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Sexo, pegação e drogas: quais os bastidores +18 da folia no Carnaval de Salvador?

Pesquisa da Ufba revela como aplicativos, sexo casual e uso de substâncias transformam a dinâmica da maior festa de rua do país

  • Foto do(a) author(a) Esther Morais
  • Esther Morais

Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 14:02

Carnaval de Salvador
Carnaval de Salvador Crédito: Arquivo CORREIO

O Carnaval de Salvador é conhecido mundialmente pela música, pelos trios elétricos e pela multidão que toma conta das ruas. Mas, por trás da festa, existe uma dinâmica intensa de encontros afetivos e sexuais, uso de aplicativos, consumo de substâncias e desafios para a saúde pública. É esse cenário que o estudo Pega-@ção-Folia, publicado por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) na última sexta-feira (13), buscou compreender.

A pesquisa analisou práticas afetivo-sexuais, cuidados em saúde e padrões de consumo de substâncias entre homens que fazem sexo com homens durante o Carnaval de 2025 na capital baiana. O documento combinou dados quantitativos e relatos dos participantes, revelando como prazer, risco e estratégias de cuidado convivem na maior festa popular do país.

Veja a programação completa do Carnaval na Barra (Circuito Dodô) por Reprodução

Segundo o coordenador do estudo, Anderson Reis, mestre em Enfermagem e doutor em Enfermagem e Saúde pela Ufba, um dos principais achados foi perceber como os ambientes digitais passaram a influenciar diretamente o comportamento durante a festa.

“Hoje, grande parte dessas interações é mediada por aplicativos e redes sociais. Isso muda a forma como as pessoas se encontram, negociam práticas e até têm acesso a substâncias”, explica o pesquisador.

O estudo ainda mostra uma tendência de crescimento do chamado sexo aditivado, prática em que substâncias são utilizadas para prolongar ou intensificar experiências sexuais. Entre as drogas mais citadas estão cocaína, ecstasy, poppers, lança-perfume e GHB, muitas vezes combinadas com medicamentos para ereção, como tadalafila e sildenafila.

Conforme a pesquisa, 16,2% dos participantes relataram problemas de saúde após o uso de substâncias, incluindo complicações ligadas à saúde mental, problemas gastrointestinais e alterações genitais.

Reis ressalta a preocupação com a chegada e expansão das metanfetaminas no país, droga associada a forte potencial de dependência e impactos psicológicos graves. “É um fenômeno que já era observado em grandes centros e começa a aparecer com mais força também no Nordeste”, afirma.

Quinta-feira no Circuito Osmar por Reprodução

Outro ponto identificado é que o acesso às substâncias ocorre tanto em espaços físicos quanto nos aplicativos, onde vendedores anunciam produtos e mantêm contato direto com foliões. Segundo o pesquisador, é comum encontrar perfis oferecendo drogas abertamente nessas plataformas.

“Tem perfis que funcionam praticamente como lojas, anunciando disponibilidade o tempo inteiro. A pessoa entra no aplicativo e já encontra quem está vendendo, tanto para quem já é usuário quanto para quem está tendo contato ali naquele momento”, conta.

Camisinha perde espaço, mas não desaparece

Apesar da pesquisa indicar que metade dos participantes afirma usar preservativo durante o carnaval, cresceu o interesse por práticas sem camisinha, algo que também aparece nos aplicativos e nas narrativas dos entrevistados. Ainda assim, o pesquisador ressalta que não se trata de um padrão consolidado. “Existe uma tendência, mas ainda convivem práticas de sexo protegido e preocupação com prevenção”, diz.

O estudo aponta que parte dos foliões associa proteção apenas ao uso da PrEP, medicamento preventivo contra o HIV, o que pode reduzir a percepção de risco em relação a outras infecções sexualmente transmissíveis.

Para Reis, o Carnaval não cria necessariamente novos comportamentos, mas intensifica práticas que já existem ao longo do ano. Ao mesmo tempo, muitas pessoas relatam viver pela primeira vez determinadas experiências afetivas, sexuais ou de uso de substâncias durante o período festivo.

Vale ressaltar que, apesar da visibilidade das práticas de pegação, o estudo mostra que parte dos foliões não tem interesse em encontros sexuais durante a festa e busca apenas diversão, música e convivência com amigos.

Para os pesquisadores, os dados mostram a necessidade de políticas públicas específicas para grandes eventos. Segundo Anderson Reis, é preciso reforço nas demandas relacionadas ao uso de substâncias, saúde mental e prevenção sexual durante e após o carnaval.

O relatório final da pesquisa deve servir de base para novos estudos e recomendações voltadas à saúde coletiva durante grandes eventos no Brasil. Para ler o documento completo, clique aqui.

Tags:

Carnaval 2026