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Por que os juros do cartão de crédito não caem quando a Selic diminui?

Com Selic a 15% e rotativo na casa dos 451,5%, entenda os fatores estruturais, como risco de inadimplência e margem bancária,que mantêm as taxas de cartão em patamares extremos, ignorando os movimentos da taxa básica

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 6 de março de 2026 às 20:43

Diretores do BC devem manter a taxa Selic em 15% ao ano.
JUROS NO CARTÃO DE CRÉDITO E SELIC Crédito: Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A cada reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa Selic, a expectativa cresce entre os brasileiros: se a taxa básica de juros do país cai, o juro do cartão de crédito também deveria diminuir, certo? Na teoria, a lógica parece simples. Na prática, porém, o cenário é bem diferente.

JUROS NO CARTÃO DE CRÉDITO E SELIC por Marcello Casal jr/Agência Brasi

Embora a Selic influencie o custo do dinheiro na economia, o rotativo do cartão de crédito responde a um conjunto mais amplo de fatores e, por isso, não acompanha a taxa básica na mesma velocidade. Dados do Banco Central confirmam que essa modalidade mantém patamares muito superiores à Selic, sendo historicamente um dos créditos mais caros do sistema financeiro.

O mito do alívio automático

A pergunta central que muitos consumidores fazem é: por que o rotativo continua tão alto mesmo quando a Selic cai? É preciso desmontar o senso comum de que toda queda de juros beneficia, de forma imediata e automática, quem está endividado no cartão.

Sim, a queda da Selic influencia o custo do crédito, mas esse impacto no cartão é indireto, lento e, muitas vezes, mínimo. Enquanto a Selic serve como referência, o rotativo precifica fatores que pesam muito mais para o banco, como:

  • Risco de inadimplência: o cartão é um crédito sem garantias reais. Para o banco, emprestar dinheiro via rotativo significa assumir um risco alto de que aquele valor não seja pago. Para compensar esse risco, a taxa é mantida lá no alto.
  • Spread bancário: é a margem que o banco utiliza para cobrir seus custos operacionais, impostos e garantir o lucro da operação.
  • Cautela das instituições: os bancos não repassam a queda da Selic imediatamente. Eles aguardam a consolidação da tendência de baixa e a estabilidade do cenário econômico antes de qualquer ajuste, para evitar prejuízos caso o cenário mude rapidamente.

A distância entre a Selic e o rotativo

Para se ter uma ideia, enquanto a Selic serve como referência da política monetária, o rotativo opera em patamares muito superiores, chegando a ultrapassar 450% ao ano. Em fev/2026, com Selic a 15%, o rotativo atingiu 451,5% ao ano.

Em períodos em que a Selic apresenta quedas, o ajuste no rotativo costuma ser quase imperceptível para o consumidor, com variações mínimas que não mudam a realidade de quem está com a dívida acumulada. Ou seja, o "barateamento" do dinheiro não chega com a mesma velocidade ao bolso de quem depende do cartão para equilibrar o mês.

Mudanças na lei: um freio, não uma solução

Recentemente, a legislação trouxe mudanças importantes, como o limite para o endividamento no rotativo. Após 30 dias nessa modalidade, a dívida precisa ser transferida para um parcelamento ou outra linha de crédito com condições mais favoráveis do que o rotativo. Isso foi um avanço importante para impedir que a dívida se tornasse uma "bola de neve" infinita, mas é fundamental entender: a medida não eliminou os juros elevados, evita abusos extremos e não torna o crédito barato.

O que dizem as instituições

Para entender como lidar com juros elevados, entidades do setor financeiro apresentam orientações baseadas no comportamento do mercado:

  • Quitação imediata:  dados e materiais de educação financeira do Banco Central apontam que o rotativo do cartão está entre as modalidades de crédito mais caras do país. A recomendação técnica é priorizar o pagamento total da fatura para evitar que os juros façam a dívida crescer rápido demais.
  • Troca de dívida: a orientação é trocar uma dívida cara por uma mais barata. Se não for possível quitar o cartão, especialistas sugerem buscar empréstimos com taxas menores (como o crédito pessoal ou consignado) para encerrar a dívida com o banco.
  • Olho no custo total: a federação que representa os bancos reforça que o consumidor não deve olhar apenas o juro mensal. É preciso calcular o Custo Efetivo Total (CET), ou seja, o valor final da operação, para evitar que parcelamentos que parecem pequenos encareçam demais a dívida a longo prazo.

A Selic é um indicador geral da economia, mas não dita o preço do cartão, que prioriza o risco de quem pede o dinheiro. A ideia de que o cartão barateia automaticamente após decisões do Banco Central não se confirma na prática. Por isso, a gestão financeira precisa focar no custo final das operações, independentemente dos movimentos da economia.

Tags:

Cartão de Crédito Selic