no estacionamento da UPA dos Barris, e anunciou a abertura de mais cinco iguais aquela, nas semanas seguintes. A imprensa precisou explicar para a população o que era e qual seria a finalidade desses equipamentos.

Foram seis unidades construídas, todas voltadas para atender exclusivamente pacientes com sintomas gripais, fosse covid ou gripe. A cabeleireira Maria Isabel Costa, 46 anos, foi umas das primeiras soteropolitanas a usar essa estrutura. “Lembro que foi um alívio, porque os postos de saúde estavam lotados. O atendimento no gripário era mais rápido e como os pacientes tinham os mesmos sintomas, os médicos eram práticos”, disse.

Algumas estruturas foram desativadas no segundo semestre de 2021, depois da queda nos números da pandemia, mas, em novembro, com o avanço da Ômicron, variante mais contagiosa que as anteriores, os números dispararam e os gripários do Pau Miúdo, Pirajá/ Santo Inácio e da ilha de Bom Jesus dos Passos foram reabertos para se juntar ao dos Barris, que já estava em atividade. São essas quatro unidades que estão sendo fechadas. Além delas, existiam os gripários de Paripe e Valéria, que já estavam fechados.

Razões
O desmonte das unidades de saúde foi anunciado pelo prefeito Bruno Reis (DEM), na semana passada, e os detalhes foram divulgados nesta quarta-feira (2), durante a entrega de 100 casas reformadas através do programa Morar Melhor, no Pau Miúdo. Ele informou também que 10 leitos de UTI e 41 de enfermaria foram desativados no Hospital Sagrada Família, no Bonfim, e contou que a queda nos números da pandemia foi um fator decisivo.

“Não estamos tendo demanda. Estamos com 38% de ocupação dos leitos, o que significa que 62% deles estão livres. Isso tem um custo, mesmo leitos sem pacientes geram despesas para a prefeitura. A partir do mês de março, o governo federal anunciou que não vai mais ajudar no custeio, então, temos que ir desmobilizando, mas sempre deixando os contratos ativos, porque caso seja necessário podemos remobilizar os leitos”, disse.

As acomodações na UTI custam R$ 2.400 e na enfermaria R$ 1.600, diariamente. Antes, a despesa era dividida entre Município e União. Agora, caberá à prefeitura pagar a conta sozinha. As Unidades de Saúde da Família (USF) de Pirajá e do IAPI que, em janeiro, haviam sido transformadas em Unidades de Pronto Atendimento (UPA) para desafogar os gripários, vão retornar à condição inicial. A mudança começou na segunda-feira (28).

Por enquanto, as USFs do Imbuí e de Itapuã continuam sendo usadas como UPAs. A Tenda dos Barris também segue em operação. “Todos os números da pandemia, como Fator RT, casos ativos, novos casos e número de óbitos estão caindo na mesma proporção em que cresceram com a variante Ômicron e isso permite que a gente adote com segurança essas medidas”, afirmou Bruno Reis.

Carnaval 
Nos últimos dias um rumor tomou conta das redes sociais de que a Prefeitura de Salvador estaria planejando uma edição extra do carnaval para o mês de abril. O prefeito Bruno Reis comentou sobre o assunto e disse que é apenas boato. A conversa surgiu depois que o governador de São Paulo, João Dória, contou em uma entrevista, em fevereiro, que havia um acordo entre a capital paulista, o Rio de Janeiro e Salvador para realizar a festa em abril. Bruno disse que discutiu essa possibilidade, mas que já foi descartada.

“A prefeitura não cogita realizar, no mês de abril, um carnaval. Nós precisamos ter consciência da diferença de Salvador para o Rio de Janeiro e São Paulo. O Rio de Janeiro pode fazer a festa, na Sapucaí, e São Paulo, no Sambódromo. Nosso carnaval é uma festa de rua e, por mais que os números estejam em queda, daqui a 40 ou 50 dias não podemos ter certeza que daria para realiza. Então, não cogito realizar nada para não criar expectativas”, afirmou.

Ele disse que estuda novas medidas de flexibilização e concordou com a decisão do governo do estado de aumentar para 3 mil o número de pessoas permitidas em eventos na Bahia. Sobre o aniversário de Salvador, em 29 de março, o prefeito também foi cauteloso. “Teremos uma série de atividades, de entrega de obras, mas ainda é cedo para falar sobre grandes eventos e festas”, concluiu.

Sobre o período de carnaval, o gestor disse que o balanço foi positivo. Apesar das aglomerações registradas em alguns bairros, os dias de folia de 2022 foram mais tranquilos que os de 2021. Para o motorista do aplicativo Ivan Borges, 35 anos, o motivo é simples. “A cidade está vazia. Quem está na rua está vendo trânsito livre e pouca aglomeração. As pessoas foram passar o carnaval em outros lugares”, disse.

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