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Maria Raquel Brito
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 05:00
Após dois anos em queda, o índice de informalidade voltou a crescer na Bahia e atingiu um recorde este ano. A cada 10 pessoas que começaram a trabalhar entre 2024 e 2025, oito estavam na informalidade, atuando sem carteira assinada ou registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). >
Os números fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram divulgados na última sexta-feira (20). >
Áreas com alto índice de informalidade
Isso representou uma adição de 172 mil pessoas na informalidade em um ano, fazendo com que esse grupo chegasse a 3,4 milhões em todo o estado. Assim, a taxa de informalidade na Bahia passou de 51,4% em 2024 para 52,8% em 2025 e subiu da sexta para terceira maior no país, só abaixo das registradas em Maranhão (58,7%) e Pará (58,5%).>
Em 2025, a taxa de desocupação na Bahia ficou em 8,7%, a mais baixa da série histórica do IBGE, que teve início em 2012. Ainda assim, porém, foi a segunda mais alta do país, empatada com a de Pernambuco, abaixo apenas da registrada no Piauí (9,3%) e bem maior do que a do Brasil como um todo (5,6%). De acordo com o IBGE, há na Bahia 621 mil pessoas em busca de trabalho. >
É o trabalho informal que lidera a ocupação no estado, sendo um dos fatores para o baixo rendimento mensal na Bahia, que é o segundo mais baixo do Brasil. Os trabalhadores baianos recebem habitualmente R$ 2.284 por mês, aponta o IBGE. Na edição anterior da pesquisa, entre 2024 e 2025, a Bahia tinha o terceiro menor valor. Em 2025, foi superada pelo Ceará (R$ 2.394) e caiu uma posição no ranking nacional dos rendimentos de trabalho, ficando acima apenas do Maranhão (R$ 2.228). >
A avaliação de informalidade do IBGE tem como critério a realização de algum trabalho remunerado na semana anterior à entrevista da pesquisa. >
Esse crescimento – a ponto da modalidade passar a puxar o mercado de trabalho baiano – acompanha preocupações. Mariana Viveiros, supervisora de Disseminação de Informações do IBGE, explica que a informalidade em si não é algo recente na Bahia e é comum que o índice fique acima de 50% no estado, mas o aumento traz riscos consideráveis. >
“Um é a vulnerabilidade, a precariedade desse posto de trabalho, porque são pessoas pessoas que não têm nenhum direito assegurado, não têm, às vezes, como parar de trabalhar, se precisam parar ficam com renda zero. Não têm nenhuma previdência, não estão pagando nenhum tipo de seguridade social que garantiria a elas uma licença por saúde ou garantiria a elas benefícios como férias. É como se elas nunca fossem poder parar de trabalhar, porque não têm ali a contribuição para uma eventual aposentadoria, pelo menos não no sentido formal”, afirma. >
O outro risco são as condições inferiores dos cargos. “É trabalho? É trabalho, é importante, traz renda, mas tem uma qualidade menor do que os postos de trabalho formais. E isso eu acho que mostra um pouco um desafio histórico do mercado de trabalho baiano, que não é apenas gerar vagas, mas gerar vagas com qualidade.”>
A adoção da informalidade é comumente relacionada à independência e ao empreendedorismo, mas é importante enxergar o caráter de necessidade que existe no crescimento dessa forma de trabalho. É o que explica Edval Landulfo, >
“Eu não gosto nem desse termo ‘empreendedorismo’, trabalhar por conta própria, por necessidade, eu acho que a gente deve começar a falar mais sobre isso do que empreendedorismo”, diz. “As pessoas não escolhem pela informalidade, elas são empurradas para ela.”>
No ano passado, na Bahia, o número de pessoas trabalhando cresceu em sete das 10 atividades econômicas, puxadas por informação e comunicação (+89 mil) e administração pública (+85 mil), que tiveram os maiores aumentos absolutos. >
O maior crescimento percentual, porém, foi do segmento de outros serviços. Entre 2024 e 2025, a atividade teve um aumento de 21,8% (ou mais 61 mil pessoas), chegando a 341 mil trabalhadores no estado.>
Entre os trabalhadores do estado, a maioria é formada por homens (seis em cada 10) na faixa de 40 a 59 anos (quatro em cada 10) e pessoas pardas (cerca de 54%), predominantemente com ensino médio completo (quatro em cada 10). >
O nível de escolaridade é um dos fatores principais para justificar a precariedade de grande parte dos cargos exercidos pelos baianos. “A gente tem esse mercado de trabalho que ainda precisa de mais robustez, de mais solidez. Embora a gente tenha resultados dos setores econômicos positivos, inclusive da indústria, a gente vê, por exemplo, um saldo negativo de trabalhadores na indústria que exige uma mão de obra mais qualificada e que tem um emprego de melhor qualidade normalmente”, diz Mariana Viveiros.>
Em 2025, a taxa de desocupação também caiu em Salvador (ficando em 8,9%), atingindo a menor da série histórica. O município deixou de ter a maior taxa entre as capitais, caindo para o 5º lugar. Também houve queda na Região Metropolitana (indo a 10,1% de desocupação), mas a RMS continuou com a maior desocupação entre as 21 regiões metropolitanas investigadas. >
No ano passado, o rendimento médio no município de Salvador foi de R$ 3.133, 10,7% maior que o de 2024, porém o segundo mais baixo entre as capitais. Na Região Metropolitana, o rendimento médio foi de R$ 2.945, 5,4% acima do valor de 2024, mas também o segundo menor entre as regiões metropolitanas.>