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Elaine Sanoli
Publicado em 28 de agosto de 2025 às 20:49
Ela viveu por cerca de 50 anos em condições análogas à escravidão em Itabuna, no Sul da Bahia. Além do ser submetida a maus-tratos, ser impossibilitada de sair de casa e ter sua pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) retirados mensalmente pelos patrões, a idosa resgatada na última segunda-feira (25) também foi separada do filho pouco tempo após o nascimento da criança. >
De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), responsável pelo resgate da mulher de 64 anos, ela começou a trabalhar com a família ainda na adolescência, quanto tinha apenas 14 anos. Quando se tornou adulta, ela foi "dada" para um vizinho da família, de quem engravidou. Os dois formalizaram um casamento, mas segundo o MPT, o relacionamento nunca chegou a ser assumido na prática. >
Idosa foi resgatada pelo MPT
Após o nascimento da criança, a mulher foi separada do filho. As autoridades que apuram o caso ainda não identificaram o destino do bebê, mas a principal linha de investigação indica que ele também foi "dado" pela família. "Pouco depois, com a morte do pai do bebê, a trabalhadora passou a ser beneficiária de uma pensão por morte de cônjuge. Esse dinheiro, depositado pelo INSS mensalmente há vários anos, nunca chegou às mãos dela, já que os empregadores se apropriavam do valor", informou o MPT.
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A mulher atuava como trabalhadora doméstica e morava com uma mesma família há mais de 50 anos. Antes de trabalhar com a atual empregadora e sua filha, ela trabalhou para a matriarca da família e foi passada como uma espécie de "herança".>
A trabalhadora era mantida em situação insalubre, sendo encontrada sem nenhum dente e sem tratamento de saúde adequado às suas necessidades. A mulher foi resgatada na última segunda-feira, mas ninguém foi preso. As empregadoras também não fecharam um acordo com o Ministério Público do Trabalho. Uma nova audiência será realizada nesta sexta-feira (29) entre o MPT e as duas mulheres que exploravam o trabalho da vítima.
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