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Carol Neves
Publicado em 7 de fevereiro de 2026 às 10:33
Desde 2018, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu 225 notificações de pancreatite e seis mortes suspeitas associadas ao uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil. Os dados constam no sistema oficial VigiMed e incluem registros feitos após a comercialização e também durante estudos clínicos. As informações foram divulgadas pelo G1.>
As notificações envolvem medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, como semaglutida, liraglutida, tirzepatida, dulaglutida e lixisenatida, usados no tratamento de diabetes e obesidade. Os casos ocorreram principalmente em São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal, mas não foi divulgado onde aconteceram as mortes.>
A Anvisa destaca que os episódios ainda são considerados suspeitos, pois dependem de análise técnica para confirmação. Além disso, especialistas alertam que o total pode ser maior, já que a notificação não é obrigatória para médicos e hospitais.>
Roubos de canetas injetáveis acendem alerta em Salvador
O tema ganhou repercussão internacional após alerta emitido no Reino Unido, onde foram registradas 19 mortes ligadas a casos semelhantes. No cenário mundial, há 14.530 notificações de pancreatite e 378 mortes relacionadas a esses medicamentos.>
Mesmo com os registros, autoridades e médicos afirmam que não há recomendação para interromper o tratamento, desde que o uso ocorra com prescrição e acompanhamento médico. A Anvisa reforça que monitora os casos e, desde abril de 2025, exige retenção de receita médica para a venda desses medicamentos. Novas medidas podem ser adotadas se outros riscos forem identificados. >
Especialistas também apontam preocupação com o uso de produtos manipulados ou adquiridos ilegalmente, já que nesses casos não há controle de dose nem acompanhamento clínico, aumentando o risco de complicações.>
As fabricantes Eli Lilly e Novo Nordisk afirmam que a pancreatite já é descrita como possível reação adversa nas bulas e orientam pacientes a procurar atendimento e interromper o tratamento em caso de sintomas suspeitos.>