Salvador já definiu protocolos para serem adotados em retomada, diz Bruno Reis

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25.06.2020, 12:48:00
Atualizado: 25.06.2020, 13:17:01

Salvador já definiu protocolos para serem adotados em retomada, diz Bruno Reis

Será preciso ter prudência quando o momento chegar, para não voltar atrás

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(Foto: Divulgação)

Com o apoio de técnicos especializados e cientistas sociais, a Prefeitura de Salvador já definiu os protocolos que serão adotados, no momento certo, para a retomada das atividades de cada segmento do comércio ou indústria na capital baiana. 

Claro que estamos todos ansiosos para a chegada desse momento. E essa ansiedade aumenta ainda mais quando percebemos que algumas outras localidades do País já ultrapassaram o pico da pandemia e decidiram retomar as atividades sociais e econômicas num cenário que vem sendo chamado de “novo normal”.

Mas nunca é demais ressaltar que será preciso ter prudência no momento da retomada de nossas atividades. Sabemos que Curitiba e Porto Alegre, por exemplo, se viram obrigadas a incorporar novas regras, e mais rígidas, poucos dias após terem afrouxado as medidas de restrição.

O fato é que cada cidade tem sua realidade e vive um estágio diferente da pandemia. Infelizmente fica inviabilizada a retomada das atividades em Salvador enquanto estivermos com os leitos públicos e privados de enfermarias e UTIs com 84% de ocupação. 


Entendemos e somos sensíveis à pressão que estamos sofrendo de diversos segmentos comerciais e industriais, mas temos convicção de que não vamos deixar cair por terra todos os esforços realizados até o momento. Vidas humanas ainda estão em jogo e dependem de cada decisão que será tomada.

Por isso, temos nos debruçado exaustivamente a analisar cada protocolo e cada atividade. A depender do cenário epidemiológico, vamos tomar as decisões corretas.

Os números de novos casos neste mês de junho ainda são alarmantes e vêm crescendo acima da média. O prefeito ACM Neto já encaminhou, e a Câmara Municipal acaba de aprovar, um pedido para prorrogação do auxílio emergencial por mais um mês (que poderá ser estendido até setembro), contemplando o segmento mais vulnerável da população: ambulantes, baleiros, baianas de acarajés,  motoristas de táxi e de aplicativos, entre outros.

De mãos dadas, vamos encontrar os caminhos para que todos os segmentos do setor produtivo possam honrar seus compromissos e retomar suas atividades. Temos convicção de que poderemos, juntos, voltar a crescer acima da média nacional. Afinal, vínhamos comemorando, nos últimos anos, a retomada do emprego em Salvador, que conseguiu deixar para trás o incômodo título de capital nacional do desemprego. Mas sabemos que, nesse processo de retomada, a recuperação de nossa economia será feita de forma gradual. Para tanto, já estamos finalizando um plano reestruturante, de isenções, estímulos e incentivos fiscais, que vai reaquecer a economia da cidade, gerando oportunidades de emprego e renda para a população. 

Desde o início da pandemia, Salvador adotou medidas parciais de isolamento social. Para evitar aglomerações, foram suspensas as atividades em shoppings, centros comerciais, clínicas de estética, salões de beleza, academias, entre outras atividades. Isso se estendeu também a lojas de rua acima de 200 metros quadrados.

Em maio passamos a adotar medidas restritivas regionalizadas nos bairros que vinham apresentando índices elevados de aglomeração. Realizamos mais de 50 mil testes rápidos durante essas intervenções e conseguimos identificar infectados que foram acolhidos e encaminhados para o devido isolamento, bloqueando a circulação do vírus. Em cada uma dessas intervenções de proteção à vida, distribuímos cestas básicas para feirantes e trabalhadores do comércio informal. Apesar de não termos chegado a adotar medidas extremas como o confinamento, através de um lockdown, os resultados de nossas decisões ajudaram a salvar centenas de vidas em Salvador.

Em Recife, que tem 1 milhão e 600 mil habitantes, morreram mais de 1600 pessoas; em Fortaleza, com 2 milhões e 600 mil habitantes, houve mais de 3200 óbitos. Já em Salvador, com população de 3 milhões de habitantes, apesar de todos os nossos esforços, não conseguimos evitar a morte de 750 pessoas, mas, se não tivéssemos agido com firmeza, teríamos hoje um número de óbitos muito próximo ao de nossos vizinhos.

Salvar vidas é o que mais importa. No último dia 17 de junho lançamos o programa Salvador Protege, que utiliza os recursos da telemedicina  para melhorar ainda mais a rede de atenção primária de Salvador. Com esse programa, o médico vai poder entrar em cada comunidade, podendo cuidar remotamente das pessoas que apresentarem sintomas da doença. Esse acompanhamento domiciliar vai acolher a população mesmo em situações que não estejam diretamente ligadas à pandemia do coronavírus.

Claro que nada é obra do acaso. Salvador pode adotar medidas restritivas, e garantir o amparo social àqueles que mais precisam, porque ao longo dos últimos anos tem suas contas equilibradas. Apesar da queda de R$130 milhões na receita própria, conseguimos inaugurar nove unidades de saúde, contratamos diversos profissionais para atuar na linha de frente do combate ao Covid 19 e garantimos a manutenção dos serviços essenciais, mesmo enfrentando seis meses de chuva intensa, o maior volume dos últimos 36 anos.

*Bruno Reis é vice-prefeito de Salvador

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