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Vingança de facção: polícia prende três membros do PCC acusados de mandar matar ex-delegado-geral

Crime teria sido planejado desde 2019

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 13:27

Fernando Alberto, Manoel Alberto e Marcio Serapião foram presos
Fernando Alberto, Manoel Alberto e Marcio Serapião foram presos Crédito: Reprodução

A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira (13), três homens apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) suspeitos de participação no assassinato do ex-delegado-geral da corporação Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros em setembro do ano passado, em Praia Grande, no litoral paulista.

A operação cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em cidades como Jundiaí, Mongaguá, Praia Grande, Carapicuíba, Barueri, Mairinque e São Paulo. Segundo a polícia, os investigados atuaram de forma organizada, com divisão de tarefas no planejamento, na execução e no apoio logístico do crime.

Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Manezinho ou Manoelzinho por Reprodução

Entre os presos está Marcio Serapião de Oliveira, o Velhote ou MC, acusado de dar suporte estratégico, incluindo guarda de veículos e uso de imóveis de apoio. Ele foi detido na Zona Sul da capital após tentar fugir e teve documentos e dois celulares apreendidos. Também foi preso Fernando Alberto Teixeira, o Azul ou Careca, apontado como um dos responsáveis por articular o mando do assassinato; com ele, a polícia apreendeu dois celulares. O terceiro detido é Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, o Manezinho ou Manoelzinho, investigado por atuar na logística e na fuga dos envolvidos. Ele foi preso em Mongaguá, onde uma arma de fogo foi apreendida.

As investigações reuniram provas como impressões digitais em veículos usados no crime, dados extraídos de celulares, movimentações financeiras suspeitas e a utilização de imóveis que teriam servido de apoio à ação criminosa. A polícia acredita que outros materiais ainda possam ser encontrados.

De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público em novembro, o assassinato foi ordenado pela “sintonia geral” do PCC como vingança pelo trabalho de Ruy Ferraz no combate à facção. O ex-delegado ingressou na Polícia Civil nos anos 1980, atuou por mais de quatro décadas em unidades estratégicas e, em 2006, liderou o indiciamento da cúpula do PCC, incluindo Marcos Camacho, o Marcola.

Um relatório policial aponta que a ordem para matar Ruy existia ao menos desde 2019. Uma carta manuscrita apreendida naquele ano menciona a “missão: delegado Ruy Ferraz Fontes” e cobra ações contra agentes públicos.

No total, oito pessoas foram denunciadas pelo MP por integrar organização criminosa armada, homicídio qualificado consumado e tentado, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e favorecimento pessoal. Advogados de dois denunciados negaram envolvimento; a defesa dos demais não foi localizada.

O Ministério Público afirma que o crime foi precedido por planejamento minucioso, com monitoramento da rotina da vítima, carros de fuga, imóveis de apoio e desligamento de câmeras de segurança. Para o MP, a motivação foi torpe, por se tratar de retaliação de uma facção criminosa, e novas diligências seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos.