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5 curiosidades sobre o acarajé que até baiano pode não saber

Iguaria é a mais famosa da capital baiana

  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Raphael Miras

  • Agência Correio

Publicado em 5 de abril de 2026 às 13:30

Siri catado no acarajé vira novidade em Salvador
  Crédito: Almiro Lopes

Se existe um cheiro que define bem a Bahia, é o de dendê. Mais precisamente, um dendê 'pelando', cheio de bolinhos brancos fritando, prontos para virarem um acarajé crocante, prontinho para ser recheado e devorado. O que muita gente não sabe é que a iguaria não é apenas deliciosa, mas carrega muita história e um monte de curiosidade legal.

Já adianto: o acarajé não é apenas "comida de rua"; é um complexo sistema cultural que envolve fé, resistência e uma técnica culinária que atravessou o Atlântico

Prepare o paladar, pois selecionamos 5 fatos que vão mudar a forma como você encara essa comida tão deliciosa.

Acarajé por Shutterstock

1. Um nome que conta uma história

A palavra "acarajé" não é um nome aleatório. Ela vem da língua iorubá e revela exatamente o que o prato é: a junção de Akara (bola de fogo) e Je (comer). Ou seja, "comer bola de fogo".

O nome faz referência tanto ao aspecto visual do bolinho saindo do dendê fervente quanto à sua energia espiritual.

2. O segredo do "Quente" ou "Frio"

Se você é um baiano pouco raiz ou um turista de primeira viagem, cuidado: essa pergunta não é sobre a temperatura térmica. No tabuleiro, "quente" significa com muita pimenta, e "frio" significa sem (ou com pouca) pimenta.

Responder "quente" por engano pode transformar sua experiência gastronômica em um teste de resistência física.

3. Comida de Santo, sustento da vida

Originalmente, o acarajé é uma oferenda para Iansã (Oyá), a divindade dos ventos e tempestades no Candomblé.

Historicamente, ele o bolinho foi a principal ferramenta das "ganhadeiras", mulheres escravizadas ou libertas que vendiam os acarajés para comprar a própria alforria ou sustentar suas famílias, mantendo viva a ancestralidade africana em solo brasileiro.

Baiana Cici, que vende acarajé há 65 anos em Amaralina por Sora Maia /CORREIO

4. O uniforme é um ritual

Aquela bata rendada, o turbante (torso) e os colares de contas que a baiana usa não são apenas um "figurino" para fotos. Cada elemento tem um significado religioso e hierárquico.

O branco simboliza a pureza e o respeito aos Orixás. Estar no tabuleiro é, acima de tudo, um ato ritualístico de partilha.

5. Patrimônio reconhecido por lei

Desde 2004, o ofício das baianas de acarajé é considerado patrimônio cultural imaterial do Brasil. O reconhecimento valoriza não só o prato, mas todo o conhecimento envolvido, do preparo do feijão-fradinho até a forma de servir no tabuleiro, preservando uma tradição que atravessa gerações.