Vento é o culpado pelos dias mais frios no Inverno baiano

bahia
10.07.2019, 20:51:00
Atualizado: 16.07.2019, 15:51:59
A jovem aprendiz Tailane Barbosa saiu de casa preparada (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Vento é o culpado pelos dias mais frios no Inverno baiano

Menor temperatura do ano em Salvador, 21ºC, foi registrada no dia 8

É só o tempo escurecer um pouco, o vento começar a bater mais forte e os termômetros marcarem temperaturas um pouco mais baixas que os baianos tiram do armário casacos e jaquetas para receber o Inverno. Na última segunda-feira (08), quem estava em Salvador enfrentou o dia mais frio do ano até aqui. Os termômetros chegaram a marcar 21ºC, o que, para quem está acostumado com o calor da cidade, já é motivo suficiente para se encher de roupas. 

Apesar da sensação de frio estranha a quem sempre vive suando, o Inverno soteropolitano mantêm, segundo os meteorologistas, suas características de todos os anos: “Está tudo dentro da normalidade, uma massa de ar frio que chega sobre o país, provoca geadas no sul e sudeste e acaba interferindo aqui na Bahia também, principalmente na região da Chapada, que chega a 10 ou 11 graus”, explica a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Cláudia Valéria.

Em Salvador, a diferença de temperatura  entre as estações não é tão expressiva e gira em torno dos três pontos. Enquanto no inverno a temperatura mínima média é de 20ºC, nas outras estações do ano podem chegar a 23ºC  “As temperaturas não variam tanto nos locais em que tem muita umidade como é o caso daqui”, completa a meteorologista. 

Débora Sueli Martins (à direita), usa blusa de manga comprida, enquanto a filha, Luana Martins, não sente frio (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

O que acaba dando ao inverno de Salvador um aspecto mais rigoroso é o vento. Segundo informações do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), apesar da pouca variação, as temperaturas  mínimas experimentadas esse ano, como a de segunda-feira, tem estado um pouco mais baixas que o costume. Entre junho e julho a média histórica varia de 22,1ºC a 21,4ºC.

“Os índices ficaram abaixo da média histórica e da normalidade esperada, o que tem deixado o tempo mais frio. Tal condição é devido ao ventos úmidos vindos do mar que atuam com mais intensidade durante esta época”, explicou o órgão. 

Ainda segundo o Inema, nos próximos dias o tempo ainda deve permanecer “instável e com chuvas de intensidade fraca a moderada a qualquer hora do dia”, diz a nota. Para quem não gosta de frio, a previsão é desanimadora.“Eu tô aqui vestida com duas camisas, um casaco, na hora de dormir é com meia, calça, coberta. Parece que eu tô no interior”, conta a dona de casa Débora Martins, 44, que se agasalhou para passear com a filha no Centro da cidade.

“No começo do inverno ainda tava tranquilo, mas nesses últimos dias tá frio de verdade. Essa noite, inclusive, eu dormi sem ventilador, o que é raro”, diz o técnico em informática Wilson Prazeres, 35, que reclama do tempo frio até na hora de se locomover de moto.  

Existem aqueles, porém, para quem o Inverno não representa muitas mudanças. A filha de Débora, a esteticista Luana Martins, 21, já não se incomoda tanto quanto sua mãe. “Eu só sinto um pouco de frio na hora de dormir, durante o dia nem tanto, principalmente porque a gente caminha muito aqui. Acaba aquecendo”, explicou.

O estudante Janderson Santana, 20, concorda. Mesmo com o vento que soprava na Praça Municipal, o jovem seguia vestindo sua camisa regata. “Eu sou baiano, baiano sente é calor”, disse ele, sem parecer se incomodar com o clima.

Jovem aprendiz, Meireane Lins, 19, saiu 'cobertinha' (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Interior
Se quem está em Salvador já sente o efeito das temperaturas mais baixas, no interior do estado o frio é ainda mais acentuado. Segundo o Inmet, dentre as cidades monitoradas na Bahia, Vitória da Conquista, no sul do estado, Piatã, na região da Chapada Diamantina, e Santa Rita de Cássia, no oeste do estado, são os municípios onde as temperaturas mais baixas se repetem com recorrência. Santa Rita de Cássia, inclusive, registrou a menor temperatura do estado nos dias 25 e 26 de junho, quando os termômetros marcaram 9,7º.

Quem conhece bem o contraste entre capital e interior é a estudante Catarina Macedo, 21. Natural de Piatã, uma das campeãs de baixa temperatura, a jovem veio morar em Salvador para estudar e sente a diferença quando volta à terra natal para visitar a família. “Em Piatã é frio durante o dia inteiro e o que a gente mais sofre é com o vento constante. A cidade é muito alta e por isso os ventos são tão frios. Sinto muita diferença quando chego em Salvador,  porque o frio em Salvador não é tão doloroso quanto o de lá”, opina. 

Catarina conta que, em Piatã, o frio não dá trégua, mas que o clima tem seus pontos positivos. “É frio mesmo que o sol apareça. A água da torneira fica gelada, dificultando até lavar a mão e escovar os dentes, lavar louça. Nas casas mais tradicionais tem sempre um fogão a lenha acesso, e é muito bom ficar perto se aquecendo, o café quente fica ainda mais saboroso”, lembra. 

Agricultura
O café típico de Piatã, citado por Catarina, acaba chamando atenção para outro aspecto que pode sofrer influência do período mais frio: a agricultura. Segundo o engenheiro agrônomo Nilton Caldas, no caso baiano, a mudança no clima não gera grandes dificuldades na atividade dos agricultores.

“Aqui o inverno não prejudica de forma alguma. Isso é mais comum no sul do país onde os agricultores acabam experimentando geadas e precisam saber como lidar com isso. Na Bahia, o prejuízo pode ocorrer só quando ocorre um excesso ou uma falta de chuvas”, explica o profissional da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado (SDR).

Ainda segundo Nilton, o período do inverno e o início das chuvas colaboram para a implementação dos chamados plantios de cultivo permanente, quando as plantas demoram um tempo maior para completar seu desenvolvimento. “É o caso, na Bahia, do caju, do limão. São plantas fruteiras e aí depende de cada região”, detalha. 

Alessandra Carreiro apostou no look Inverno (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Cuidados 
Independente da resistência ao frio, que pode variar de pessoa para pessoa, a mudança de temperatura, e as chuvas que podem vir junto, acaba gerando um ambiente favorável à ocorrência de algumas doenças. “O clima frio e chuvoso acaba contribuindo para doenças infecciosas. As pessoas acabam ficando mais em ambientes fechados, e o risco de transmissão aumenta se tiver alguém doente no ambiente”, explica o médico infectologista e professor da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Robson Reis. 

Segundo o infectologista, as doenças mais comuns associadas ao frio são as infecções respiratórias, sejam as chamadas infecções de vias aéreas superiores como otite, sinusite, amigdalite, ou as de vias aéreas inferiores como, por exemplo, a bronquite e a pneumonia. 

Apesar da época propícia, o movimento nos postos de saúde de Salvador ainda não apresenta qualquer alteração ou intensificação nesse Inverno, segundo informou a Secretaria Municipal  de Saúde  (SMS)

Reis deu ao CORREIO dicas para se cuidar, e tentar evitar as doenças comuns nessa época. “No nosso dia a dia somos expostos a vírus, bactérias, fungos e muitas vezes não adoecemos porque o nosso sistema imune nos defende. Então, é importante manter o sistema imune em dia, se alimentar bem, se hidratar, repousar. Isso faz com que os nossos mecanismos de defesa nos protejam antes da doença, e se adoecermos, que eles ajudem na recuperação”, alerta. 

Saiba como se cuidar nos dias frios:

Confira as dicas do médico infectologista Robson Reis 

Mantenha o sistema imunológico forte - Garanta que você está se alimentando bem se hidratando, garantindo seus períodos de repouso e lazer.    

Prefira os ambientes arejados - Seja dentro de um ônibus ou no ambiente de trabalho, se possível abra janelas para o ar poder circular e diminuir o risco de contágio

Evite o contato com pessoas doentes - Evite contato com pessoas que você perceba que já estejam corizando, tossindo. Os vírus que causam as doenças entram pelas mucosas, pelas vias respiratórias. Um aperto de mão não passa a doença, mas o risco de após o contato com quem já esteja doente levar a mão à boca é grande; 

Atenção para as mãos - A higiene das mãos é muito importante. Lavar as mãos com água e sabão, ou andar sempre com álcool gel no bolso e limpar as mãos sempre são dicas importantes. Principalmente depois de sair de ambientes fechados como ônibus, ou de comprimentar alguém que possa estar doente;

Dobra do cotovelo - Se você já está doente repouso e hidratação é uma forma de se cuidar. E para evitar o contágio a outras pessoas, usar as dobras do cotovelo para cobrir a boca na hora de espirrar; 

Não se automedique - 80% das infecções são causadas por vírus e não bactérias, mas é comum as pessoas usarem antibióticos por achar que a doença foi causada por bactérias. É importante cuidar para não usar esses medicamentos sem necessidade; 

Tosse é defesa - Alguns pacientes costumam pedir remédio para a tosse, mas ela é um mecanismo de defesa do corpo. Então a grande maioria não precisa de remédio para cortar a tosse, e sim cuidar para a doença não evolua. Hidratação e elevar a cabeceira da cama são boas dicas para aliviar os efeitos da tosse.

*Com orientação do chefe de reportagem Jorge Gauthier 


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