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Virou WAR: ‘Todos os exércitos para a Groenlândia’

A disputa geopolítica de Trump pela ilha estratégica, o interesse de Rússia e China e o risco real de escalada militar no Ártico

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 05:00

Após a captura de Nicolás Maduro, a Groenlândia se tornou o grande alvo de Trump Crédito: Pixabay

Toda essa movimentação do presidente Donald Trump em relação à Groenlândia só me lembra o WAR, lendário jogo de tabuleiro que animou do início da minha adolescência até os primeiros anos da juventude, quando precisei redirecionar o tempo para as coisas de adulto. No mundo pré-internet, os jogos de tabuleiro eram sempre uma ótima pedida para bons momentos de lazer.

Pois bem, quem gastou horas lançando a sorte nos dados, movimentando pinos, escolhendo cartas e secando os adversários no WAR, sabe muito bem porque Trump quer tanto a Groenlândia. No tabuleiro, a gigantesca ilha conecta a América do Norte à Europa. Sem contar que no jogo a ilha faz parte da América do Norte – seria uma profecia no estilo daquelas feitas pelos Simpsons?

O fato é que não foi a primeira vez que o norte-americano falou sobre a possibilidade de anexar a Groenlândia. O que parece ter mudado é que após a ação na Venezuela, ninguém mais duvida da possibilidade dele levar às últimas consequências os planos de tomar o território da Dinamarca, que também é alvo da cobiça da Rússia e da China.

No dia seguinte à captura de Maduro, Trump disse que precisa do território por uma questão de segurança nacional. Ele afirma repetidamente que a ilha está “coberta por navios russos e chineses por toda parte”. Antes, em seu primeiro mandato, já tinha mencionado diversas vezes o interesse em comprar a ilha, ainda que a mesma jamais tenha sido colocada à venda. Agora, o assunto rendeu e a imprensa pediu um posicionamento oficial da Casa Branca. A resposta: os EUA vão avaliar as opções e nem mesmo uma ação militar está descartada.

Hoje, grandes partes da ilha são fiscalizadas apenas pela Patrulha Sirius, uma unidade de operações especiais da Dinamarca que emprega principalmente trenós puxados por cães, diz reportagem da BBC.

Numa área de quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados – com cerca de 80% cobertos por gelo – a Groenlândia é o lar de 57 mil habitantes. A esta população os Estados Unidos estudam inclusive oferecer recursos financeiros em troca de um posicionamento favorável à anexação. As notícias mais recentes indicam o interesse de pagar entre US$ 10 mil e US$ 100 mil a cada morador da ilha. No cenário em que todos receberiam o valor máximo, a Groenlândia custaria menos de US$ 6 bilhões. Uma pechincha. Aqui para nós, é um valor bem menor do que os US$ 82 bilhões que a Netflix pretende pagar pela Warner.

Olhando por este lado, o jogo já começa a se parecer com um outro: é o bom e velho Banco Imobiliário, onde se compra barato para vender caro no futuro. Ou cobrar aluguel. E neste caso o presidente dos Estados Unidos domina o tabuleiro.

O jogo de Delcy

O jogo político não é mesmo para amadores. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, caiu mesmo nas graças do governo norte-americano. Depois das primeiras palavras exigindo uma prova de vida do seu antecessor, Nicolás Maduro, e o seu retorno ao país, fez em uma semana o que Donald Trump esperava que Maduro tivesse feito no decorrer do ano que se passou. Primeiro, mostrou que é capaz de organizar a casa internamente, evitando grandes manifestações ou grandes movimentos migratórios. Depois, fez um aceno à oposição, anunciando a libertação de presos políticos e, nesta sexta-feira, avisou que a Venezuela voltará a ter contatos diplomáticos formais com os Estados Unidos.

Antes mesmo de derrubar Maduro, Trump já via Delcy com bons olhos por conta do pragmatismo demonstrado por ela nas negociações para o retorno de Chevron à Venezuela. Vejam, enquanto Maduro estava gravando vídeos dançando ao som de uma batida eletrônica na televisão estatal, cantando repetidamente em inglês "No crazy war" (Sem guerras loucas), Delcy mostrava o seu cartão de visitas a Trump. Mas antes de prosseguir nesta linha de raciocínio, concluamos o parágrafo de Maduro. O ex-presidente recusou uma oferta dos Estados Unidos de retirada imediata do poder e um exílio na Turquia, onde viveria placidamente até o fim dos seus dias. Diz o The New York Times que duas coisas irritaram Trump: além de se irritar após Maduro apresentar uma contraposta de deixar o poder em três anos, o norte-americano teria perdido as estribeiras com as dancinhas. Trump chegou a dizer numa entrevista que o venezuelano tentava imitar ele, mas que não dançava tão bem.

Outro ponto a favor de Delcy eram as outras opções. Aparentemente, o presidente norte-americano não engole ter perdido o Nobel da Paz – se é que teve realmente algum tipo de chance – para a venezuelana María Corina Machado. Ao falar sobre ela, chegou a dizer que a líder da oposição a Maduro não teria o "respeito" necessário para liderar.

No meio disto tudo, a presidente interina segue demonstrando um enorme jogo de cintura. Só não pode cair na besteira de começar a fazer dancinhas, porque o antecessor já pagou caro por isso.

Desafio da acolhida

Vi uma entrevista com o governador de Roraima, em que ele falava sobre os desafios que o cenário de instabilidade provoca no estado brasileiro. Ele vê dois caminhos, o de uma transição tranquila, ou um cenário de conflito. No segundo caso, enxerga dificuldades para o estado que possui mais de 2 mil quilômetros de fronteiras com outros países. Enquanto pedia mais apoio federal para dar conta dos desafios que um possível aumento no fluxo migratório terá, ouviu de um repórter que trata-se de uma questão humanitária, o que é verdade. Mas o apelo que o governador faz é justo. Hoje, Roraima tem uma população de 700 mil pessoas, sendo 186 mil imigrantes venezuelanos. Apenas 6 mil deles estão abrigados.

A pizza do Pentágono

As redes sociais alimentam uma teoria curiosa a respeito da dinâmica no comércio de pizzas no entorno do Pentágono. A chamada "Pentagon Pizza Index" indica que quando os pedidos do lanche para o núcleo da máquina de guerra norte-americana aumentam, provavelmente algum grande evento geopolítico vai acontecer nas horas seguintes. Pois bem, nas primeiras horas do dia 3 de janeiro, os pedidos na unidade da Papa Johns mais próxima do Pentágono aumentaram 770%, de acordo com uma reportagem publicada no jornal O Globo.

meme da semana

Kim Jong-un não parece preocupado com possibilidade de um ataque Crédito: Reprodução 

Após a queda de Nicolás Maduro, o mundo quer saber que será o próximo alvo, mas aqui apontando quem não será: Kim Jong-un, da Coreia do Norte. Não parece uma decisão sábia mexer com quem tem um arsenal como o do norte-coreano

(Viu algum meme interessante? Encaminha para donaldson.gomes@redebahia.com.br)

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