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Maysa Polcri
Publicado em 28 de agosto de 2025 às 18:59
Peças importadas pela empresa chinesa BYD estão retidas no porto de Salvador, o que tem prejudicado a montagem de carros elétricos em Camaçari. Cerca de 10 mil kits estão presos há pelo menos 10 dias no local. Os itens não foram liberados para a fábrica por questões burocráticas.>
Cada kit é utilizado na montagem de um único veículo, ou seja, 10 mil carros. De acordo com o secretário estadual Augusto Vasconcelos, titular da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), as peças estariam presas no porto da capital devido à necessidade de mudança do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) pela empresa, de Campinas, para Salvador.>
"Consideramos que uma solução será encontrada para resolver esse impasse, pois se refere a uma transferência de CNPJ da BYD Campinas para a BYD Salvador. De modo que a empresa consiga utilizar as cotas de importação visando o início da fabricação dos veículos", explica o secretário.>
Ainda segundo Augusto Vasconcelos, o governo estadual tem empenhado esforços para resolver o problema, que depende da esfera federal. "Nosso governo tem acompanhado a situação, e o governador Jerônimo Rodrigues tem envidado esforços, junto à Brasília, para que nós tenhamos uma rápida solução. Trata-se de uma questão administrativa", afirmou o secretário. >
A retenção no porto pode prejudicar o início da montagem dos carros na Bahia. Procurada, a BYD confirmou a retenção das peças.>
A reportagem apurou que a mudança de CNPJ, solicitada pela empresa, é motivada para que os kits não extrapolem a cota de importação estabelecida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O ministério teria respondido a solicitação da BYD com o CNPJ da empresa de Campinas, mesmo a solicitação tendo sido feita com os dados da fábrica na Bahia. >
Em junho, a BYD solicitou isenção de impostos para importar carros em lote de kits SKD (semi-desmontados). Neste mês, a pasta federal publicou a lista das 16 marcas que têm cota para importação de kits de carros desmontados no valor somado de R$ 2,6 bilhões. >
Na última sexta-feira (22), o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, teve um encontro, em Brasília, com o presidente da BYD Tyler Li. Também estiveram presentes o vice-presidente da BYD, Alexandre Baldy, o diretor de relações institucionais da empresa, Luiz Fernando Barbosa dos Santos, e Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços. >
A montadora chinesa BYD abriu as portas para mostrar, em julho deste ano, as atividades da sua nova fábrica de veículos híbridos e elétricos em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, com os primeiros carros montados no local. A planta ocupa o espaço onde antes funcionava o complexo da Ford e promete reposicionar o setor automotivo nacional em direção à eletrificação, mesmo sem produção nacional.>
BYD
A fábrica será, segundo a empresa, a maior da marca fora da Ásia voltada à produção de carros de passeio. Na primeira fase de operação, a expectativa é atingir uma capacidade de 150 mil veículos por ano. Esse número pode dobrar com a expansão prevista para as próximas etapas. A estrutura completa do projeto deve gerar até 20 mil postos de trabalho, somando vagas diretas e indiretas. >
Por enquanto, a montagem dos carros será feita no modelo SKD, em que os veículos chegam parcialmente montados da China e são finalizados no Brasil, sem fabricação local. São justamente essas peças que estão retidas no porto de Salvador. A reportagem entrou em contato com a Receita Federal que informou, que por questões de sigilo, não presta informações sobre importação de empresa específica. >