Surto de covid e influenza leva a suspensão de visitas no Conjunto Penal de Feira

bahia
27.01.2022, 21:45:00
(Divulgação/Sinsppeb)

Surto de covid e influenza leva a suspensão de visitas no Conjunto Penal de Feira

Só na unidade feminina, 85% das internas submetidas ao exame testaram positivo para a doença 

Diante de surto dos vírus da covid-19 e da influenza, as visitas sociais e religiosas aos presos no Conjunto Penal de Feira de Santana (CPFS) foram suspensas na manhã desta quinta-feira (27). Nos últimos dias, a equipe de saúde da unidade constatou um aumento significativo de sintomáticos respiratórios entre servidores e colaboradores, segundo informações da própria Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap). 

A informação chegou à reportagem através de comunicado, que não informou o número de infectados. A Seap também não menciona se há presos contaminados – a unidade abriga homens e mulheres. São 1.810 internos numa unidade projetada para abrigar 1.356 pessoas. No entanto, segundo o Sindicato dos Servidores da Polícia Penal do Estado da Bahia (Sinsppeb), das sete presas testadas na semana passada, seis positivaram para a doença. Ou seja, 85% do universo da amostragem. 

“Todas elas apresentavam sintomas gripais e estavam distribuídas nas 11 celas do pavilhão feminino. São presas condenadas. Na sexta-feira (21), elas foram retiradas para fazer o teste e seis das sete positivaram. As policiais penais as isolaram. Quando foi nesta segunda-feira (24), o médico determinou que elas retornassem ao convívio e não testou as outras internas. Então, estão todas agora misturadas no mesmo pavilhão e, provavelmente, outras já estão infectadas”, declarou o presidente do Sinsppeb, Reivon Pimentel.

Comunicado
A denúncia de Reivon é reforçada com um comunicado enviado no 21 deste mês aos coordenadores de segurança do CPFS, ao qual a reportagem teve acesso. O documento assinado pelo médico Gutemberg Nobre, informa que no dia foi detectado “um número considerado de casos confirmados”.  “Informo para os devidos fins que as pacientes domiciliadas no Pavilhão feminino, as quais foram testadas com o resultado positivo poderão ser mantidas em suas respectivas celas de origem, mantendo o convívio com as demais, seguindo medidas protetivas como: uso de máscaras, lavagem das mãos e banho de sol. Em caso de piora do quadro clínico encaminhar ao serviço de saúde”, diz o documento. 

Comunicado diz que presas positivadas retornaram ao convívio com outras internas (Divulgação) 

Reivon disse que o não isolamento das internas pode piorar ainda mais a situação do CPFS.  “O fato de elas terem voltado para as celas de origem, já pode ter afetado outros pavilhões, inclusive o masculino. Porque quem faz a distribuição da alimentação são os próprios presos de bom comportamento que fazem o procedimento para todos os internos do conjunto. Ou seja, eles podem estar infectados. Eu estive lá e vi os riscos de contaminação. Os presos entregam a comida sem luvas e com as máscaras no queixo e assim vão circulando pelos pavilhões”, declarou. 

Policiais penais
Apesar de a Seap não divulgar o número de servidores afastados no CPFS, o Sinsppeb tomou conhecimento de que oito dos 20 policiais penais de um plantão não estão trabalhando após contaminados pelo coronavírus.  “Um dos colegas foi com os sintomas da covid e um médico disse que era para ele continuar trabalhando. Ou seja, ele ficou 24 horas em contato com os depois colegas. Ele dormiu no alojamento e fez as refeições no refeitório. No outro dia, ele foi ao hospital e deu positivo. Ele já estava contaminado quando teve contato com os colegas e com os presos”, denunciou Reivon. 

Mas o problema não está só no CPFS. Em Salvador a situação é a mesma. “Na Cadeia Pública as vistas foram suspensas nesta segunda-feira por causa da redução dos policiais penais, devido à contaminação pela covid. Não tinha efetivo suficiente para cobrir os postos de trabalho. No Presídio Salvador afastou muita gente também. Eu sei dessas informações através dos colegas, porque a Seap não passa nada para a gente”, declarou o presidente do Sinsppeb. 

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