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Wendel de Novais
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 09:53
Uma mulher que publicou nas redes sociais a informação falsa de que o cão Orelha teria sido espancado por adolescentes admitiu que errou ao divulgar o conteúdo sem confirmação. Em entrevista exibida pelo Fantástico, da TV Globo, ela afirmou que a postagem foi baseada apenas em um comentário feito por uma conhecida e que jamais teve acesso a qualquer vídeo que comprovasse a agressão. >
Segundo o relato, a mulher ouviu da amiga que um porteiro teria registrado em vídeo adolescentes agredindo o animal e que o funcionário teria sido coagido por familiares dos jovens a não divulgar as imagens. A informação foi compartilhada sem checagem e rapidamente ganhou grande repercussão nas redes sociais, levando inclusive a ameaças contra crianças apontadas como suspeitas.>
Ouvida pela Polícia Civil de Santa Catarina, a autora da postagem confirmou que não viu nenhum vídeo. “Partiu de mim o post que contou [sobre o espancamento do Orelha]. Só que eu não imaginei que fosse repercutir tanto”, disse em entrevista ao Fantástico. >
Defesa divulgou imagens do cão Orelha andando após agressões
Ainda segundo ela, a situação fugiu do controle quando começaram a surgir pedidos de punição e represálias. “Quando comecei a perceber que o post tinha viralizado, e começaram a falar em represálias às crianças, eu não acho certo isso (...) Pequei, porque não deveria ter acreditado nela”. >
Responsável pela investigação, a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal, afirmou que a polícia nunca confirmou a versão de espancamento coletivo divulgada nas redes. “Em nenhum momento, a polícia confirmou que o animal teria sido agredido até a morte”, esclareceu. >
Apesar da fake news, a apuração policial aponta que Orelha sofreu, sim, uma agressão física. De acordo com depoimento do veterinário responsável pelo atendimento, o cachorro foi atingido por uma pancada na cabeça, possivelmente com um objeto de madeira ou uma garrafa. >
A lesão teria ocorrido dois dias antes do atendimento e evoluiu, provocando a morte do animal em 5 de janeiro. No momento da consulta, o cão apresentava um inchaço significativo na região da cabeça. >
O caso segue sob investigação para esclarecer as circunstâncias da agressão e identificar o responsável, enquanto a polícia reforça o alerta sobre os riscos da disseminação de informações não verificadas, especialmente quando envolvem acusações graves e possíveis atos de violência. >
Veja alguns dos atos em protesto pela morte do cão Orelha
Mãe de adolescente >
A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, ganhou um novo capítulo neste domingo (8), quando a mãe do adolescente investigado pelas agressões que levaram à morte do animal falou publicamente pela primeira vez. >
Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record ela afirmou que o filho não agrediu o animal e também negou que a família pretendesse enviá-lo para fora do país. A Justiça de Santa Catarina determinou que o passaporte do jovem seja entregue em até 24 horas, após pedido da Polícia Civil com apoio do Ministério Público, diante de informações sobre uma possível saída do Brasil. >
A mãe também rebateu a acusação de que teria tentado esconder provas durante o depoimento do adolescente. Segundo investigadores, o garoto teria retirado um boné e passado o objeto para ela, que o guardou na bolsa. Para a polícia, o item poderia ter relevância para o caso. >