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Vigilantes e técnicos: como funcionários do Porto de Salvador facilitavam tráfico para Europa

Investigação apontou que funcionários inseriam droga em cargas já escaneadas

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 5 de março de 2026 às 11:34

Tráfico acontecia no Porto de Salvador Crédito: Marina Silva/Arquivo CORREIO

A condenação dos sete funcionários ligados à estrutura do Porto de Salvador revela o papel estratégico que trabalhadores com acesso a áreas sensíveis do terminal tiveram para viabilizar o envio de cocaína à Europa. Segundo a sentença da Justiça Federal, vigilantes e técnicos portuários atuavam diretamente para garantir que a droga fosse inserida em contêineres sem levantar suspeitas, aproveitando a rotina operacional do porto.

Entre os condenados estão vigilantes responsáveis por facilitar a entrada da cocaína no terminal. De acordo com a investigação, eles simulavam procedimentos de inspeção ou deixavam de realizar verificações completas, abrindo caminho para que outros integrantes do grupo acessassem as áreas internas com a droga.

Já os técnicos portuários tinham uma função considerada crucial no esquema. Com acesso às zonas restritas do terminal, eles eram responsáveis por inserir fisicamente os entorpecentes dentro de contêineres que já haviam passado pelo sistema de escaneamento e estavam prontos para embarque. Essa etapa era vista como a mais segura pelos criminosos, justamente porque as cargas já haviam sido liberadas para seguir viagem.

Investigação apreendeu quase duas toneladas de droga por Reprodução

A estrutura criminosa também contava com integrantes encarregados de levantar informações sigilosas sobre cargas e rotas comerciais. Esses envolvidos monitoravam os destinos dos contêineres e indicavam quais seriam mais adequados para a chamada “contaminação”, termo usado para descrever a colocação da droga dentro das cargas legais.

Segundo a decisão judicial, parte do grupo também participava diretamente da colocação da cocaína nos contêineres, inclusive entrando de forma irregular na área portuária para executar a operação. Essa divisão de tarefas permitia que a organização mantivesse uma atuação estável e reduzisse o risco de detecção pelas autoridades.

A investigação apontou ainda que o esquema não se limitava ao porto. A droga era armazenada e preparada em outros pontos de Salvador antes de ser levada ao terminal, incluindo um galpão no bairro de Pirajá, onde mais de uma tonelada de cocaína foi apreendida durante as apurações.

Tags:

Tráfico Internacional Porto de Salvador Esquema Milionário