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Wendel de Novais
Publicado em 9 de março de 2026 às 07:52
Imagens de câmeras de segurança e áudios gravados no local trouxeram novos elementos sobre o caso da soldado da Polícia Militar Gisele Alves, que foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava com o marido — o tenente-coronel da PM Geraldo Neto — em São Paulo, no dia 18 de fevereiro de 2026. Os registros mostram parte da movimentação no corredor do andar naquela manhãAs informações são do Fantástico.
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Às 8h02, o tenente-coronel Geraldo Neto aparece falando ao telefone, sem camisa. Três minutos depois, ele faz outra ligação. Às 8h13, três bombeiros chegam ao local para prestar socorro. Um dos socorristas, com 15 anos de experiência, afirmou em depoimento que achou a cena incomum e decidiu fotografar o ambiente. Segundo o bombeiro, a arma encontrada na mão de Gisele chamou a atenção. >
De acordo com o relato, o revólver estava encaixado de um jeito que ele nunca tinha visto em situações de suicídio. Outros aspectos também levantaram dúvidas. O sangue já estava coagulado e o cartucho da bala não foi encontrado no apartamento. O tenente-coronel afirmou que estava no banho no momento do disparo. No entanto, segundo os relatos, ele estava seco e não havia água espalhada pelo chão do imóvel.>
Imagens mostram movimentação no corredor após morte de Gisele
Áudios registrados durante o atendimento mostram o momento em que o oficial comenta sobre a relação do casal e dificuldades financeiras. “A gente está casado há dois anos. De seis meses para cá, a gente começou a ter muita crise”, disse. Ele relatou que os dois estavam sozinhos desde a noite anterior e que tiveram uma discussão sobre o relacionamento.>
De acordo com o próprio tenente-coronel, a discussão continuou na manhã do ocorrido. “Eu entrei no banho. Fazia um minuto que eu estava debaixo do chuveiro quando escutei o barulho. Achei que fosse ela batendo a porta. Quando abri o box, ela estava caída no chão, no sangue. Ela deu um tiro na cabeça”, afirmou.>
Os socorristas conseguiram reanimar Gisele ainda dentro do apartamento. Enquanto realizavam os procedimentos de emergência, disseram que o marido da policial não demonstrava desespero e permaneceu ao telefone com superiores. Às 8h55, a soldado foi retirada do prédio ainda com vida, em uma maca. Imagens mostram o tenente-coronel sentado no corredor naquele momento.>
Gisele foi encontrada com tiro na cabeça
Entre as ligações feitas por Geraldo naquela manhã, uma chamou a atenção da família da policial: o contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. O magistrado chegou ao prédio às 9h07 e subiu até o apartamento com o oficial. O advogado que representa a família de Gisele questiona a presença do desembargador no local logo após o disparo.>
Às 9h18, o magistrado volta a aparecer no corredor do prédio. Cerca de 11 minutos depois, o tenente-coronel também surge novamente, já com outra roupa. Testemunhas afirmaram que ele teria tomado banho nesse intervalo, mesmo após orientação de policiais para não alterar a cena. Militares que participaram da ocorrência também relataram que ele retornou com cheiro forte de produto químico.>
Laudos da Polícia Técnico-Científica apontam que o local do disparo não foi preservado adequadamente, o que dificultou a análise pericial e impediu os especialistas de determinar com precisão a dinâmica do tiro e quem teria efetuado o disparo. Um vídeo gravado após a saída dos socorristas mostra o apartamento com móveis fora do lugar, além de panos e produtos de limpeza espalhados pelo chão. “O apartamento estava uma verdadeira bagunça. O local não foi preservado”, afirma o advogado da família.>
Outro ponto investigado surgiu no depoimento de uma vizinha do casal. Ela afirmou que acordou às 7h28 após ouvir um estampido forte. No entanto, a primeira ligação feita pelo tenente-coronel pedindo socorro ocorreu às 7h57 — cerca de 29 minutos depois. Em nota ao Fantástico, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirmou que, até o momento, ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo. Os advogados também disseram que o oficial tem colaborado desde o início com as autoridades e confia no andamento das investigações. >
Segundo a defesa, Geraldo permanece à disposição para ajudar no esclarecimento do caso. Já a defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado ao local na condição de amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária.>