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Carol Neves
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 13:27
A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira (13), três homens apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) suspeitos de participação no assassinato do ex-delegado-geral da corporação Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros em setembro do ano passado, em Praia Grande, no litoral paulista.>
A operação cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em cidades como Jundiaí, Mongaguá, Praia Grande, Carapicuíba, Barueri, Mairinque e São Paulo. Segundo a polícia, os investigados atuaram de forma organizada, com divisão de tarefas no planejamento, na execução e no apoio logístico do crime.>
Suspeitos foram presos acusados de mandar matar ex-delegado-geral
Entre os presos está Marcio Serapião de Oliveira, o Velhote ou MC, acusado de dar suporte estratégico, incluindo guarda de veículos e uso de imóveis de apoio. Ele foi detido na Zona Sul da capital após tentar fugir e teve documentos e dois celulares apreendidos. Também foi preso Fernando Alberto Teixeira, o Azul ou Careca, apontado como um dos responsáveis por articular o mando do assassinato; com ele, a polícia apreendeu dois celulares. O terceiro detido é Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, o Manezinho ou Manoelzinho, investigado por atuar na logística e na fuga dos envolvidos. Ele foi preso em Mongaguá, onde uma arma de fogo foi apreendida.>
As investigações reuniram provas como impressões digitais em veículos usados no crime, dados extraídos de celulares, movimentações financeiras suspeitas e a utilização de imóveis que teriam servido de apoio à ação criminosa. A polícia acredita que outros materiais ainda possam ser encontrados.>
De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público em novembro, o assassinato foi ordenado pela “sintonia geral” do PCC como vingança pelo trabalho de Ruy Ferraz no combate à facção. O ex-delegado ingressou na Polícia Civil nos anos 1980, atuou por mais de quatro décadas em unidades estratégicas e, em 2006, liderou o indiciamento da cúpula do PCC, incluindo Marcos Camacho, o Marcola.>
Um relatório policial aponta que a ordem para matar Ruy existia ao menos desde 2019. Uma carta manuscrita apreendida naquele ano menciona a “missão: delegado Ruy Ferraz Fontes” e cobra ações contra agentes públicos.>
No total, oito pessoas foram denunciadas pelo MP por integrar organização criminosa armada, homicídio qualificado consumado e tentado, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e favorecimento pessoal. Advogados de dois denunciados negaram envolvimento; a defesa dos demais não foi localizada.>
O Ministério Público afirma que o crime foi precedido por planejamento minucioso, com monitoramento da rotina da vítima, carros de fuga, imóveis de apoio e desligamento de câmeras de segurança. Para o MP, a motivação foi torpe, por se tratar de retaliação de uma facção criminosa, e novas diligências seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos.>