Uma terra que não foge à luta

artigo
01.07.2020, 18:00:00

Uma terra que não foge à luta


Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

- Meu filho, quando você nasceu a rua estava toda enfeitada de bandeirolas para a sua chegada.

Assim brincava minha mãe com o fato de que morávamos numa rua chamada 2 de Julho, numa cidadezinha do Recôncavo, quando ela me deu à luz no dia anterior às comemorações da Independência da Bahia.

Homônima de altiva data, a ruazinha expandia os folguedos juninos até o início de julho cheia de razão, e assim, com um dia de vida apenas, já me encontrava imerso no caldeirão de orgulho dos baianos, e ouvia – suponho - ecoar em loas e fogos de artifício, o brio de uma nação.

Com tal recepção e o suposto reforço do envolvimento nos festejos locais nos anos por vir, era de se esperar que fosse eu dos mais entusiastas pelo feito histórico dos nossos antepassados, e não menos de suas comemorações. Entretanto, quis o pregador oficial de peças da vida, a quem chamam destino, que nos mudássemos da cidade antes mesmo que me acendessem aprimeira velinha de bolo. Nem cheguei a saber se as bandeirolas eram em verde e amarelo, ou em azul, vermelho e branco.

Hoje, peripécias do destino devidamente subjugadas, e após décadas de verdadeiro fascínio ante a bravura de Maria Quitéria, Joana Angélica, Maria Felipa, do “Caboclo” e da “Cabocla”, dos soldados da Batalha de Pirajá, e mesmo do mercenário Labatut, pouco importam para mim as cores dos ornamentos que não cheguei a conferir. 

A menos que estas tivessem sido todas as cinco citadas, como a representar em lúdica e autêntica simbiose patriótica, a reconhecida libertação e independência do inteiro povo de um país, e não “apenas" de parte dele, muito embora esta parte - nossa valorosa Bahia que jamais fugirá à luta - seja de fato a deliciosa e incomparável síntese do que se convencionou chamar de povo.

Salve a Bahia! Salve o 2 de Julho!

*Ary Freire, que completa 56 anos neste 1º de julho, é servidor público estadual 

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas