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Monique Lobo
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 19:58
Salvador recebe neste sábado (17), a primeira saída oficial do Bloco Alfabeta, iniciativa que reafirma o samba como território de diversidade a partir da perspectiva LGBTQIAPN+. O desfile, que começa às 15h, é aberto ao público. >
A concentração acontece na Rua do Meio, na região da Praça Brigadeiro Faria Rocha, de onde o cortejo segue em direção ao Largo da Mariquita. Após o desfile, a programação continua com a Festa da Apósteose, que será realizada na Casa Rosa, na Praça Colombo, das 18h às 23h. Os ingressos para a Apósteose custam R$ 50 (meia) e R$ 100 (inteira), e estão disponíveis para na plataforma Sympla. ( https://www.sympla.com.br/evento/festa-da-aposteose-2026-com-portella-acucar-e-casa-criola/3265302 )>
Com proposta de ocupação cultural e simbólica do espaço urbano, o Alfabeta nasce como um bloco feito para a comunidade LGBTQIAPN+, mas aberto a todos os públicos, unindo samba, cultura negra, diversidade corporal e acessibilidade.>
Samba e memória >
O Grupo Recreativo de Ocupação Lacrativa Alfabeta aposta no resgate de figuras históricas do samba cujas identidades foram silenciadas. O repertório e a narrativa do bloco dialogam com nomes como Ismael Silva, um dos fundadores da primeira escola de samba do Brasil, e o baiano Assis Valente, autor de clássicos como "Brasil Pandeiro" e "Camisa Listrada".>
Para Adriano Marques, idealizador do projeto, o Alfabeta é um bloco para todo mundo, mas feito por e para a comunidade LGBT+, para contar a história que o machismo e a LGBTfobia tentaram apagar.>
A estreia do bloco traz ainda o compromisso com a acessibilidade. O ator e modelo Maurício Rosário, artista surdo, será o porta-bandeiras do Alfabeta e também é o criador do sinal oficial do bloco em Libras. A comissão de frente contará com pessoas com deficiência auditiva, sob coreografia de Alisson George, mestre em Dança pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).>
A bateria do bloco também é inclusiva, com a presença de percussionistas com deficiência, e o repertório traz sambas que dialogam com dissidências sexuais e de gênero, além do samba-enredo autoral do Alfabeta.>