Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Felipe Sena
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 17:51
Bloco Apáxes do Totoró volta ao Carnaval de Salvador em 2026, no domingo da folia momesca, no Circuito Osmar (Campo Grande), com um desfile que representa um ato de resistência cultural ao lado de Carlinhos Brown, com o tema “Carlinhos Brown - A Volta do Rei de Oyó à ‘Tribo Americana’ Apáxes do Tororó”. >
Para viabilizar o desfile de 2026, o Apáxes colocou à venda abadás por R$ 150 (individual) e R$ 250 (casadinha), que podem ser adquiridos através da plataforma Ingresso Simples ou através do perfil do Instagram @apaxesdotororo2026. Além da venda de abadás, o bloco busca parcerias institucionais, patrocínios e apoios culturais para financiar a participação das comunidades indígenas convidadas e garantir a realização plena do projeto.>
Bloco Apáxes do Tororó
Com percussão, canto, dança e estética ritualística, o desfile terá a participação especial de coletivos indígenas das etnias Kiriri, Xukuru-Kariri, Kariri-Xocó e Tupinambá, além de figurinos inspirados nas indumentárias cerimoniais dos povos de Abya Yala (Américas) e nas referências da realeza africana de Oyó. Hoje, o Apáxes vive um processo de reconstrução e reinserção no circuito mercadológico, liderado por Adelmo Costa (Presidência), em parceria com o multiartista Cabloco de Cobre e contribuição de João Paulo.>
Criado em 1968, o Apáxes do Tororó atravessou quase seis décadas enfrentando perseguições policiais, racismo institucional e invisibilização. Mesmo assim, manteve-se como símbolo da afirmação indígena, cabloca e negra no Carnaval de Salvador. Além disso, foi um bloco pioneiro a desfilar com trio elétrico próprio adaptado à sua estética, ao criar serviços de bar em trios, e ao inserir profissionais de segurança e enfermagem no circuito, contribuindo para a modernização do Carnaval.>
Na década de 1990, Carlinhos Brown teve papel fundamental na revitalização do bloco, inclusive sugerindo a mudança da grafia para “Apáxes” com X, em referência direta ao axé e às línguas originárias, fortalecendo o conceito simbólico e identitário do grupo. Em 2026, essa história se reencontra na avenida em forma de ritual, reverência e celebração.>