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Matheus Marques
Publicado em 19 de maio de 2026 às 13:00
O Distrito Federal encerrou o último ciclo estatístico com uma marca ambígua para a economia local. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a renda média do trabalhador no DF saltou para R$ 4,4 mil, o valor mais alto da série histórica e exatamente o dobro da média registrada no restante do Brasil (R$ 2,2 mil). >
No entanto, o indicador de bem-estar social não acompanhou o otimismo financeiro: a desigualdade de renda no DF aumentou, tornando-se a maior entre todas as unidades da federação.>
Racismo ambiental | Brasília
O aumento da desigualdade no DF é impulsionado por uma concentração de renda que desafia as políticas de transferência. O Índice de Gini da capital, que mede a disparidade social, reflete uma realidade onde os ganhos reais foram retidos pelos estratos mais altos da população. >
Esse movimento ocorre mesmo em um ano de alta na ocupação, sugerindo que as novas vagas geradas no mercado de trabalho brasiliense em 2025 concentraram-se em setores de alta remuneração ou que a valorização dos salários no topo superou, em larga escala, os ajustes na base.>
Para o setor produtivo, o cenário é de alerta. Uma economia com alta desigualdade tende a enfrentar limitações no consumo de massa e maior pressão por serviços públicos de assistência. >
O "gap" econômico entre as regiões administrativas e o centro político-administrativo cria ilhas de consumo de alto padrão cercadas por uma base populacional com baixo poder de compra. >
A sustentabilidade desse crescimento da renda média no longo prazo depende, agora, de reformas que permitam uma desconcentração da riqueza e a diversificação da matriz econômica do DF, para além do setor público.>