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Carol Neves
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 08:09
O médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, preso após matar a tiros dois colegas de profissão em Alphaville, área nobre de Barueri (SP), acumula um histórico recente de violência. Antes do duplo homicídio, ocorrido na noite de sexta-feira (16), ele já havia sido detido por agressão física, dano ao patrimônio e injúria racial durante um episódio registrado em um hotel de luxo em Aracaju, capital de Sergipe. >
A prisão mais recente aconteceu no sábado (17), poucas horas após o crime que chocou a comunidade médica e frequentadores da região. Carlos Alberto foi autuado em flagrante e teve a prisão preventiva solicitada pela polícia.>
Médico matou outros dois médicos em restaurante
Histórico de agressões e racismo em hotel de luxo>
Em julho de 2025, Carlos Alberto foi preso em Aracaju depois de causar confusão no Hotel Vidam, onde estava hospedado. Segundo informações divulgadas à época pela Secretaria de Segurança Pública de Sergipe, o médico chegou ao local com sinais de embriaguez e passou a agredir funcionários que trabalhavam na recepção.>
Um dos trabalhadores foi atacado fisicamente, enquanto outro foi alvo de ofensas racistas, tendo sido chamado de “gordo” e “preto”. Durante o episódio, o médico também quebrou móveis e equipamentos do hotel. Imagens de segurança registraram as agressões, incluindo o momento em que ele derruba um monitor de computador com um tapa e empurra um funcionário, que cai no chão.>
Carlos Alberto permaneceu preso por cerca de cinco dias. Ele deixou a cadeia após pagar fiança de R$ 15.180 e cumprir medidas cautelares. O processo ainda está em andamento na Justiça de Sergipe.>
Quem é o médico preso>
De acordo com o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Carlos Alberto se formou na Universidade do Extremo Sul Catarinense. A especialidade não é divulgada no cadastro profissional.>
Ele atua como diretor técnico da empresa Cirmed Serviços Médicos, que possui sedes em Barueri e Bauru, no interior paulista. A empresa presta serviços para unidades da rede pública de saúde em cidades da Grande São Paulo, interior do estado e também em outras regiões do país.>
Em uma entrevista publicada no Instagram da empresa, em agosto de 2025, Carlos Alberto é apresentado como CEO e afirma que a Cirmed tem como objetivo “levar a qualidade do atendimento privado ao público”.>
A polícia informou que Carlos Alberto possui registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC). Pela legislação federal, esse tipo de registro não autoriza o porte de arma para defesa pessoal, e o médico não tinha permissão para circular armado.>
Discussão, tiros e morte em Alphaville>
O duplo homicídio ocorreu por volta das 22h de sexta-feira (16), em frente a um restaurante de luxo localizado na Avenida Copacabana, no bairro Alphaville Plus. As vítimas foram identificadas como Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35.>
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, os três médicos se conheciam e se encontraram casualmente no local. Em determinado momento, houve uma discussão dentro do restaurante, o que levou funcionários a acionarem a Guarda Civil Municipal após a denúncia de que um homem estaria armado.>
A confusão inicial foi contida, e Carlos Alberto chegou a ser questionado pelos agentes se portava arma, o que ele negou. Pouco depois, já do lado de fora do estabelecimento, ele sacou uma pistola calibre 9 mm e efetuou diversos disparos contra os colegas.>
Luís Roberto foi atingido por oito tiros e Vinicius por dois. Ambos chegaram a ser socorridos, mas morreram antes de receber atendimento hospitalar.>
A pistola utilizada no crime, além de cápsulas deflagradas, documentos, uma bolsa e cerca de R$ 16 mil em dinheiro, foi apreendida e será periciada.>
Câmeras flagraram a sequência do crime>
Imagens de câmeras de segurança divulgadas pela TV Globo mostram desde o início da interação entre os médicos até o momento dos disparos. Nos vídeos, Carlos Alberto aparece se aproximando da mesa onde as vítimas estavam, cumprimentando-as e iniciando uma conversa.>
Pouco depois, ele agride Luís Roberto. Em seguida, Vinicius se levanta e troca socos com Carlos. Funcionários tentam separar a briga. Em outra gravação, já na área externa, é possível ver as vítimas deixando o local, quando Carlos surge armado e passa a atirar. Guardas civis que estavam próximos correm, rendem o médico e o algemam.>
No boletim de ocorrência, os agentes da Guarda Civil relataram que chegaram a revistar Carlos Alberto durante a primeira abordagem, mas não encontraram arma. Posteriormente, foi apurado que uma mulher teria entregue a bolsa com a pistola ao médico pouco antes dos disparos.>
Testemunhas ouvidas relataram uma discussão “extremamente acalorada” na área de fumantes, com barulho de vidros quebrando. Um manobrista contou que viu um homem armado caminhando de forma acelerada e transtornada, pouco antes de ouvir cerca de 10 tiros.>
Outro funcionário afirmou que viu Carlos Alberto conversando com guardas civis e, minutos depois, seguindo os dois médicos enquanto retirava a arma de dentro de uma bolsa.>