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Por que 'Feijão com Arroz', de Daniela Mercury, é o maior álbum da Axé Music

Álbum lançado em 1996 levou o axé music além do Carnaval, conquistou a Europa e será homenageado pela cantora no Carnaval de 2026

  • Foto do(a) author(a) Heider Sacramento
  • Heider Sacramento

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 18:18

Trinta anos depois, Feijão com Arroz segue como o disco que levou o axé além do Carnaval
30 anos depois, 'Feijão com Arroz' segue como o disco que levou o axé além do Carnaval Crédito: Mário Cravo Neto

Quando Daniela Mercury lançou Feijão com Arroz, em setembro de 1996, o axé music vivia o auge comercial, mas ainda era visto com desconfiança fora do circuito carnavalesco. Trinta anos depois, o álbum se impõe como uma das obras mais consistentes da música pop brasileira dos anos 1990 e como um ponto de virada para a internacionalização do gênero.

Quarto disco de estúdio da cantora, Feijão com Arroz surgiu após o fenômeno O Canto da Cidade e o experimental Música de Rua. Em vez de repetir fórmulas, Daniela aprofundou uma pesquisa sobre Carnaval, trio elétrico e ritmos regionais, apostando em um repertório que conciliava percussão tradicional baiana, arranjos sofisticados e canções de forte apelo popular.

O título, que remete ao prato mais cotidiano da mesa brasileira, funciona como metáfora do projeto artístico. Assim como o feijão com arroz, o disco parte do básico para alcançar complexidade. Samba-reggae, ijexá, samba de roda e elementos pop convivem de forma orgânica em um trabalho que foge da ideia de axé como produto descartável de verão.

Trinta anos depois, Feijão com Arroz segue como o disco que levou o axé além do Carnaval por Mário Cravo Neto

A produção ficou a cargo de Alfredo Moura, com direção musical assinada pela própria Daniela. Mais de 100 músicos participaram das gravações, número incomum para o gênero à época e indicativo da ambição do projeto. O cuidado estético se estendeu à capa, fotografada por Mário Cravo Neto, frequentemente citada entre as mais emblemáticas da história da música brasileira.

O impacto foi imediato. Feijão com Arroz se tornou um dos discos mais vendidos da carreira da artista, atrás apenas de O Canto da Cidade, e acumulou certificações de platina e diamante no Brasil. Fora do país, o desempenho foi ainda mais simbólico. O álbum alcançou múltiplas platinas em Portugal e se tornou o mais vendido de todos os tempos no mercado fonográfico local, além de circular com força em países como a França.

Parte desse sucesso se explica pela sequência de canções que dominaram rádios, novelas e Carnavais. À Primeira Vista, de Chico César, virou trilha de horário nobre. Nobre Vagabundo e Rapunzel consolidaram Daniela como intérprete de hits que resistiram ao tempo. Faixas como Minas com Bahia ampliaram o diálogo entre a música baiana e o pop brasileiro dos anos 1990.

A recepção crítica também ajudou a sedimentar o disco como clássico. Avaliações internacionais na época destacaram a maturidade artística do trabalho e a capacidade de Daniela de equilibrar tradição e mercado. Ao contrário de muitos álbuns do período, Feijão com Arroz não se limita a uma coleção de sucessos carnavalescos, mas propõe uma escuta mais ampla e duradoura.

Em 2026, ao celebrar os 30 anos do álbum, Daniela Mercury decidiu levar essa memória para a rua. Em uma publicação nas redes, a cantora anunciou que o disco será o eixo de sua homenagem no Carnaval de Salvador. “Foi o disco que fez o axé music atravessar o Atlântico”, escreveu, ao relembrar o alcance internacional da obra.

Três décadas depois, Feijão com Arroz segue como referência para artistas, pesquisadores e fãs. Mais do que um retrato de época, o álbum se mantém atual ao mostrar que a música popular brasileira pode ser, ao mesmo tempo, acessível, identitária e artisticamente ambiciosa.

O projeto Correio Folia é uma realização do Jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.

Tags:

Carnaval 2026 Daniela Mercury axé Music Feijão com Arroz