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Salvador registra 81 afogamentos em 13 dias de janeiro e acende alerta nas praias

Número supera em 138% todo o mês de janeiro de 2025

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 05:00

Salvamar alerta para o risco de descargas elétricas na praia durante chuvas intensas em Salvador
Verão traz risco de afogamentos Crédito: Bruno Concha/Secom PMS

Só nos primeiros 13 dias do ano, a Coordenadoria de Salvamento Marítimo (Salvamar), vinculada à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) registrou 81 afogamentos em Salvador. O número corresponde a um aumento de 138.2% em relação a todo o mês de janeiro de 2025, quando houve 34 ocorrências.

Dos afogamentos, um foi fatal e 80 não fatais. O caso fatal foi o de Matheus Victor de Souza, de 17 anos, no último domingo (11). Ele e um amigo entraram no mar na chamada “Praia do Cemitério”, em Jardim de Alah, durante um evento evangélico realizado nas proximidades, quando se afogaram. Um banhista tentou ajudar e também acabou se tornando vítima. O amigo e o banhista foram resgatados com vida no mesmo dia, mas Matheus ficou desaparecido por dois dias. O corpo do jovem foi encontrado na manhã desta terça-feira (13).

Praia de Itapuã por Amanda Oliveira

De acordo com Kailani Dantas, coordenador da Salvamar, esse período do ano tende a ser acompanhado por um crescimento nas ocorrências de afogamento. “Visto que as faculdades e colégios estão de férias e Salvador recebe turistas demais. A praia é um dos lugares que mais atraem essas pessoas”, diz. “A gente teve uma onda de calor muito grande recentemente aqui em Salvador, que acabou levando mais pessoas às praias em momentos em que o mar realmente estava perigoso.”

Ele explica ainda que quanto maior a ondulação das praias, mais perigosas elas são. “São praias que acabam tendo uma energia de ondas muito mais fortes e, consequentemente, mais corrente de retorno”, afirma.

Entre as praias mais perigosas da cidade, ele destaca quatro que seguem esse padrão: Piatã, Jaguaribe, Stella Maris e Praia do Flamengo, que lideraram as ocorrências em 2025.

O cenário de afogamentos se repete Brasil afora neste início de ano. No litoral paulista, foram registradas 19 mortes por afogamento só nos primeiros 11 dias de janeiro. Em Alagoas, o Corpo de Bombeiros registrou 36 ocorrências entre o dia 1º e o dia 5 deste mês. O mesmo número foi registrado no Rio Grande do Norte entre o dia 1º e o dia 4.

Para evitar esses incidentes, existe uma série de pontos de atenção indicados por especialistas. As recomendações do Corpo de Bombeiros da Bahia (CBM-BA) e da Salvamar vão da escolha de lugares guarnecidos com agentes salva-vidas à utilização de coletes apropriados em vez de boias, que costumam apresentar uma falsa sensação de segurança.

“Água acima do umbigo é, de fato, sinal de perigo. As pessoas devem tomar banho numa profundidade que seja realmente segura, ficar sempre atentas a sinalizações de perigo e se atentar com idosos e crianças, pois esses podem acabar se perdendo ou se machucando em pedras”, afirma Kailani Dantas, coordenador da Salvamar. Em relação às crianças, a orientação dos especialistas é que fiquem, no máximo, um braço de distância do adulto responsável, seja nas praias, em rios ou piscinas.