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Carol Neves
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 09:42
O síndico Cléber Rosa de Oliveira afirmou que cometeu sozinho o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, e negou qualquer participação do filho, Maicon Douglas de Oliveira, no crime. A declaração foi feita nesta quarta-feira (28), quando ele chegava à Central de Flagrantes Especializadas, em Goiânia. “Meu filho não tem nada a ver com isso”, disse o investigado à TV Anhanguera.>
Pai e filho estão presos temporariamente em Caldas Novas. Enquanto Cléber é investigado por homicídio e ocultação de cadáver, a Polícia Civil apura se Maicon ajudou o pai a esconder provas após o crime. Ambos foram presos na madrugada de ontem, no prédio onde moravam. As prisões temporárias têm duração inicial de 30 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.>
Segundo os investigadores, há indícios de que o filho tenha entregue um celular novo ao pai, o que poderia ter sido uma tentativa de dificultar a apreensão do aparelho antigo. A suspeita é de que isso tenha ocorrido depois do assassinato.>
Corretora estava desaparecida desde dezembro
“A prisão foi solicitada, em primeiro momento, para que a gente pudesse entender se essa participação já acontecia desde a prática desse homicídio ou se só aconteceu depois que o crime ocorreu”, explicou André em entrevista à TV Anhanguera.>
Daiane estava desaparecida desde 17 de dezembro de 2025. Imagens de câmeras de segurança do elevador mostram a corretora descendo até a recepção e, depois, seguindo para o subsolo do edifício. De acordo com a polícia, Cléber teria utilizado as escadas para evitar ser filmado. O gravador das câmeras de segurança foi apreendido e passará por perícia para verificar se houve adulteração ou exclusão de imagens.>
“O DVR foi apreendido para a gente certificar se não houve nenhum tipo de adulteração e, se houve, qual foi e em que momento foi, se existiam imagens que poderiam estar perdidas e que não tenham sido passadas para a Polícia Civil”, contou o delegado.>
Durante o período em que a corretora esteve desaparecida, vieram à tona diversos conflitos entre ela e o síndico, que incluíam brigas no condomínio e disputas judiciais. Segundo a família da vítima, são 12 processos envolvendo os dois.>
A polícia aponta que a motivação do crime pode estar relacionada a conflitos comerciais e à administração de seis apartamentos pertencentes à família de Daiane. “O síndico administrava [os apartamentos] e eles [família da vítima] passaram a administração para Daiane. Desde então, houve uma série de atritos. Ele foi denunciado por perseguição”, relatou o delegado.>
Após a prisão, Cléber confessou o crime e levou a polícia até o local onde havia deixado o corpo da vítima, encontrado em uma área de mata. O cadáver estava em estado avançado de decomposição e foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), em Goiânia.>
Segundo a Polícia Científica, o laudo da necropsia, que deve indicar a causa da morte, tem previsão de conclusão em até 10 dias.>
Em entrevista à TV Anhanguera, o advogado Felipe Borges de Alencar afirmou que a defesa de Cléber adotará uma postura colaborativa e que uma nota será divulgada após o acesso aos autos. A defesa de Maicon não foi localizada.>