Vitória respira menos no jogo do coronabol

paulo leandro
13.01.2021, 05:07:00

Vitória respira menos no jogo do coronabol


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A esfericidade da bola é o maior adversário do Vitória hoje, diante do Avaí, no estádio da Ressacada, em Florianópolis, rota de desespero do querido Decano, a cada rodada, com menor capacidade respiratória, diante da infecção do rebaixamento-19.

Dir-se-ia ser a redonda, ampliação do desenho do coronavírus, com todas aquelas pontas prontas a penetrar as células rubro-negras, inviabilizando a prática de um bom futebol, transformado em novo esporte, aproximando-se da “Cerei C”, como dizem os coirmãos.

Uma opção seria propor ao Avaí, aplicando-se a letra H à frente do nome (Havaí), a troca do esporte, substituindo-se o coronabol praticado pelo Vitória por surfe, uma vez terem as pranchas um traçado em linha reta bem distinto do letal vírus.

Outra oportunidade de sucesso, não fosse o Vitória estar entubado, seria propor boa bebedeira, daquelas de misturar o drink da fadinha com tequila, uísque caubói, 51 e todo o bar de Eloi do Alto da Estrela para ver quem recupera-se primeiro da ressacada.

Para salvar a pátria do crescente holocausto, liderado pelo presidente Coringa, visando a entrega do antigo Brasil a Israel e EUA, a filosofia civil (obrigado, professor Cris) ou de botequim, ensina-nos o elementar, meu caro Watson: fútilball são 11 contra 11.

Vamos lá, guerreiros rubro-negros, aritmeticamente somos todos iguais nesta noite, com trilha de Ivan Lins – para quem aprecia –, daí nenhuma necessidade de pessimismo schopenhauriano, pois se não há desejo de ficar na Série B, cair não será motivo de dor.

A compaixão, esta força imanente capaz de nos fazer compreender como parte de uma só natureza, talvez não seja atributo dos irmãos catarinenses, situados ali pelo meio da classificação, sem medo de descer, mas com chance de subir.

Outro dizer do cotidiano acende esse bom para o Vitória imaginar-se vencedor: “fútilball é uma caixinha de surpresas”; cabe aos apoiadores do holocausto, baseados em Santa Catarina, a oportunidade do gesto amável, ajudando o desenganado Decano.

Problema é a pontuação, pois o Avaí – um Leão melhor – está a apenas cinco do G-4 e não deixaria passar a boa oportunidade de avançar, recebendo a visita de um time instável cuja estranheza à bola faria de geometria, disciplina obrigatória.

Assim como no Lyceum de Platão – “aqui não entra quem não sabe geometria” – o sabido Gigante poderia mandar colocar uma placa no Barradão, ganhando um dinheiro da cervejaria, escrito: “aqui não entra quem não souber ser a bola redonda”.

Esta é uma situação típica da nostalgia de Gaguinho e Manoel Grosso – manifestado do caboclo Ubirajara – no sentido de arriarem os ebós necessários para fazer os rubro-negros ficarem de bem com os encantados das quatro linhas da encruzilhada verde.

Fútilball é motivo de muito mimimi, mas tem um aspecto da objetividade de algarismos incapaz de ser driblado: o resultado precisa ser obtido para o gestor considerar-se competente pois é a única forma de continuar mandando na obra em vez de fazê-la.

Mesmo àquele a quem todo rubro-negro deve a mudança de perfil do clube de sofridinho e roubado para vencedor e forte nacionalmente, tem de mostrar serviço em forma de classificação ou então, pode pegar seu bonezinho para repousar em Praia do Forte.    


Paulo Leandro é jornalista e professor Doutor em Cultura e Sociedade.

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