Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Wendel de Novais
Publicado em 5 de março de 2026 às 10:20
Sete funcionários ligados à estrutura portuária de Salvador foram condenados pela Justiça Federal por participação em um esquema de tráfico internacional de drogas que utilizava contêineres para enviar cocaína à Europa. As penas aplicadas variam entre 13 e 18 anos e seis meses de prisão, todas em regime inicial fechado. De acordo com a decisão judicial, os réus integravam duas organizações criminosas que atuavam dentro e fora do terminal portuário, utilizando funções estratégicas para inserir a droga em cargas que seriam embarcadas para o exterior. >
Os integrantes do Grupo I foram condenados por participação em organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas. Entre eles estão vigilantes responsáveis por facilitar a entrada da cocaína no terminal, muitas vezes simulando procedimentos de inspeção. Também foram condenados técnicos portuários que utilizavam o acesso às áreas restritas para colocar a droga dentro dos contêineres depois que as cargas já haviam passado pelo scanner e estavam prontas para embarque rumo à Europa.>
Tráfico acontecia no Porto de Salvador
Já os integrantes do Grupo II responderam por tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico. A apuração apontou que esses investigados forneciam dados sigilosos sobre cargas e destinos, selecionavam contêineres específicos para a chamada "contaminação" e participavam diretamente da colocação da cocaína nas cargas, inclusive acessando irregularmente a área portuária. >
Além das atividades dentro do porto, o grupo mantinha uma estrutura logística em outros pontos da capital baiana. Um dos locais utilizados era um galpão no bairro de Pirajá, onde foram apreendidos 1.341 quilos de cocaína que seriam posteriormente transportados até o terminal para envio ao exterior. >
A decisão também reconheceu a prática de lavagem de dinheiro. Segundo a Justiça, os investigados utilizavam empresas e pessoas interpostas para ocultar valores obtidos com o tráfico internacional de drogas. A investigação reuniu um amplo conjunto de provas, incluindo imagens de câmeras de segurança, interceptações telefônicas, relatórios de inteligência, vigilância presencial e perícias realizadas em aparelhos celulares. >
O material permitiu mapear o funcionamento da estrutura criminosa e a função exercida por cada integrante. As penas aplicadas aos vigilantes e técnicos portuários variam entre 13 e 15 anos de prisão. Outros integrantes do grupo receberam condenações que chegam a 18 anos e seis meses de reclusão. Um dos acusados acabou absolvido por falta de provas suficientes. >
Segundo o Ministério Público Federal, a condenação desmonta uma estrutura sofisticada usada para o envio de entorpecentes ao exterior e evidencia a importância de ações coordenadas para combater o crime organizado transnacional, especialmente na logística utilizada para transporte de drogas e movimentação financeira dessas organizações. >
A investigação que resultou nas condenações foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, no âmbito da Operação Descontaminação. >