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Verão mais quente que o normal eleva risco de infecções de pele e acende alerta de especialistas

A previsão é que todo o mês de janeiro tenha temperaturas acima da média na Bahia; enquanto isso, aumentam casos de micoses,  celulites bacterianas e outras doenças

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 05:00

Verão mais quente que o normal eleva risco de infecções de pele e acende alerta de especialistas
Verão mais quente que o normal eleva risco de infecções de pele e acende alerta de especialistas Crédito: krukphoto.com/Freepik

Com uma previsão de um mês de janeiro com temperaturas acima da média e chuva abaixo dos índices históricos na Bahia, o verão deixou de ser apenas uma estação de festas e férias para ser também um momento de alerta. Devido ao calor intenso e à umidade na região, especialmente em Salvador, a expectativa dos profissionais de saúde é de um ambiente propício para o aumento das infecções de pele.

Entre as principais infecções que crescem nessa época do ano, estão as micoses, a foliculite (pequenas espinhas vermelhas que causam coceira ou dor), impetigo (feridas, bolhas e crostas amareladas) e celulite bacteriana (que atinge camadas profundas da pele e pode levar até à sepse). No verão, de acordo com relatos dos profissionais, a procura por atendimento dermatológicos chega a ser até 50% maior do que em outros períodos do ano, no Brasil.

Baiana de acarajé em Salvador por Fernando Barbosa/Ascom Ipac

Isso se deve a uma combinação de fatores que inclui a pele úmida, o suor acumulado, o uso prolongado de roupas molhadas e o contato com superfícies contaminadas, a exemplo de cadeiras de praia e academias. Esses aspectos podem ser responsáveis por proliferar fungos e bactérias, assim como roupas apertadas, que favorecem a obstrução dos poros, e os e tecidos sintéticos, que retêm o suor.

Mas, ao contrário do que muita gente pode pensar, não se pega micose na piscina ou na praia, como explica a médica dermatologista Clarissa Martinelli, professora da Afya Salvador. “Lesões de pele não são causadas pela piscina, mas, por exemplo, por um biquíni molhado. São fungos que gostam de lugares quentes, abafados. No verão, com o calor, a pessoa fica com aquela roupa úmida, o dia inteiro na praia. Assim como provoca candidíase, que as ginecologistas devem ver um aumento, a gente também vê (infecções) na pele”, diz.

Os fungos conhecidos como Candida se aproveitam de ambientes úmidos e quentes, a exemplo de regiões de axilas, virilha, locais de dobra na pele e a área embaixo das mamas. É o mesmo caso que acontece quando as pessoas não enxugam bem o espaço entre os dedos dos pés e começam a ter a famigerada ‘frieira’. Mas nada disso tem a ver com a água do mar ou da piscina.

Por vezes, esses fungos já fazem até parte do corpo da pessoa - por isso, são chamados de comensais. Eles estão na microbiota, mas, por alguma razão, se multiplicaram mais do que deveriam devido ao calor e à umidade.

“Outra coisa é o ‘pano branco’, que o pessoal acha que é micose de praia, mas é um fungo. Ninguém pega na praia. Ele está no próprio corpo, mas uma vez na praia, o restante do corpo pode ter se bronzeado ou ativado a melanina, mas ela não foi ativada onde o fungo estava e, por isso, ele ficou mais visível”, explica.

Salvador por Arisson Marinho/CORREIO

Prevenção

Brotoejas também são comuns no verão - e não apenas em crianças, já que adultos também podem apresentar essas erupções cutâneas devido aos poros obstruídos. Em qualquer que seja o quadro, a recomendação é buscar um médico dermatologista.

“Para muitas das doenças dermatológicas, a prevenção é o melhor remédio. Fazendo tudo direitinho, dá certo. Alguns pacientes falam: ‘mas, doutora, faço tudo, sou super higiênica’. Mas pode acontecer, porque existem fungos que a gente pega de animais e plantas”, pondera a professora da Afya Salvador.

Uma das melhores alternativas é usar roupas de algodão, que absorvem melhor o calor, e ficar em ambientes frescos. Roupas úmidas por muito tempo devem ser evitadas, assim como banhos muito quentes e demorados. Se houver um quadro de cândida ou de pano branco, a pessoa provavelmente vai ter que fazer um tratamento com antifúngico.

É importante também ter um cuidado especial com o couro cabeludo. “Uma vez que você raspa, tem pele ali. O certo é lavar o couro cabeludo todos os dias, principalmente no verão, que a gente sua mais. O couro cabeludo também tem um fungo, que é a caspa”, acrescenta Clarissa Martinelli.

Além disso, o protetor solar com fator de proteção adequado ao fototipo é indispensável. De acordo com a médica dermatologista Luana Vieira Mukamal, do Grupo Kora Saúde, aplicar o produto em quantidade suficiente e reaplicá-lo na pele a cada duas horas ou depois de mergulhos e sudorese excessiva, é fundamental para prevenir queimaduras e o surgimento de manchas. “As manchas que se intensificam após o verão, em muitos casos, estão relacionadas à exposição solar sem proteção adequada ou à falha na reaplicação do filtro”.

O surgimento ou a intensificação de manchas na pele, além da sensação de ardência, descamação e infecções são sinais comuns depois de períodos de exposição solar sem proteção adequada e outros descuidos típicos do verão, segundo a médica. A orientação é interromper os fatores de agressão e retomar a rotina básica de cuidados, a exemplo do uso correto do protetor solar e a higienização adequada da pele. Se os sintomas continuarem, a avaliação médica é essencial.

O calor não deve dar trégua ao longo de todo o mês, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão do órgão é de irregularidade na distribuição das chuvas no país em todo o mês. No caso da Bahia, assim como de estados como Maranhão e Pernambuco, menos chuva é esperada do que a média para o mês de janeiro.

Para completar, mesmo entre a expectativa de temperatura acima da média em todos os estados do Nordeste, a Bahia é um dos três destaques para o Inmet, ao lado do Piauí e do sul do Maranhão.