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Suzane von Richthofen é barrada ao tentar liberar corpo do tio, achado morto em casa

Morte de Miguel Abdala Netto é tratada como suspeita; ele deixa nova herança que está sob disputa

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 12:24

Suzane von Richthofen e Miguel Abdalla Netto
Suzane von Richthofen e Miguel Abdalla Netto Crédito: Reprodução

O corpo do médico Miguel Abdala Netto, de 76 anos, segue no Instituto Médico Legal (IML) enquanto a Polícia Civil apura as circunstâncias de sua morte, registrada na última sexta-feira, no Campo Belo, em São Paulo. Suzane von Richthofen - condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os próprios pais - procurou a 27ª Delegacia de Polícia para tentar liberar o sepultamento do tio, segundo o jornalista Ullises Campbell, de O Globo.

Segundo investigadores, a presença de Suzane causou surpresa na unidade policial. Foi justamente nessa delegacia que, em 2002, foi registrado o boletim de ocorrência do assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen. À época, Suzane prestou depoimento no local acompanhada do mesmo tio agora encontrado morto.

Veja como está Suzane von Richthofen hoje por Reprodução

Durante a conversa com os policiais, Suzane afirmou ser a parente consanguínea mais próxima de Miguel, por ser sobrinha de primeiro grau, e alegou que isso lhe daria legitimidade para autorizar o sepultamento. A iniciativa também poderia abrir caminho para que ela se tornasse inventariante dos bens deixados pelo médico, estimados em cerca de R$ 5 milhões. O patrimônio inclui uma casa e um apartamento no Campo Belo, além de um sítio no litoral paulista.

A polícia, no entanto, decidiu não atender ao pedido. Suzane cumpre a pena de 39 anos em liberdade. Um dia antes, Sílvia Magnani, prima de primeiro grau e ex-companheira de Miguel, também tentou a liberação do corpo, mas foi orientada a apresentar documentação que comprovasse formalmente o parentesco. Ela conseguiu apenas fazer o reconhecimento do cadáver no IML.

Casa pichada

Na madrugada em que a morte foi constatada, o portão da casa de Miguel apareceu pichado com a frase “Será que foi a Suzane?”, levantando suspeitas e reforçando a decisão da polícia de tratar o caso como morte suspeita. Exames periciais e toxicológicos ainda são aguardados para esclarecer a causa do óbito.

Após sair da delegacia sem sucesso, Suzane recorreu ao fórum e entrou com um pedido de tutela para tentar reverter a decisão. Até que haja definição judicial, o corpo permanece retido no IML.

Sílvia diz torcer para que Miguel tenha deixado um testamento. Segundo ela, o documento deixaria claro que Suzane estaria excluída da herança. Durante o período em que conviveu com o médico, afirma que ele “falava horrores da sobrinha” e dizia que lutaria até o fim da vida para que ela não herdasse “sequer um alfinete” da família que, nas palavras dele, ela própria havia destruído.

Essa não é a primeira disputa judicial envolvendo Suzane e patrimônio familiar. Logo após a morte dos pais, ela tentou assumir a inventariança dos bens do casal, avaliados na época em cerca de R$ 10 milhões. Miguel foi quem ingressou na Justiça e conseguiu que a sobrinha fosse declarada indigna de herdar os bens dos pais que mandou matar. Com isso, toda a herança ficou com Andreas von Richthofen.

Irmãos Cravinhos e Suzane von Richthofen por Reprodução | Redes Sociais

Com a morte de Miguel, um novo conflito familiar se desenha. Sílvia tentou localizar Andreas para avisá-lo do falecimento do tio, mas não conseguiu. Segundo parentes, ele estaria isolado em um sítio no litoral paulista, em endereço desconhecido.

Encontrado morto

Miguel foi encontrado morto dentro de casa, na Rua Baronesa de Bela Vista. Um vizinho, proprietário de uma empresa de construção ao lado do imóvel, estranhou a falta de contato havia cerca de dois dias. Usando uma escada, subiu no muro, olhou para o interior da residência e viu o corpo no quarto do andar superior, sentado no chão, com as costas apoiadas na cama. A polícia foi acionada em seguida.

De acordo com Sílvia, Miguel era hipertenso e fazia uso de medicamentos controlados. O Samu constatou o óbito, e o corpo já apresentava estado de putrefação. Não havia sinais aparentes de violência, mas o imóvel foi preservado para perícia.

No dia anterior à descoberta do corpo, a diarista esteve na residência, bateu no portão, tocou a campainha e enviou mensagens, sem obter resposta. Imagens de câmeras de segurança de uma empresa vizinha mostram Miguel entrando em casa pela última vez no dia 7 de janeiro, às 17h10. Depois disso, não foi mais visto.

Irmão de Marísia von Richthofen, Miguel rompeu relações com Suzane após o assassinato do casal e tornou-se tutor de Andreas, então com 14 anos. A convivência entre tio e sobrinho também foi marcada por conflitos. Um dos episódios mais tensos ocorreu quando Miguel encontrou uma pistola escondida no quintal da casa e a entregou ao Ministério Público, atitude que deixou Andreas furioso. Outro ponto de atrito foi a insistência do jovem em visitar a irmã na penitenciária, algo a que o tio se opunha.

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Suzane von Richthofen