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Wendel de Novais
Publicado em 24 de março de 2026 às 08:40
A morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, pode ter sido motivada pela recusa do namorado em aceitar o fim do relacionamento. O autor do crime, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, matou a companheira a tiros e, em seguida, tirou a própria vida dentro da residência da vítima. As informações são do g1. >
As investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher apontam que Dayse tentava encerrar o relacionamento, marcado por comportamentos abusivos. De acordo com as apurações iniciais do caso, o policial era visto como um homem “possessivo e extremamente controlador”, o que reforça a linha de feminicídio associada à dinâmica de dominação.>
Dayse Barbosa foi morta por namorado policial rodoviário
A apuração também identificou que o policial já respondia a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na Polícia Rodoviária Federal. O procedimento foi instaurado pela Corregedoria no Rio de Janeiro, em 2025, após denúncia de importunação sexual envolvendo uma ex-agente. Apesar dos indícios de comportamento violento, a comandante não chegou a formalizar denúncias. Segundo relatos da família, episódios de agressão já haviam ocorrido, incluindo uma tentativa de enforcamento mencionada pelo pai da vítima, Carlos Roberto Teixeira.>
A ausência de registros formais também foi destacada pela titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, a delegada Raffaella Aguiar. "A comandante nunca tinha relatado (casos de violência) para os companheiros dela, lá da Guarda Municipal, bem como não tem nenhum registro junto à Polícia Civil", disse.>
Ainda conforme a responsável pela investigação, o caso evidencia que a violência não está relacionada ao perfil da vítima, mas sim à lógica de poder exercida pelo agressor. "O caso é tão emblemático, porque ele mostra que não é sobre quem é a vítima, porque ela (Dayse) é uma mulher forte, uma autoridade. [...] A violência não começa naquele momento em que houve o primeiro disparo que ceifou a vida dela.">
Líder e defensora das mulheres>
Descrita como uma liderança firme e ao mesmo tempo acessível, Dayse utilizava as redes sociais para falar sobre igualdade e os desafios enfrentados pelas mulheres. Em uma das publicações, feita no Dia Internacional da Mulher, escreveu: >
"Eu sou mulher, e é claro que meu trabalho já foi descredibilizado por isso! Eu sou mulher, e é óbvio que culturalmente eu fui ensinada a cuidar e não a liderar, mas eu lidero! Eu sou mulher, e é claro que eu já fui chamada de louca! Eu sou mulher, e sempre que imponho meus limites vão dizer que eu sou metida", publicou. >
Formada em Pedagogia, iniciou a carreira na área da educação antes de ingressar na corporação, após aprovação em concurso realizado em 2012. Ela foi oficialmente admitida no ano seguinte. Em janeiro de 2023, alcançou um marco histórico ao se tornar a primeira mulher a assumir o comando da Guarda, acumulando também a função de subsecretária. >
Com especialização em Segurança Pública Municipal, era reconhecida por colegas como uma gestora comprometida e presente. A imagem de uma profissional dedicada também foi reforçada pelo secretário de Segurança Urbana da capital, Amarílio Boni. Em frente ao Instituto Médico Legal, ele destacou o perfil da comandante: “Chegava sempre feliz, disposta a ajudar, era uma marca dela”. >