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Ozempic só no shopping: canetas emagrecedoras somem das farmácias de bairro em Salvador

Farmácias alegam insegurança após roubos como justificativa para restrição de vendas

  • Foto do(a) author(a) Larissa Almeida
  • Larissa Almeida

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 05:00

Mais de 20 farmácias soteropolitanas foram roubadas em quatro meses
Mais de 20 farmácias soteropolitanas foram roubadas em quatro meses Crédito: Shutterstock

Clientes que estão indo até as unidades de duas grandes redes de farmácias em busca das canetas emagrecedoras estão voltando com as mãos vazias nos bairros de Salvador. Há pelo menos dois meses, quem vai até o balcão solicitar Ozempic, Mounjaro ou similares tem encontrado uma orientação no lugar dos injetáveis: comprar online ou ir ao shopping. A medida, de acordo com atendentes dos estabelecimentos, é uma precaução contra assaltos.

A restrição das vendas pegou de surpresa o empresário Fernando Neto, de 37 anos, que faz uso de Ozempic há um ano. “Costumava comprar em uma farmácia no Rio Vermelho, mas na última vez que comprei lá precisei retirar no Shopping Barra. Eles informaram que [a mudança] foi devido a roubos e assaltos nas lojas. Com isso, acabou aumentando o custo para mim, porque a farmácia era a 100 metros da minha casa. O shopping está a uma distância bem maior”, contou.

A reportagem entrou em contato com farmácias da rede Drogasil, Drogaria São Paulo e Pague Menos, que são três dos estabelecimentos com maior disseminação em Salvador. Em Stella Maris, uma atendente da Drogasil disse que a unidade não comercializa mais o medicamento.

Farmácias de bairro redirecionam compra de canetas emagrecedoras para shoppings por Captura de tela/CORREIO

“Há dois meses, por norma da empresa, as canetas emagrecedoras passaram a ser levadas para os shoppings por uma questão de segurança. Na unidade de Stella Maris, não temos mais nenhuma medicação. As que tinham aqui já foram vendidas", afirmou, via telefone.

Em uma das unidades da Drogaria São Paulo, localizada na Pituba, a resposta foi similar. “Todos esses medicamentos de canetinhas emagrecedoras só estão sendo comercializados agora em lojas de shopping por conta desses recentes casos de roubo. Nas farmácias da rede, a medida está valendo desde o início do ano”, informou o atendente.

Nos contatos realizados por mensagem, quatro unidades da Drogasil situadas na Federação, Graça, Caminho das Árvores e Itapuã também afirmaram não haver, nas lojas físicas, a venda de canetas emagrecedoras. “Em loja de bairro não vendemos mais canetas emagrecedoras, só em lojas de shopping. Em todas as nossas unidades não chega mais”, pontuou a atendente da unidade do Caminho das Árvores. Quando questionada sobre a razão, ela resumiu: “Precaução”.

Já na unidade da Drogaria São Paulo no bairro de Piatã, a atendente contou que Mounjaro só é vendido para entrega ou retirada em poucas lojas. Quando indagada sobre a possibilidade de retirada na unidade, ela respondeu que não seria possível, uma vez que a indicação estava sendo para retirada no Shopping Paralela. A única outra forma seria o delivery.

Em contato com a Pague Menos, a reportagem recebeu a informação de que as vendas na unidade continuam sem restrições. No entanto, ao solicitar a medicação, a central só redireciona para entrega em domicílio, sem a indicar as unidades disponíveis para compra nas lojas físicas.

O que motivou a restrição das vendas?

A restrição das vendas das canetas emagrecedoras é uma resposta a onda de roubos e assaltos ocorridos nos bairros nobres de Salvador, que tinham como alvo os injetáveis. Somente no ano passado, pelo menos 230 ocorrências foram registradas de janeiro a novembro. Desse total, os dados mais recentes da Polícia Civil, que vão até setembro, dão conta de 209 casos. Outros 22 foram acompanhados pelo Sindicato dos Farmacêuticos no Estado da Bahia (Sindifarma) até novembro.

Nesse período de alta de ocorrências, as farmácias já estavam tomando medidas para reforçar a segurança, que incluíam desde a indicação de venda online até uma escolta feita por funcionários nas lojas físicas. Uma reportagem do CORREIO trouxe, no final de novembro, o relato do gerente de uma farmácia na Graça, que detalhou as estratégias para evitar roubos.

“Estamos deixando uma quantidade menor de canetas emagrecedoras em relação a lojas de shoppings, que têm uma segurança maior. Também passamos a colocar os meninos que trabalham aqui para atuar como fiscal. Eles ficam de olho no movimento e nós sempre acompanhamos os clientes até o caixa por conta desses casos que tem acontecido”, narrou, à época, o homem que não quis se identificar.

Segundo Gibran Sousa, diretor da Sindifarma, a quantidade de ocorrências diminuiu desde o final do ano passado devido a ação policial. “Houve uma ação grande junto com a Polícia Civil, que descobriu alguns influencers baianos envolvidos na receptação e algumas clínicas que estavam fazendo o fracionamento indevido”, falou.

A ação em questão foi a Operação Mirakel que, no dia 14 de janeiro deste ano, prendeu duas influenciadoras digitais que são suspeitas de integrar um esquema criminoso de roubo e revenda ilegal de canetas emagrecedoras em Salvador. As investigadas foram identificadas como Claudiana Rocha, que soma mais de sete mil seguidores nas redes sociais, e Lai Santiago, que acumula mais de 110 mil seguidores em uma rede social.

Conforme a delegada do caso Mariana Ouais, titular da 14ª Delegacia Territorial (DT/Barra), Claudiana Rocha receitava as canetas emagrecedoras roubadas para pacientes da sua clínica. Os produtos eram fracionados e aplicados nos pacientes, oferecendo risco à saúde. Já Lai Santiago ficava responsável pela receptação dos medicamentos.

A Polícia Civil foi procurada para informar o número atualizado de ocorrências e confirmar se houve ou não a diminuição de casos desde o fim do ano passado, mas não retornou.

Dificuldade de acesso

A concentração da venda das canetas emagrecedoras no shopping e no e-commerce já estavam sendo cogitadas desde o período da alta de roubos e assaltos nos estabelecimentos físicos, segundo Gibran Sousa. O diretor da Sindifarma, no entanto, afirma desconhecer a adoção oficial dessas medidas.

“Não estávamos cientes da determinação de venda exclusiva de shoppings. Se isso de fato acontece, é uma notícia triste que prejudica o acesso da população a um medicamento, gerando a necessidade do deslocamento a um shopping”, ressaltou.

Para Edson Piaggio, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) na Bahia, a concentração da venda das canetas mostra que os shoppings continuam sendo referência de segurança. Segundo ele, desde então, os dispositivos de segurança têm sido reforçados.

“Os shoppings estão mantendo a sua presença através de seguranças normalmente, mas estão colocando mais câmeras no entorno das farmácias. Cada um está trabalhando com isso de acordo sua estratégia”, disse.

A reportagem procurou o Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia (CRF-BA) para se posicionar, mas não obteve resposta. A Drogasil e a Drogaria São Paulo também foram contatadas para emitir posicionamento sobre o assunto, mas não também não retornou. O espaço segue aberto.

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Bahia Salvador Ozempic Mounjaro Caneta Emagrecedora Insegurança Farmácia Canetas Emagrecedoras