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Maiara Baloni
Publicado em 6 de março de 2026 às 20:43
A cada reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa Selic, a expectativa cresce entre os brasileiros: se a taxa básica de juros do país cai, o juro do cartão de crédito também deveria diminuir, certo? Na teoria, a lógica parece simples. Na prática, porém, o cenário é bem diferente. >
JUROS NO CARTÃO DE CRÉDITO E SELIC
Embora a Selic influencie o custo do dinheiro na economia, o rotativo do cartão de crédito responde a um conjunto mais amplo de fatores e, por isso, não acompanha a taxa básica na mesma velocidade. Dados do Banco Central confirmam que essa modalidade mantém patamares muito superiores à Selic, sendo historicamente um dos créditos mais caros do sistema financeiro.>
A pergunta central que muitos consumidores fazem é: por que o rotativo continua tão alto mesmo quando a Selic cai? É preciso desmontar o senso comum de que toda queda de juros beneficia, de forma imediata e automática, quem está endividado no cartão. >
Sim, a queda da Selic influencia o custo do crédito, mas esse impacto no cartão é indireto, lento e, muitas vezes, mínimo. Enquanto a Selic serve como referência, o rotativo precifica fatores que pesam muito mais para o banco, como:>
Para se ter uma ideia, enquanto a Selic serve como referência da política monetária, o rotativo opera em patamares muito superiores, chegando a ultrapassar 450% ao ano. Em fev/2026, com Selic a 15%, o rotativo atingiu 451,5% ao ano. >
Em períodos em que a Selic apresenta quedas, o ajuste no rotativo costuma ser quase imperceptível para o consumidor, com variações mínimas que não mudam a realidade de quem está com a dívida acumulada. Ou seja, o "barateamento" do dinheiro não chega com a mesma velocidade ao bolso de quem depende do cartão para equilibrar o mês.>
Recentemente, a legislação trouxe mudanças importantes, como o limite para o endividamento no rotativo. Após 30 dias nessa modalidade, a dívida precisa ser transferida para um parcelamento ou outra linha de crédito com condições mais favoráveis do que o rotativo. Isso foi um avanço importante para impedir que a dívida se tornasse uma "bola de neve" infinita, mas é fundamental entender: a medida não eliminou os juros elevados, evita abusos extremos e não torna o crédito barato.
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Para entender como lidar com juros elevados, entidades do setor financeiro apresentam orientações baseadas no comportamento do mercado:>
A Selic é um indicador geral da economia, mas não dita o preço do cartão, que prioriza o risco de quem pede o dinheiro. A ideia de que o cartão barateia automaticamente após decisões do Banco Central não se confirma na prática. Por isso, a gestão financeira precisa focar no custo final das operações, independentemente dos movimentos da economia. >