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Carol Neves
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 13:24
Declarações da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) sobre um possível envolvimento de igrejas evangélicas em fraudes contra aposentados do INSS provocaram forte reação do pastor Silas Malafaia nesta quarta-feira (14). Ele cobrou que a parlamentar apresente nomes e provas das acusações. >
Em entrevista ao SBT News, Damares afirmou que investigações identificaram a presença de instituições religiosas e líderes conhecidos em esquemas que teriam lesado beneficiários da Previdência. “Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. Há pastores que pedem para não investigar, não decepcionar os fiéis”, disse. Segundo a senadora, há pressão para que apurações não avancem quando envolvem nomes influentes. “Quando se fala em um grande pastor, vem a comunidade: ‘não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes’”.>
Damares e Jair Bolsonaro
As declarações repercutiram imediatamente. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Silas Malafaia reagiu de forma dura e exigiu esclarecimentos públicos. “Uma acusação gravíssima dessa e a senhora não dá os nomes dos grandes líderes evangélicos e das grandes igrejas que estão envolvidos na falcatrua da roubalheira dos aposentados do INSS? Ou a senhora dá os nomes, ou é uma leviana linguaruda. A acusação é grave e séria. E diga também quem pediu para a senhora calar a boca”, afirmou.>
O pastor também criticou o fato de Damares, segundo ele, generalizar o meio evangélico. “Se já não bastasse Satanás e os ímpios que nos odeiam para nos caluniar, vem alguém dita evangélica para uma denúncia dessa gravidade sem dar nomes. A senhora não aprendeu com Jesus, não?”, declarou.>
As investigações da Polícia Federal apontam que o esquema de fraudes no INSS teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.>
Diante da pressão, Damares divulgou a relação de requerimentos apresentados por integrantes da CPMI do INSS que tratam do tema. A lista inclui pedidos de transferência de sigilo e convites ou convocações de líderes religiosos e igrejas, entre eles: Adoração Church; Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo; Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch); Igreja Evangélica Campo de Anatote; além de líderes como Cesar Belucci do Nascimento, André Machado Valadão, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes.>
Em nota, a senadora afirmou que os pedidos foram formulados a partir de “indícios concretos” encontrados em documentos oficiais, como Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e dados da Receita Federal. O comunicado também reconhece o impacto das suspeitas. “A senadora já manifestou que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude no INSS causa profundo desconforto e tristeza, considerando o relevante papel social e espiritual dessas instituições. Ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”.>
Mesmo após a divulgação dos requerimentos, Malafaia voltou a criticar a postura da parlamentar e minimizou o alcance das citações. “Ela publica uma nota que tem o nome de 1 grande líder e nenhum nome de grande igreja. Todos os outros nomes citados não representam grandes igrejas e não são líderes Renomados. A acusação que ela fez usou o plural e o nome do líder mencionado já tinha saído na imprensa. A SUA ACUSAÇÃO FOI LEVIANA E DENIGRE DE MANEIRA GERAL A IGREJA EVANGÉLICA!”, escreveu.>