'Vamos buscar uma vaga na Libertadores', diz Gregore em entrevista ao CORREIO

e.c. bahia
26.08.2019, 05:00:00
Atualizado: 26.08.2019, 11:14:00
Gregore é um dos destaques do time do Bahia (Marina Silva/ CORREIO)

'Vamos buscar uma vaga na Libertadores', diz Gregore em entrevista ao CORREIO

Volante tricolor também falou sobre o início da carreira, relação com a torcida e outros assuntos

Gregore desembarcou no Fazendão no início do ano passado e, em pouco tempo, conquistou o carinho do torcedor do Bahia com atuações marcadas por garra e eficiência na marcação. Com contrato até o final de 2021, o volante de 25 anos concedeu entrevista exclusiva ao CORREIO e falou sobre o início da carreira, sua vida pessoal e os objetivos que tem pelo tricolor. Confira: 


Você chegou ao Bahia como uma aposta no início de 2018, em pouco tempo virou titular e uma das referências da equipe. Foi surpreendente? 
Aconteceu tudo muito rápido. O pessoal me tratou muito bem aqui no Bahia, mas nunca me tratou como uma aposta. Eu sabia que estava vindo para ver como eu ia me adaptar jogando um Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, campeonatos maiores que eu não estava acostumado a jogar. Mas o pessoal aqui sempre me deu muita confiança. Um dia o Guto (Ferreira) me chamou e disse: ‘Olha, você está vindo de uma equipe menor, mas não é inferior a ninguém aqui. Você vai trabalhar pelo seu espaço e você vai ter se conquistar’. E aí foi muito rápido. Eu não imaginava jogar tanto o ano passado, a ficha só caiu mesmo quando parei no final do ano e olhei como tudo aconteceu. Hoje estou construindo essa história bonita aqui no clube. 

O torcedor do Bahia praticamente te idolatra, se identifica com a garra... 
É uma relação muito boa, de muito carinho. Fico muito feliz. Eu não via muito, dentro do campo, a gente fica viajando e não vê, mas este ano estou vendo mais. O carinho da torcida por mim é muito grande e eu tento retribuir isso da melhor forma possível dentro de campo. Não passa nada e nem pode (risos).

Já que puxou o assunto, como que surgiu esse seu slogan?
Foi uma frase que surgiu lá no início, eu e meu primo fomos postar uma coisa e usamos isso. Renê Júnior até usava isso também quando jogava aqui, mas aí pegou. Hoje onde eu vou o pessoal fica: ‘Não passa nada, não passa nada’. Os torcedores me mandam muitas fotos nas redes sociais, vão na loja, compram a camisa com a frase e mandam a foto. Quando o treino é aberto o pessoal vem com a camisa também. Eu fico muito feliz por esse carinho do pessoal e espero conquistar coisas grandes aqui no Bahia. 

No seu primeiro ano disputando o Brasileirão, você foi o jogador que mais desarmou no campeonato. Este ano, segue brigando no topo. Esperava essa ascensão rápida?
Este ano, antes de começar a temporada, eu sabia que ia ser um ano de confirmação do que eu fiz no ano passado. A minha temporada passada foi muito boa, eu consegui evoluir, e é o que procuro sempre. Eu tenho na minha cabeça que nada está bom, reconheço o que fiz, mas para mim eu sempre tenho que melhorar fisicamente, tecnicamente. Aprendendo com os treinadores para fazer um campeonato melhor do que eu fiz no ano passado. 

O seu desempenho vem sendo muito elogiado, a ponto de Roger Machado e Gilberto falarem em Seleção Brasileira. Você acha que se estivesse em um clube de São Paulo ou Rio de Janeiro já teria sido chamado por Tite?
Eu fiquei muito feliz quando vi Gilberto e Roger falando sobre isso, são duas pessoas que entendem. Gilberto já passou por grandes clubes, está fazendo história aqui no Bahia, e o Roger é muito inteligente, amigo do grupo. Eu acho que o meu momento na Seleção vai chegar. O pessoal fica falando disso de um clube maior, mas o Bahia é muito grande também. O pessoal que joga aqui está sendo visto também. Acredito que uma hora vai acontecer, essa ideia está amadurecendo. Ano passado eu via muita notícia, mas não me apego muito a isso de fora, outras equipes, especulações.

Onde acha que o Bahia pode chegar este ano no Campeonato Brasileiro?
A gente não pode chegar e afirmar que nós vamos ser campeões brasileiros... Nós sabemos da capacidade do elenco, queremos ser campeões, mas sabemos que é difícil. A nossa segunda ideia é que vamos buscar uma vaga na Libertadores. Esse segundo degrau que o pessoal fala é isso, é buscar coisas grandes. Uma gestão boa leva a isso, é o que está acontecendo aqui no Bahia, mas se não acontecer, vai ser contestado igual. Estamos trabalhando, evoluindo todos os dias para conquistar coisas grandes e subir esse degrau. 

Como é o ambiente hoje no Bahia e quais os jogadores mais gostam da zoeira?
Eu falo sempre que temos aqui no Bahia uma coisa que é até difícil ter em outros clubes. O clima aqui é muito bom para trabalhar, quem chega parece que tem muito tempo aqui já. Isso aconteceu comigo, também com os meninos que chegaram agora. Facilita para o cara desempenhar o futebol dele mais rápido, de forma natural. Ele se sente em casa. Entre os caras que mais fazem esse ambiente ficar leve tem Anderson, Gilberto, Fernandão, Lucas (Fonseca). Eles conduzem o dia a dia de uma maneira muito boa. 

Qual o seu momento mais marcante no Bahia?
Os dois títulos que eu conquistei aqui, os dois do Campeonato Baiano. O primeiro foi muito emocionante e o segundo parecia que era o primeiro. Mas pra mim todo jogo é importante. Quando eu sei que vou ser escalado fico em uma alegria muito grande, saber que vou jogar de novo. Ainda mais na Fonte Nova, um estádio que eu gosto muito, a atmosfera da torcida, é muito bonito. Acho que o próximo jogo é sempre o mais importante. 

E o mais frustrante?
O único momento mais frustrante aqui no clube foi a perda do título da Copa do Nordeste para o Sampaio Corrêa (em 2018). Nós tínhamos condições de vencer, mas acabamos perdendo. 

Qual foi o jogador mais chato que você já marcou?
Teve dois jogadores que eu achei bem chatos para marcar: Paquetá, quando jogava pelo Flamengo, e Dudu, do Palmeiras. Foram os dois mais chatos, pela habilidade. 

Como é você fora de campo? Se adaptou bem a Salvador?
Sou um cara bem tranquilo. Eu não conhecia o pagode baiano e quando tem alguns shows eu vou. Me adaptei muito bem à cidade, gostei muito de Salvador. Saio muito para comer, não sou muito fã de pimenta, mas o tempero baiano é bom. Eu procuro me sentir bem fora de campo para ficar bem dentro dele também.  

Como foi o início no futebol?
Em Juiz de Fora (MG), a minha cidade, eu sempre jogava muito na rua. Quando voltava da escola já começava a brincar, com a camisa da escola mesmo, a minha mãe ficava doida: ‘Pô, vai sujar, amanhã não tem uniforme, tem que lavar’, aquela loucura, mas sempre me incentivaram. Quando eu tinha 5 anos, um treinador chamado Gérson me chamou para fazer um teste no futsal do Sport, um clube lá de Juiz de Fora. Ele acabou me aprovando e eu comecei a minha trajetória no futsal. No Sport mesmo eu conquistei alguns títulos mineiros, a gente disputava muito campeonato no interior, e minha família sempre me apoiou muito em algumas dificuldades que eu passei. Eles sempre me deram muito respaldo para eu me levantar e chegar onde eu estou hoje. 

Nessa época você já pensava em ir para o futebol de campo?
Eu não pensava muito em ir para o campo porque era uma atmosfera muito boa no futsal. Mas com 11 anos eu fiz a transição para o campo, jogava de meia-atacante nessa época e passei pelos três clubes da cidade, o Sport, o Tupi e o Tupynambás, tudo de meia-atacante. Só quando cheguei no São José-SP passei a jogar de volante. Lá no São José eu comecei como meia, mas ajudava muito na marcação. Um dia um volante se machucou e o treinador virou pra mim: ‘Ó, estamos precisando de um segundo volante e você tem características. Dá para fazer?’ Eu disse sim, professor, vamos e tal. Joguei bem e nunca mais saí do time. Quando eu jogava de meia-atacante oscilava muito entre o time titular e o banco, mas como volante eu não saí mais da equipe. Aí foi despertando o interesse de outros treinadores e outras equipes também. 

E você fazia gols quando jogava de meia-atacante?
Eu jogava bem e fazia muitos gols (risos). Até brinco aqui com o pessoal aqui, me perguntam se eu não vou fazer gol pelo Bahia. Eu digo que estou passando por uma fase que não é de fazer gols, mas eu faço muitos gols.

Tinha algum jogador em que você se inspirava nessa época de meia-atacante?
Via muito Ronaldinho Gaúcho jogando, me inspirava na alegria dele. Na qualidade não, porque é muito difícil outra pessoa ter a qualidade dele. Ele foi único. Mas a alegria dele dentro de campo me cativava. Hoje, na minha posição, vejo Casemiro, o Jorginho, que está no Chelsea. Tem Felipe Melo também, que agora o pessoal diz que eu não posso falar mais porque é meu concorrente (risos), mas é um cara que eu acompanhava pela vontade, se entrega dentro do campo. 

E já como volante foi parar no time sub-23 do Santos...
Fui campeão da quarta divisão de São Paulo com o São Carlos e, em 2016, fui para o Santos. Comecei a treinar no time sub-23 e conversava muito com Cleiton Lima e Dorival Júnior, que eram os treinadores na época. Eles falavam para eu focar que teria oportunidade no profissional. Mas aí em 2016 tive uma lesão e fiquei boa parte do ano me recuperando. Em 2017 disputei o Brasileiro de Aspirantes, fui muito bem, o Santos foi vice-campeão, e eu estava para renovar lá, nem ia vir para cá. Mas como teve troca de diretoria, o novo grupo que entrou não estava batendo muito com as ideias do antigo, aí Diego (Cerri) entrou em contato e, já no final de 2017, eu recebi a notícia do interesse do Bahia. Eu via muito o Bahia na televisão, a força da torcida, e não pensei duas vezes: 'Vou embora, quero ir jogar lá', e acertei com o Bahia.


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