Testes para detectar covid-19 variam entre R$ 100 e R$ 450 em Salvador

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27.01.2022, 05:00:00
(Arisson Marinho/CORREIO)

Testes para detectar covid-19 variam entre R$ 100 e R$ 450 em Salvador

Saiba qual teste é recomendado para cada caso

Em um cenário de alta de casos de covid-19, escolher o teste para confirmar ou não a infecção pelo novo  coronavírus tem sido um desafio para a população. Além da grande procura, também é preciso ficar atento ao custo e a grande variação de preços entre os laboratórios: em Salvador, os testes variam entre R$ 100 e R$ 450, conforme o laboratório e o tipo de exame. Mas, na hora de decidir qual fazer, não é só o preço que precisa ser levado em conta. Cada tipo de teste é recomendado para situações específicas.

O RT-PCR é o exame em que uma espécie de “cotonete” coleta o material das narinas e da garganta para detectar o vírus. O teste é caracterizado como padrão ouro, devido sua alta capacidade indicar a infecção. O ideal é que seja feito entre o terceiro e o quarto dia de sintomas, podendo se estender até o décimo. Apesar da confiabilidade, o RT-PCR não detecta contágios passados e demora cerca de dois a três dias úteis para apresentar o resultado nos laboratórios de Salvador. 

Entre os 10 laboratórios procurados pelo CORREIO na quarta-feira (26), o que teve o valor mais em conta foi o Delfin, por R$ 210, sendo realizado somente em sistema drive thru, no Itaigara e em Lauro de Freitas. O resultado sai em até três dias úteis. Nos laboratórios Jaime Cerqueira, Meddi e Dna Laboratório o RT-PCR sai por R$ 250. No Labchecap (R$ 280), pelo mesmo motivo, só é possível agendar a coleta a partir do sábado (29) e, ainda sim, em poucas unidades. 

No Leme (R$ 280), uma atendente informou que só seria possível realizar o teste em domicílio a partir do dia 5 de fevereiro, devido à alta na demanda. Após a publicação da reportagem, a assessoria de imprensa do laboratório procurou o CORREIO e informou que: "neste momento, todas as unidades estão realizando o RT-PCR para Covid-19 sem necessidade de agendamento. O teste também está disponível na modalidade de atendimento móvel, mas requer marcação prévia. O prazo para entrega do resultado do RT-PCR é de até 48 horas. O Leme reforça que todos os atendimentos realizados pelo plano de saúde dependem da autorização do convênio, exigência das próprias operadoras de saúde”.

A mãe de Luciana Santos, de 78 anos, começou apresentar os primeiros sintomas logo após a virada do ano. Luciana conta que a grande procura por testes fez com que a mãe só conseguisse realizar o RT-PCR no décimo dia de sintomas, no laboratório Leme e com aval do plano Sulamérica. “Isolamos ela logo no primeiro espirro e corpo mole e, felizmente, mais ninguém se contaminou”, diz. 

Os preços mais caros encontrados na pesquisa foram o do laboratório Sabin, R$ 355, e na Cárdio Pulmonar, R$ 320. O Laboratório Clab informou que os testes deste tipo estão indisponíveis porque os fornecedores estão com falta de insumos. Quem procura um resultado mais rápido na capital baiana, precisa estar disposto a pagar mais. O teste PCR Express fica pronto em uma ou duas horas e pode custar até 114% a mais que o teste comum.

O Laboratório do Futuro fornece o teste por R$ 350, enquanto que no Meddi o valor chega a R$ 400. No Sabin e na Cárdio Pulmonar o teste PCR Express pode ser encontrado por R$ 450, com o resultado em até duas horas. Os convênios não cobrem esse exame. Ana Julia Sobral enfrentou uma verdadeira empreitada para conseguir realizar um teste de detecção da covid-19. Para conseguir fazer a detecção pelo plano de saúde, procurou a emergência de um hospital no dia 19 deste mês. Com o pedido médico em mãos, todos os laboratórios procurados na pesquisa aceitam pelo menos algum convênio. 

“Eu cheguei no trabalho e passei muito mal, então minha gerente mandou eu ir para casa. Fui direto ao Hospital Aeroporto, que é o mais perto da minha casa que aceita meu plano. Não consegui nem entrar no estacionamento, porque o segurança disse que lá dentro estava lotado e o atendimento estava suspenso. Voltei para casa e tentei ligar duas vezes ao longo do dia, mas estavam sem atender”, conta.

Como estava com sintomas de covid-19 e precisava do resultado do teste para não ir trabalhar, Ana Julia acabou optando por pagar o exame no laboratório Linus Pauling. “Quando fui ao laboratório o PCR custava R$ 280, achei muito caro. Na hora procurei no Google e descobri que podia fazer o antígeno, aí fiz por R$ 140”, afirma. 

Ana Julia não conseguiu atendimento em hospital e precisou pagar para realizar o teste antígeno 

(Foto: Arquivo Pessoal)

Teste rápido de antígeno deve ser feito no primeiro dia de sintomas e é mais barato

O teste de antígeno detecta estruturas do vírus que fazem com que o corpo produza uma resposta imunológica contra ele (anticorpos). Diferentemente do RT PCR, o resultado fica pronto em minutos e, ao invés de detectar o material genético do vírus, ele identifica as proteínas do SARS-CoV-2. Apesar de ser mais em conta e achado em farmácias, o antígeno é menos sensível e é indicado para quem está com sintomas. 

“É útil na fase aguda da doença. Isto é, podem ser feitos em pacientes que iniciam os primeiros sintomas e, pela facilidade e custo, é um teste mais acessível e eficiente. Um resultado reagente no teste rápido precisa ser confirmado no exame laboratorial”, explica a farmacêutica especialista em farmácia clínica Maria Fernanda Barros. 

A farmacêutica também ressalta que nas farmácias estão disponíveis dois tipos de antígenos. O que colhe material do nariz é indicado para quem está a, pelo menos, com dois dias de sintomas. Enquanto que o oral deve ser feito para quem está entre o primeiro e o sétimo dia de suspeita. O preço, em Salvador, costuma sair por volta de R$ 100.

Como estava no início dos sintomas, Ana Julia optou pelo antígeno, que confirmou o resultado positivo. Nos laboratórios em Salvador, o teste rápido tipo antígeno é encontrado pode ser encontrado entre R$ 110 até R$ 200. O Delfin é, novamente, o que oferece o preço mais em conta e o Meddi o mais caro. O teste pode ser feito no Jaime Cerqueira (R$ 180), Lapchecap (R$ 175) e no Clab (R$ 190). 

Boa parte da família de Cristiane Fonseca, incluindo ela, o marido e os dois filhos, se contaminaram com a covid-19 no início deste mês. Todos estavam vacinados. “Resistimos bravamente durante muito tempo, mas acabamos com essa contaminação coletiva. Eu comecei a ter sintomas leves no mesmo dia que tomei a terceira dose e achei que pudesse ser da vacina”, conta. Das sete casas do seu condomínio, em pelo menos 5 haviam pessoas infectadas. 

Cristiane optou por fazer o teste de antígeno no Labchecap e desembolsou os R$ 175, ela diz que o resultado ficou pronto no mesmo dia. Sua irmã não teve a mesma sorte e esperou seis dias pelo resultado no Leme, que também foi positivo. O marido de Cristiane optou por fazer pelo plano e teve que ir atrás da requisição médica, acabou esperando oito horas na emergência do  Hospital Aeroporto para conseguir uma consulta. O CORREIO procurou o hospital para comentar os relatos de demora no atendimento, mas não retornou. 

Cristiane, os dois filhos e o marido testaram positivo para covid-19 este mês

(Foto: Arquivo Pessoal)

Já Ana Clara Bacellar realizou dois testes para covid-19 só neste mês. O primeiro foi o RT-PCR Express no Sabin e desembolsou R$ 360. “Fiz no dia 8 de janeiro. Queria um teste que saísse no mesmo dia e todos os outros tinham um prazo de até 24 horas úteis, mas como era sábado, o resultado só iria sair na segunda”, explica. Felizmente o resultado deu negativo. 

No dia 17 de janeiro ela voltou a apresentar sintomas gripais e, dessa vez, optou pelo antígeno viral no terceiro dia de sintomas. Dessa vez o resultado do exame que custou R$ 100 foi positivo e ela está em isolamento desde então. 

Sorológico 

Também conhecido como teste rápido e disponível em farmácias, o teste sorológico é feito com uma pequena amostra de sangue mas, diferentemente dos outros, não possui função de diagnóstico, segundo o Ministério da Saúde. Os resultados obtidos são os chamados IgM e IgG, defesas do organismo a um agente externo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) explica que o organismo demanda um tempo para a produção de anticorpos - janela imunológica - e, por isso, o teste deve ser feito a partir do oitavo dia de sintomas. Esse exame é importante para o mapeamento do status imunológico de uma população, que já tenha sido exposta ao vírus. 

O teste rápido mais em conta encontrado na pesquisa do CORREIO, foi o do Jaime Cerqueira, por R$ 100. O exame também pode ser feito no Labchecap (R$ 125), Sabin (R$ 150), Cárdio Pulmonar (R$ 200) e Laboratório do Futuro (R$ 330). 

Testes gratuitos 

A prefeitura de Salvador disponibiliza testes rápidos do tipo antígeno em 38 unidades de saúde espalhadas pela capital O resultado sai em até 45 minutos. Em caso positivo e se o paciente apresentar sintomas leves, ele é orientado a iniciar o isolamento domiciliar, podendo ser acompanhado remotamente pelo programa Salvador Protege, da Secretaria Municipal de Saúde.

Se o cidadão apresentar sintomas mais graves, poderá ser encaminhado para Unidades de Pronto Atendimento ou internamento hospitalar, dependendo do quadro. Para mais informações e locais onde os testes estão disponíveis, acesse saude.salvador.ba.gov.br.

Quando fazer cada um dos testes:

RT- PCR 

A partir do terceiro dia de sintomas

Não detecta contágios passados

É o mais confiável

Fica pronto em cerca de dois a três dias úteis

Pode custar entre R$ 210 e R$ 320


Antígeno 

Pode ser nasal (a partir do 2° dia de sintomas) e oral (entre o 1° e o 7°)

Não detecta contágios passados

Fica pronto em minutos

Pode custar entre R$ 110 e R$ 200


Sorológico (IgG e IgM)

Deve ser feito a partir do 8° dia de sintomas

Colhe amostra do sangue

Detecta anticorpos 

Custa por volta de R$ 100


Painel viral

Deve ser feito início dos sintomas

Detecta covid-19, influenza A e B e o vírus sincicial respiratório (VSR)

Custa entre R$ 273 e R$ 380

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro.

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