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Às vésperas da inauguração, nova rodoviária de Salvador gera incertezas entre lojistas

Inauguração está prevista para o próximo dia 20

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 21:29

Joá Souza/GOVBA
Joá Souza/GOVBA Crédito: Joá Souza/GOVBA

Depois de mais de três anos de atraso, o novo Terminal Rodoviário de Salvador, em Águas Claras, começará a funcionar na próxima terça-feira (20). Faltando uma semana para o início das atividades, muitos permissionários da rodoviária atual, na Avenida ACM, relatam incertezas em relação à migração de suas lojas ou quiosques para a nova estrutura.

A preocupação aumenta diante do cronograma definido pelo governo do estado, já que o terminal de Pernambués será oficialmente desativado às 23h59 do dia 19 de janeiro, poucas horas antes da inauguração da nova rodoviária.

Entrega de chaves da Nova Rodoviária aconteceu nesta segunda (12) por Arisson Marinho/CORREIO

Josenildes Correia, que tem duas lojas de eletrônicos na rodoviária da Avenida ACM há 25 anos, conta estar enfrentando dores de cabeça para concluir a transição.

Desde que o processo de mudança do terminal teve início, ela vem preparando o projeto de seu estabelecimento para avaliação. Diz já ter gastado quase R$ 20 mil com arquitetos e engenheiros civis e elétricos. O problema é que ainda não teve retorno do comitê avaliador.

“A gente vai mandando os projetos, vai avaliando, se não passa pelo pela avaliação, retorna. Os engenheiros e arquitetos refazem e aí tem esse processo”, diz. “Está sendo difícil, porque até o momento a gente não está com nossa loja pronta, vamos entrar em processo de construção e temos que entregar os projetos. A nossa loja ainda não está pronta. Então, a nossa preocupação é como manter os oito funcionários que temos. Nesse período de início da rodoviária, a gente vai ficar com a nossa loja fechada, sem estar lucrando nada, tendo gastos com a construção, mas sem lucro”, emenda.

Alguns estabelecimentos à frente, a situação é similar. A vendedora Thaís Souza, que trabalha numa loja de souvenirs, já sabe há um bom tempo que seu local de trabalho passaria de Pernambués para Águas Claras. O que ainda não sabe é quando isso vai acontecer.

“Já está com ponto certo, agora o dia mesmo ainda não passaram pra gente. Eu fico ansiosa para saber como vai ser essa transição. Eu quero que seja rápido”, conta.

De acordo com Eduardo Pedreira, presidente da Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico (Sinart), concessionária da rodoviária, a empresa está em constante diálogo com os lojistas. Ele afirma que a maioria dos lojistas do terminal atual farão a migração e que, para isso, é necessário que os donos desenvolvam projetos para análise de um comitê.

“Pelas certificações internacionais que a gente tem, a gente criou um comitê, o que é exigência internacional. E esse comitê aprova todas as lojas, todas as construções que são feitas nas lojas. Então, por exemplo, se você quer fazer uma construção dentro da sua loja, não me compete julgar a qualidade do material que vai colocar, se vai colocar branco, preto, verde, amarelo e tudo mais. Agora, você tem que estar cumprindo as normas locais brasileiras. Então, a gente só libera a construção quando todos os projetos estão aprovados”, diz.

A fala aconteceu durante a entrega das chaves do novo Terminal Rodoviário de Salvador ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), na manhã desta segunda-feira (12).

De acordo com Pedreira, os lojistas enviam os projetos para os avaliadores, recebem a devolutiva do grupo, com críticas e pedidos de adaptação, e fazem as mudanças. “E muitos não fizeram nada, não acreditaram que seria feita essa mudança tão rápido ou deixaram para lá, e outros sim. Outros até já estão instalados aqui. Você tem o McDonald’s, por exemplo, você tem aqui Subway, Giraffas, tem Bob’s, todos esses já estão instalados aqui”.

Nova rodoviária

A entrega das chaves nesta segunda-feira contou com uma visita técnica ao novo equipamento. Os ônibus que tiverem na estrada em direção a Salvador, a partir da 0h da próxima terça-feira, já devem se direcionar para o novo terminal.

A nova rodoviária ocupa uma área total de 127 mil metros quadrados, com 41 mil metros quadrados de área construída. O complexo dispõe de estacionamento com capacidade para mais de 700 veículos, mais de 230 espaços comerciais, praça de alimentação, clínicas e uma unidade do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC).

Localizado às margens da BR-324, o equipamento conta com mais de 370 linhas de ônibus urbanos, metropolitanos e intermunicipais. O terminal também estará integrado à Estação Águas Claras do Metrô e, futuramente, ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

A construção da nova rodoviária começou em 2021. Porém, sucessivos atrasos foram anunciados ao longo dos últimos anos. No início de 2025, o Conselho de Administração do Consórcio Terminal Rodoviário de Salvador informou que a inauguração aconteceria em 7 de outubro daquele mesmo ano, o que não ocorreu.

No início de outubro de 2025, a Secretaria da Casa Civil da Bahia afirmou que a conclusão da obra só deveria acontecer em dezembro, mais uma vez sem sucesso. Depois, a previsão foi de que a conclusão ocorreria em janeiro de 2026.

Promessa antiga desde o governo Rui Costa (PT), a construção tinha previsão de ser concluída em 2023. Jerônimo chegou a dizer que a obra “deu tranco”, no final de 2023. Já, no começo de 2025, afirmou que já estava “impaciente” com o atraso da obra milionária.

De acordo com a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), o custo foi de R$ 200 milhões em contrato firmado em 2019, ainda no governo de Rui Costa.

No entanto, Eduardo Pedreira, que também preside o Conselho de Administração do Consórcio Terminal Rodoviário de Salvador, projetou novos gastos entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões para o fim da obra.

Sobre o que vai acontecer com a rodoviária da ACM, o secretário da Casa Civil da Bahia, Afonso Florence (PT), declarou que há estudos em curso, mas o destino ainda é incerto. “Estamos prestes a ter uma posição definitiva da destinação da área”, afirmou, sem dar maiores detalhes.