Startups na construção civil 4.0

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31.05.2018, 13:44:09
Atualizado: 04.06.2018, 11:33:54

Startups na construção civil 4.0


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Dubai lançou um sistema de inovação disruptiva denominado "Dubai 10 X", baseado no BIot (Blockchain e Internet das Coisas-IoT), visando a ​criação de novos modelos operacionais de negócios que substituam os serviços tradicionais e ofereçam várias vezes o valor para usuários finais e clientes. Dentre eles estão a inovação nas cadeias de suprimentos e na performance das construtoras, rastreando fluxos, eficiência na construção, descarbonização e histórico de vendas.

Para garantir sustentabilidade 4.0 é necessário adotar, em lato senso, os pilares da inovação, ciência, tecnologia, economia, finanças, meio ambiente e responsabilidade social, gerando equilíbrios dinâmicos e contínuos entre todos. Se algum pilar for mais focado em detrimento de outro, o desequilíbrio e a insustentabilidade se instalam, como mostram os relatórios do WWI-Worldwatch Institute, sediado em Washington e focado na sustentabilidade de resultados, com rede de pesquisas nos cinco continentes.

Cientes que tecnologia é commodity e que a inovação pode ser transferida a qualquer lugar do globo através do smartphone, colônias de startups espalham-se internacionalmente formando robustos ecossistemas em diferentes pontos do planeta, liderando e impondo um novo ritmo à "eco-nomia" global.

Apelidos expressam suas vocações. Construtechs, fintechs, foodtechs, urbantechs, agrotechs, biotechs, healthtechs, oceantechs e kidtechs; viralizam, comandando a virada da economia analógica para eco-nomia digital. Unicorns, é o nome dado a startups que alcançam valor de mercado de 1 bilhão de dólares. Em maio de 2018 existem 279 unicorns no mundo. 

Cerca de 250 startups existem hoje no Brasil focadas em diferentes áreas da construção civil: gestão de projetos e obras, compra e venda de imóveis, aluguel de equipamentos, conteúdo online, gestão de resíduos e gestão de condomínios. Embarcar tecnologias nas empresas é a única forma de competir neste cenário de mudanças radicais, ajudando a faturar mais e melhor.

Aproveitando as oportunidades que surgem das nuvens, um movimento de aproximação entre ecossistemas de startups das chamadas "Bay Areas" está em curso, ligando o Silicon Valley, da Baía de São Francisco, na Califórnia (PIB de US 2,7 trilhões), com a Baía de Todos os Santos (All Saints Bay), Capital da Amazônia Azul (PIB US 80 bilhões).

Tanto as startups quanto os investidores californianos têm interesses em expandir seus negócios unindo trabalho e investimento com qualidade de vida, e sabem que, em um mundo conectado, o que fazem lá podem fazer mais prazerosamente em clima tropical, com sol, praias, águas mornas, limpas e balneáveis o ano todo.

Com 40 milhões de habitantes, baias, rios e 1.800 km de costa, a Califórnia concentra o maior numero de negócios imobiliários e condomínios náuticos (com marinas) do mundo - todos com alta tecnologia. As startups baianas, mirando no ecossistema californiano, atingem também outras possibilidades que começam a enxergar, a de alavancagem e aceleração do desenvolvimento eco-nômico da Capital da Amazônia Azul.

Observando a velocidade global das mudanças, o Fórum Econômico Mundial, de Davos, inspirado na inteligência do Fórum Social Mundial, adotou a visão "eco-nômica" e passou a estimular mini fóruns mensais em diferentes locais do mundo.

Alinhando-se ao compasso global, o Fórum de Sustentabilidade da ADEMI - Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (ademi-ba.com.br/Site/Eventos/ForumSustentabilidade), realizado há nove anos consecutivos, pode inovar promovendo mini fóruns mensais, disruptivos e exponenciais, juntando gente da casa e de fora para debater a construção civil 4.0,  facilitando a sintonia entre a comunidade local e a global. 

Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil. eduathayde@gmail.com

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