Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Maiara Baloni
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 10:02
O Carnaval de 2026 terminou, mas a disputa agora sai da Sapucaí e entra no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Acadêmicos de Niterói, com o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", virou o centro de uma tempestade jurídica.>
ACADEMICOS DE NITEROI
Partidos como Novo e PL acusam a escola de realizar propaganda eleitoral antecipada em rede nacional. O alvo é o uso de R$ 1 milhão em verba federal para o que chamam de "palanque de luxo" financiado pelo contribuinte. >
O deputado Kim Kataguiri (União-SP) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) encabeçam a ofensiva. Eles argumentam que exaltar o atual presidente com dinheiro público fere a isonomia das eleições 2026.>
A ministra do TSE, Estela Aranha, analisou pedido liminar apresentado pela oposição e decidiu não suspender o desfile antes do julgamento do mérito. Para ministros como André Mendonça e Villas Bôas Cueva, a análise sobre abuso de poder só deve ocorrer após o evento, respeitando a liberdade artística. >
O perigo mora nos detalhes técnicos do samba. Juristas como Alexandre Rollo apontam que trechos citando "13 dias" ou que emulam jingles petistas funcionam como pedidos de voto implícitos.>
Se o tribunal entender que esses elementos desequilibraram o jogo, a punição pode ser severa. O uso de símbolos partidários em eventos públicos é um terreno minado na Lei das Eleições. >
O TSE tem endurecido o jogo contra o uso político da folia. Um exemplo recente é o de Guilherme Boulos (PSOL), multado pelo TRE-SP após publicações no Carnaval de 2024 interpretadas como propaganda irregular.>
Precedentes mostram prefeitos perdendo mandatos por usarem jingles de campanha em trios elétricos. Se configurado abuso de poder político ou econômico em ação própria, a sanção pode incluir inelegibilidade de Lula por oito anos, conforme a Lei Complementar nº 64/1990. >
Além do risco político, a legislação prevê multa que pode variar de R$ 5 mil a R$ 25 mil ou alcançar valor equivalente ao benefício econômico obtido com a propaganda irregular, conforme decisão judicial. A oposição exige que custos sejam pagos pelo PT e pela escola de samba.>
Lula rebateu as críticas afirmando que não teve participação na organização técnica. "Eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo. Eu apenas sou homenageado", declarou o presidente, pontuando que vê a obra como um tributo à sua história e à sua mãe, Dona Lindu.>
O julgamento do mérito no TSE deve ocorrer nos próximos meses. Esse samba promete ser o primeiro grande teste da Justiça Eleitoral para o pleito de 2026. >