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Carol Neves
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 11:10
Medicamentos usados no tratamento da obesidade e cada vez mais populares, como Ozempic e Mounjaro, costumam trazer resultados rápidos na perda de peso. Mas um estudo recente publicado pelo British Medical Journal (BMJ) faz um alerta importante: ao interromper o uso dessas drogas, a maioria das pessoas tende a recuperar os quilos perdidos em um período relativamente curto. >
De acordo com a pesquisa, após o fim do tratamento, a recuperação média é de 0,4 quilo por mês. Mantido esse ritmo, o peso corporal e indicadores ligados ao risco de diabetes e doenças cardiovasculares podem voltar aos níveis anteriores ao uso dos medicamentos em menos de dois anos.>
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Peso pode voltar depois da pausa no remédio>
O estudo analisou o impacto da interrupção de medicamentos usados para controle do peso, especialmente os chamados agonistas do receptor GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, amplamente prescritos no tratamento da obesidade.>
Segundo os pesquisadores, os dados mostram que o sucesso inicial dessas drogas não garante um controle duradouro do peso.>
“Essas evidências sugerem que, apesar do sucesso na obtenção de uma perda de peso inicial, esses medicamentos, por si só, podem não ser suficientes para o controle do peso a longo prazo”, afirmam os autores no comunicado divulgado pelo BMJ Group.>
Ganho acontece mais rápido do que com dieta>
Um dos pontos que mais chamam atenção no estudo é a comparação entre pessoas que emagreceram com medicamentos e aquelas que perderam peso por meio de mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos.>
Os dados indicam que o ganho de peso após a interrupção dos remédios acontece de forma quase quatro vezes mais rápida do que entre pessoas que emagreceram com programas baseados em dieta e atividade física, independentemente da quantidade de peso perdida durante o tratamento.>
Benefícios para a saúde também diminuem>
Além do peso corporal, os pesquisadores observaram que os ganhos para a saúde conquistados durante o tratamento também tendem a desaparecer com o tempo.>
O estudo projeta que “os marcadores de risco para diabetes e doenças cardíacas foram projetados para retornar aos níveis pré-tratamento em menos de dois anos”.>
Já indicadores cardiometabólicos, como colesterol e pressão arterial, podem voltar aos valores iniciais em cerca de 1,4 ano após a interrupção do uso das medicações, segundo as projeções apresentadas.>
Muita gente interrompe o tratamento cedo>
Outro dado relevante apontado pela pesquisa é a dificuldade de manter o tratamento por longos períodos. A estimativa é que cerca de metade das pessoas com obesidade interrompa o uso de medicamentos à base de GLP-1 em até 12 meses.>
Diante desse cenário, os autores ressaltam a importância de entender melhor os efeitos da suspensão dessas drogas.>
“Essas evidências alertam contra o uso de curto prazo de medicamentos para controle do peso, reforçam a necessidade de mais pesquisas sobre estratégias custo-efetivas para o controle do peso a longo prazo e reiteram a importância da prevenção primária”, conclui o estudo.>
Hábitos saudáveis seguem sendo fundamentais>
Em um editorial relacionado à pesquisa, a cientista Qi Sun, da Escola Médica de Harvard, reforça que esses medicamentos não devem ser vistos como solução definitiva para a obesidade.>
“Os achados do estudo colocam em dúvida a ideia de que os agonistas do receptor GLP-1 sejam uma cura perfeita para a obesidade”, afirma.>
Segundo a pesquisadora, mudanças no estilo de vida continuam sendo essenciais no tratamento.>
“Práticas alimentares saudáveis e mudanças no estilo de vida devem continuar sendo a base do tratamento e do manejo da obesidade, com os medicamentos utilizados como complemento. Essas práticas não apenas ajudam a prevenir o ganho excessivo de peso, como podem gerar inúmeros benefícios à saúde que vão além do controle do peso”, destaca Qi Sun, em nota.>
Como o estudo foi feito>
A análise reuniu 37 estudos, publicados até fevereiro de 2025, com 9.341 participantes. Em média, os tratamentos para perda de peso duraram 39 semanas, com acompanhamento posterior de 32 semanas após a interrupção do uso dos medicamentos.>
Os autores reconhecem limitações, como o número reduzido de estudos com as drogas mais recentes e o tempo curto de acompanhamento. Ainda assim, ressaltam que utilizaram três métodos de análise diferentes, todos com resultados semelhantes, o que aumenta a confiabilidade das conclusões.>